End of Green – Void Estate

K640_731_END OF GREEN_VOID ESTATE_WEBJá com duas décadas e meia de atividade, os alemães do End of Green nunca foram muito populares por essas terras tupininquins e eu mesmo me lembro de ter ouvido apenas uma faixa de seu debut intitulado Infinity de 1996, que saiu na compilação Beauty in Darkness Vol. 1 com a faixa “Seasons of Black”.

Tempos depois, quando a internet já havia se tornado uma realidade e os canais de compartilhamento de arquivos como o mIRC, baixei esse álbum e algumas outras músicas salteadas e lembro de não ter me chamado tanta atenção quanto a faixa mencionada anteriormente e o que antes era voltado ao Doom Metal, nesta altura do campeonato (lê-se por volta de 2002/2003) já faziam um som mais voltado ao depressive rock . E quando recebi esse promo aqui, ja fui com um pé atrás e na primeira audição achei legal mas nada que se destacasse.

Ouvi mais algumas vezes e a mágica não aconteceu, talvez eu não estivesse na vibe apropriada para escuta-lo. Aí esses dias já com a motivação em baixa, acabei dando uma nova oportunidade ao disco e eis a minha surpresa. Este é um disco tão intimista e tão cativante que não teria outra hora melhor para apreciá-lo.

“Send it the Clowns” abre o disco e apesar de seu apelo mais “popzísticos” na linha do ShamRain/Entwine (atual) é uma boa canção, mas talvez se ela estivesse em outro lugar no álbum ela teria um efeito melhor ainda.

A seguinte é a poderosa “Darkside of the Sun”. Aqui os vocais de Michelle Darkness são mais graves, numa mesma vibe que o saudoso Peter Steele fazia com maestria. Mas os destaque para os vocais não param aqui, pois a versatilidade do cidadão Darkness vai muito além. O instrumental também merece o seu destaque, pois ela apesar de ter um lado pesado e depressivo, ela é de certa forma acessível aos ouvidos.

As duas faixas seguintes são de deixar o cidadão que já estava cabisbaixo numa vibe mais introspectiva e pensativa ao seguir adiante nessa vida ou dar cabo à ela. Se o clima já começava a pesar com a faixa anterior, nessa “The Door” que a coisa começa a ficar feia. Com um refrão cativante, são apenas poucas ouvidas para o ser introspectivo começar a cantarolar. Mas o bicho pega mesmo com “Head Down”. Se o clima tristonho começou a duas faixas atrás, aqui seria o ápice da tristeza. Puta merda, que faixa fudida, é melódica, de fácil absorção e dependendo do estado infeliz do ouvinte, os olhos poderão a lacrimejar sem prévio aviso. Novamente fica o destaque para os vocais de Michelle Darkness.

Se o clima estava nublado para o ouvinte, com a faixa “Crossroads” vem um pouco de luz solar. Um cover bem executado de Calvin Russell com certeza o deixaria feliz, e apesar de toda a vibe negativa que estava, esta faixa da uma sobrevida ao depressivo em questão.

Outras faixas que podemos destacar deste álbum são: “Mollodrome” que lembra aquelas músicas introspectivas que rolavam no bar Bang Bang do seriado Twin Peaks, “Like a Stranger” que encerra o álbum de uma forma ímpar. Faixa que apesar de ter um clima bem denso, ainda dá um pouco de esperança para ver o dia amanhecer novamente.

End of Green – Void Estate (Napalm Records)
1. Send in the Clowns
2. Darkside of the Sun
3. The Door
4. Head Down
5. Crossroads
6. The Unseen
7. Dressed in Black Again
8. Mollodrome
9. Worn and Torn
10. City of Broken Thoughts
11. Like a Stranger

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Resenha por: Rodrigo Bueno

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Bloody Hammers – Lovely Sort of Death

bloody-hammers-lovely-sort-of-deathNovo álbum deste duo norteamericano e traz em sua sonoridade um flerte o Dark Rock, coisa que não estava tão evidente no álbum anterior.

Ao todo são 10 faixas em pouco mais de 45 minutos e neste período de audição, nos causa uma sensação que vai da euforia a agonia extrema.

O álbum abre com “Bloodletting on the Kiss”, numa forma lenta porém cativante e sombria, os acordes de guitarra e os vocais cantados de uma forma tranquila por Anders Manga nos passam uma calmaria, uma sensação de êxtase e a sonoridade dos teclados ao fundo nos trazem a mente aqueles filmes de terror dos anos 80.

Indo nesta vibe Darkwave dos anos 80 temos a seguinte “Lights Come Alive”. Apesar da faixa ser um pouco mais animada, conseguimos sentir uma certa melancolia nos vocais de Anders. Mas nada que se compare com o clima soturno e deprimente de “The Reaper Comes”. Faixa que rendeu o primeiro vídeo da banda deste novo álbum. E desde o lançamento, esta foi uma das faixas que mais ouvi, devido a atmosfera negra que a circunda. Não sei citar se é os acordes extremamente baixo dos sintetizadores, se é a guitarra, os vocais hipnotizantes, a bateria tribal ou se é o conjunto  da obra, mas uma coisa posso afirmar, esta é uma das faixas mais sombrias que o Bloody Hammers já escreveu.

“Messalina” vem em seguida e sua levada no baixo logo de cara me trouxe a mente bandas do calibre do The Sisters of Mercy e/ou The Cure, mas é uma faixa que tocaria com certeza nos inferninhos Gothic Rock ao redor do mundo, empolgando quem estiver na pista.

“Infinite Gaze to the Sun” tem seu início pesado para depois flertar novamente com o Gothic e tendo seu resultado muito bom e agradável de ouvir, lembrando vagamente o Evereve do álbum Regret.

Dentro deste apanhado geral ainda encontramos boas faixas como “Ether”, “Shadow Out of Time” e “Catasatrophe”.

Em resumo o que o Bloody Hammers fez neste disco, é quase o mesmo que o Paradise Lost fez com o One Second, mas sem soar tão “eletrônico”. É Doom, é Gothic, é Darkwave, mas continua sendo Bloody Hammers.

Bloody Hammers – Lovely Sort of Death (Napalm Records)
1. Bloodletting on the Kiss
2. Lights Come Alive
3. The Reaper Comes
4. Messalina
5. Infinite Gaze to the Sun
6. Stoke the Fire
7. Ether
8. Shadow Out of Time
9. Astral Traveler
10. Catastrophe

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Light of the Morning Star – Cemetery Glow

ae85bfe1-5516-423e-916b-1119b9efec43Desde o dia que recebi este promo até o presente dia, o som apresentado por esta banda inglesa continua inrotulável. Mas podendo enquadrá-los dentro de alguma coisa, notamos elementos do DeathRock, Gothic Rock e com algumas passagens voltadas ao Doom e porque não, uma pequena dose de psicodelia.

Neste MLP temos apenas 3 sons que se resumem em pouco mais de 12 minutos. Pra quem se recorda, no episódio #06 do FuneralCast, eu toquei uma música deste material, que é a faixa de abertura intitulada “An Empty Hearse”.

Nela podemos ouvir nitidamente esta influência do DeathRock/Gothic Rock, sua levada simples e cativante, os vocais numa levada mais grave, tradicional do estilo lembrando ao longe os vocais de Roony Moorings.

Na sequência temos “Black Throne Ascension” que é bem direta como a faixa anterior, mas com uma leve passagem mais cadenciada. A simplicidade instrumental me trouxe a mente a banda Khold, que tem em seus riffs simples e muito cativantes mas com uma dose sinistra.

E para encerrar temos “Wraith”. Destacamos nela o baixo marcado e as quebras de tempo, deixando-a bem tétrica e que prende a atenção do ouvinte.

Espero não ter que aguardar muito para o debut álbum, pois este pequeno material deixou com uma vontade de ouvir mais e mais. O jeito, por enquanto, é colocar pra rodar novamente até saciar a vontade.

Light of the Morning Star – Cemetery Glow (Iron Bonehead)
1. An Empty Hearse
2. Black Throne Ascension
3. Wraith

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Kuolemanlaakso – M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes

m laakso gothic tapes coverTrabalho novo do Kuolemanlaakso pintando na área, mas não precisamente um trabalho da banda propriamente dito, mas sim lançado sob a alcunha de “M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes”. Mas antes de sua primeira ouvida, tem um aviso bem importante: Não se trata de um álbum Death/Doom já conhecido do grupo e sim um álbum “solo” de seu fundador, onde explora algumas ideias do Gothic Metal e outras influências. E o por quê disto?. Simples, o vocalista Mikko Kotamäki estará em tour com a banda Swallow the Sun por pelo menos mais um ano e então M. Laakso sentiu a necessidade de que seria a hora de explorar outras sonoridades.

Voltando a parte musical do álbum, se tu curte bandas como The 69 Eyes, Sentenced (da fase Down pra frente), Poisonblack e afins, este disco lhe será de grande agrado. Agora se tu vai na esperança de ouvir algo mais cru ou ríspido, como os trabalhos anteriores deles, a decepção será imensa.

O álbum abre com “Children of the Night” que tem uma pegada bem Gothic Metal (para não dizer feliz) e o seu refrão pegajoso e no decorrer da faixa você se pega cantarolando.

Um dos destaques do álbum fica para a faixa “The World’s Intolerable Pain” que conta com a participação da vocalista Helena Haaparanta e onde ouvimos um belo dueto. “No Absolution” é outra faixa que merece destaque, seu andamento arrastado e é uma das poucas que contém um vocal mais rasgado. Mas os destaques não ficam aí, mas para todas as nuances de vocalizações que esta faixa apresenta.

A acústica “Deeper into the Unknown” também apresenta a participação da vocalista Helena e é uma excelente música, pois é muito agradável a sua audição.

E a derradeira “My Last Words” que já pela intro de teclado, num clima bem soturno e os vocais graves entrando na sequência já dão o toque depressivo do álbum.

Agora resta-nos esperar pelo próximo lançamento da banda, para ver se estas novas influências estarão contidas nele ou se será voltado pr’aquele velho Death/Doom já conhecido. Enquanto o seu vocalista estiver novamente em tour com a Swallow the Sun num futuro próximo e eles decidirem por lançar o “Vol. 2”, certamente não ficarei chateado.

Kuolemanlaakso – M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes (Svart Records)
1. Children of the Night
2. Roll the Dice with the Devil
3. Where the River Runs Red
4. The World’s Intolerable Pain
5. She Guides Me in My Dreams
6. No Absolution
7. Deeper into the Unknown
8. My Last Words

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Sirenia – The Seventh Life Path

584_Sirenia_RGBParece que a parceria entre Morten e Aylin vem gerando bons frutos para o grupo norueguês Sirenia. O grupo parece estar amadurecendo as composições desde o álbum de estreia da vocalista Aylin, The 13th Floor que foi lançado em 2009 e tinha um foco muito mais simples e de fácil assimilação em comparação aos dois últimos álbuns do grupo, que vem mostrando composições mais bem arranjadas e um notável aumento na duração das músicas e isso é consequência de um trabalho mais bem pensado.

Sobre o álbum podemos fazer uma comparação entre os dois primeiros trabalhos com Aylin e os dois últimos e nos indagar se o Sirenia vem em progressão com composições mais bem arranjadas ou se deveriam continuar na fórmula que foi tão “grudenta” em The 13th Floor? Obviamente que não é uma pergunta fácil para se responder mas é certo que apesar de a sonoridade se apresentar de maneira sensacional não chama tanta atenção ou não passa a vontade de ouvir o álbum ou sequer uma música de maneira incessante. “Elixir”, “Sons of the North” e “The Silver Eye” que julgo ser as melhores faixas não chegam nem de perto na nostalgia de ouvir “The Path to Decay”, “Lost in Life” e “The Seventh Summer”.

Me parece que o grupo tenta buscar um meio termo entre composições mais bem produzidas/trabalhadas com uma fácil assimilação sonora que possuía nos dois primeiros álbuns com Aylin, que é tal de feeling que vem claramente faltando. Apesar da comparação negativa em relação aos antigos trabalhos não é viável ao ouvinte deixar de ouvir este trabalho que mantém o grupo entre os grandes do Symphonic/Gothic Metal e deve ser apreciado com bastante atenção até por ser um álbum de longa duração e com muitos detalhes sinfônicos.

Sirenia – The Seventh Life Path (Napalm Records)
1. Seti
2. Serpent
3. Once My Light
4. Elixir
5. Sons of the North
6. Earendel
7. Concealed Disdain
8. Insania
9. Contemptuous Quietus
10. The Silver Eye
11. Tragedienne

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Napalm Records

Resenha por: Guilherme Rocha