Hallatar – No Stars Upon The Bridge

hallatar_coverCom o fim não anunciado do projeto Trees of Eternity, por razões do falecimento da Aleah e tendo seu álbum póstumo lançado no ano passado, o incansável Juha Raivio (Swallow the Sun) dá continuidade em sua saga depressiva com este novo projeto chamado Hallatar.
Neste projeto embacaram com ele nessa viagem pelas profundezas da miséria, o versátil vocalista do Amorphis Tomi Joutsen e o baterista fundador do HIM (isso mesmo) Gas Lipstick.
O que temos aqui musicalmente falando é um álbum de Doom Metal, recheado de atmosfera, peso e tristeza, com passagens pelo Funeral Doom (coisa que Juha já havia experimentado no mais recente álbum do Swallow the Sun).
As letras do álbum são poemas que Aleah havia escrito tempos antes de seu passamento e foram reunidos por seu companheiro Juha e formaram o contexto lírico deste material.
As passagens com vozes femininas foram executadas pela bela Heike Langhans (Draconian) e apenas na última faixa que temos os vocais de Aleah.
Voltemos ao álbum, ele já abre com “Mirrors”, faixa esta que já te joga de cara no chão e vagarosamente vem passando com um rolo compressor por cima de você.
A seguinte é uma passagem chamada de “The Raven’s Song” e que serve de prelúdio para “Melt”. Esta faixa aqui, meu amigo, fica os meus parabéns pelo excelente trabalho do vocalista Tomi. O cara consegue ser sutil, brutal e melancólico em uma faixa apenas. Se este material fosse lançado como um EP e contivesse apenas esta faixa, já seria um belo investimento financeiro.
“My Mistake” vem em seguida e nela em sua maioria contém os vocais de Heike, intercalando com os de Tomi, mas nem de longe parece com as bandas de Gothic Doom que assolaram o mundo no final dos anos 90. É uma faixa densa, arrastada e com um ar bem melancólico.
Em seguida temos “Pieces” e “Severed Eyes”. Enquanto a primeira é um poema musicado, servindo de interlúdio, a Cerveró Eyes, digo “Severed Eyes” é uma faixa acústica e nela mostra mais uma vez a versatilidade de Tomi Joutsen.
Toda a beleza das duas faixas anteriores logo é esquecida após os primeiros acordes desta “The Maze”. Puta que pariu, que música desgraçada. Não há como ficar imune a densidade dela, esta é aquelas músicas que te deixa de mau humor e a medida que ela vai avançando, o estado de melancolia vai aumentando.
“Spiral Gate” é mais um interlúdio e temos a derradeira canção “Dreams Burn Down” e esta é a única faixa que contém os vocais de Aleah e apesar dos vocais pesados do Tomi, as intervenções de Aleah dão uma certa leveza, uma forma de libertação do corpo físico.
Espero que num futuro tenhamos o prazer de ter mais álbuns deles e que Juha mantenha-se inspirado à continuar a escrever belas canções.

Hallatar – No Stars Upon The Bridge (Svart Records)
1. Mirrors
2. Raven’s Song
3. Melt
4. My Mistake (with Heike Langhans)
5. Pieces
6. Severed Eyes
7. The Maze
8. Spiral Gate
9. Dreams Burn Down (with Aleah Starbridge)

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Resenha por: Rodrigo Bueno

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Solothus – No Reigns Eternal

559769Outro Death/Doom de muito respeito da Finlândia, pais que vem se mostrando um nicho muito rico no que diz respeito ao Doom, tendo em vista que além de Swallow the Sun temos outras bandas também de grande qualidade como: Kuolemanlaakso, Red Moon Architect, Black Sun Aeon e por aí vai. Solothus chega ao seu segundo full-lenght, No Reigns Eternal com um poderoso Death/Doom que vai agradar e muito aos fãs do gênero.

Em termos de composição não há muito o que se exaltar, é direto e de grosso modo só irá agradar ao fã do Death/Doom, então se você é fã de um Doom mais atmosférico ou algo nesse sentido, sinto muito mais Solothus é pura brutalidade Doom. Uma maneira mais prática de categorizar o Solothus é imaginar o sua sonoridade, os riffs principalmente, de Novembers Doom só que sem os vocais limpos e a complexidade de composição também. Inclusive se prestarmos atenção no logo da banda, capas e postura do grupo é visivel que o grupo é mais voltado ao lado Old School da veia do Doom/Death, algo como mistura entre Asphyx e Novembers Doom. A última faixa, “The Winds of Desolation”, é a melhor faixa em minha opinião, pois carrega uma densidade, peso descomunal e um riff inicial marcante.

Pra concluir, gosto sempre de chamar a atenção pra este lado mais estético como as capas dos álbuns e elogiar as capas tanto do trabalho de 2013, Summoned From The Void (o qual não tive oportunidade de ouvir ainda) e este de 2016 No Reigns Eternal, ambos carregando um ar Old School bem bacana. Álbum indispensável aos fãs de Death/Doom.

Solothus – No Reigns Eternal (Doomentia Records)
1. The Betrayer
2. No King Reigns Eternal
3. Darkest Stars Aligned
4. Malignant Cares
5. Towers in the Mist
6. The Winds of Desolation

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Resenha por: Guilherme Rocha

Kuolemanlaakso – M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes

m laakso gothic tapes coverTrabalho novo do Kuolemanlaakso pintando na área, mas não precisamente um trabalho da banda propriamente dito, mas sim lançado sob a alcunha de “M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes”. Mas antes de sua primeira ouvida, tem um aviso bem importante: Não se trata de um álbum Death/Doom já conhecido do grupo e sim um álbum “solo” de seu fundador, onde explora algumas ideias do Gothic Metal e outras influências. E o por quê disto?. Simples, o vocalista Mikko Kotamäki estará em tour com a banda Swallow the Sun por pelo menos mais um ano e então M. Laakso sentiu a necessidade de que seria a hora de explorar outras sonoridades.

Voltando a parte musical do álbum, se tu curte bandas como The 69 Eyes, Sentenced (da fase Down pra frente), Poisonblack e afins, este disco lhe será de grande agrado. Agora se tu vai na esperança de ouvir algo mais cru ou ríspido, como os trabalhos anteriores deles, a decepção será imensa.

O álbum abre com “Children of the Night” que tem uma pegada bem Gothic Metal (para não dizer feliz) e o seu refrão pegajoso e no decorrer da faixa você se pega cantarolando.

Um dos destaques do álbum fica para a faixa “The World’s Intolerable Pain” que conta com a participação da vocalista Helena Haaparanta e onde ouvimos um belo dueto. “No Absolution” é outra faixa que merece destaque, seu andamento arrastado e é uma das poucas que contém um vocal mais rasgado. Mas os destaques não ficam aí, mas para todas as nuances de vocalizações que esta faixa apresenta.

A acústica “Deeper into the Unknown” também apresenta a participação da vocalista Helena e é uma excelente música, pois é muito agradável a sua audição.

E a derradeira “My Last Words” que já pela intro de teclado, num clima bem soturno e os vocais graves entrando na sequência já dão o toque depressivo do álbum.

Agora resta-nos esperar pelo próximo lançamento da banda, para ver se estas novas influências estarão contidas nele ou se será voltado pr’aquele velho Death/Doom já conhecido. Enquanto o seu vocalista estiver novamente em tour com a Swallow the Sun num futuro próximo e eles decidirem por lançar o “Vol. 2”, certamente não ficarei chateado.

Kuolemanlaakso – M. Laakso – Vol. 1: The Gothic Tapes (Svart Records)
1. Children of the Night
2. Roll the Dice with the Devil
3. Where the River Runs Red
4. The World’s Intolerable Pain
5. She Guides Me in My Dreams
6. No Absolution
7. Deeper into the Unknown
8. My Last Words

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Wyrd – Death of the Sun

Dead228_Wyrd_Death_CDFormada por Narqath e JL Nokturnal ambos do Azaghal, originalmente sob o nome de Hellkult, o projeto se estabeleceu com o nome Wyrd. A banda faz um pagan black metal que adentra pelo folk e pelo doom metal, especialidade dos finlandeses.

Após 7 anos nas sombras, a banda trouxe meio que de surpresa o álbum Death of the Sun, bem diferente dos outros álbuns que Narqath fez praticamente sozinho.

Esse artefato traz em sua conjuntura 4 novos membros, o que certamente influenciou na sonoridade e na produção como um todo.

O álbum se inicia com a faixa homônimo “Death Of The Sun” e  apresentam guitarras bem harmonizadas, vocais impressionantes que causam uma boa impressão, do meio ao fim são apresentados  dedilhados na guitarra acústica e  finalizando a canção de forma perfeita para adentrar em “Man of Silent Waters”, que mergulha em sussurros e cantos limpos, guitarras mais frias, com poucas elevações de velocidade.

“The Sleepless and the Dead” nos leva em uma deformação do tempo e do ritmo, para uma for influência do Iron Maiden, fiquei surpreso com a semelhança. Principalmente dos vocais limpos e dos riffs empregados. O que também acontece na faixa “Inside”.

As canções seguintes retomam uma pegada mais melancólica e sombria, com múrmuros e mais dedilhados, ao som bem arrastado de “Pale Departure” e a elevação da velocidade em “The Pale Hours” é bem agradável e mais uma vez mostra o potência dessa composição bem diferenciada da banda.

A faixa de encerramento “Rust Feathers” tem riffs pesados e é impressionante a harmonia com a bateria, gostei muito da forma com que usaram os vocais limpos introduzidos no meio para o fim da canção.

É como experimentar vários sons da banda, em várias épocas, em pouco mais de 50 minutos, oferecendo algo para todos de certa forma, acredito que essa característica tenha sido não só pela nova composição da banda, mas um experimento para o renascimento mais atual dela. E se você não conhece Wyrd, esse é um ótimo álbum para se começar.

Wyrd – Death of the Sun (Moribund Records)
1. Death of the Sun
2. Man of Silent Waters
3. The Sleepless and the Dead
4. Pale Departure
5. The Pale Hours
6. Inside
7. Cursed Be the Men
8. Where Spirits Walk the Earth
9. Rust Feathers

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Resenha por: Vortane

*Premiere – Arche

O selo Third I Rex disponibilizou o vídeo da banda Arche, do álbum intitulado “Undercurrents” e que tem seu relançamento previsto para Junho deste ano.
O trio finlandês liberou em formato digital e independente em sua página do bandcamp e teve algumas cópias em versão cassete e em edição limitada.
O selo Third I Rex estará lançando sua versão em formato digipak e edição limitada. Quem adquiri-lo, também irá ganhar a versão digital para download e streaming ilimitado através de um aplicativo.
Interessados entrem contato com o selo para saber a melhor forma de aquisição.

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Asphodelus – Dying Beauty & the Silent Sky

a_lp_cover.jpgApós 3 demos e um EP lançados sob a alcunha de Cemetery Fog, estes finlandeses optaram por mudar o nome de sua banda por achar que o nome antigo não cabia mais no som em que estão executando atualmente e esta nova empreitada denomina-se Asphodelus.

Se antes aquele Doom/Death Metal com uma pegada bem Old School predominava, agora temos um lugar a mais as melodias lembrando em muito a época “podre” do Katatonia, ou seja, este material bebe muito da fonte do Dance of December Souls.

O som apresentado aqui em comparação a antiga empreitada, é muito parecido e para nós apreciadores não haveria um motivo para a tal mudança de nome, mas como apenas observamos de longe, não sabemos o que ocorre internamente além de uma vista mudança no lineup.

Este MLP 12” intitulado “Dying Beauty & the Silent Sky” contém apenas 4 sons, sendo que uma intro, duas faixas executadas integralmente e um interlúdio que leva nome do material para criar uma bela atmosfera.

Illusions of Life” tem uma pegada do ja citado Katatonia, me fazendo lembrar da excelente “In Silence Enshrined”. Andamento lento, uma guitarra fazendo a linha guia para para o restante do grupo. Para não ficar na morosidade, presenciamos algumas mudanças de andamento, deixando a faixa um pouco mais rápida e ao fundo se fazem ouvir algumas vozes femininas completando a harmonização.

Nemo Ante Mortem Beatus” segue nesta mesma pegada, ou seja, melodiosa mas ao mesmo tempo com uma crueza ímpar. Temos uma participação feminina e não apenas no coro para dar clima. Esta faixa é mais trabalhada do que a anterior devido aos elementos citados e se o próximo lançamento (full-lenght prometido para este ano) vier nessa linha, agradará em cheio não só os fãs órfãos do Katatonia do início dos anos 90, mas todo apreciador de um excelente Doom/Death Metal.

Asphodelus – Dying Beauty & the Silent Sky (Iron Bonehead)
1. Intro
2. Illusions of Life
3. Dying Beauty & the Silent Sky
4. Nemo Ante Mortem Beatus

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Swallow the Sun – Songs from the North I, II & III

635790940617727036(2)Desde que foi anunciado que o Swallow the Sun estava preparando um álbum novo, algumas perguntas pairavam no ar. Seriam eles capazes de fazer um álbum tão bom quanto o seu anterior?
Aí quando foi revelado que seria um álbum triplo, este escriba logo indagou-se: O que será que iremos ouvir neste disco? Terial alguma sonoridade diferente, talvez floydiana ou apenas uma depressão sem fim?
Passada a primeira audição, podemos separar os 3 discos como álbuns individuais e serem digeridos de acordo com o seu humor. Nada os impede de ouvi-los todos de forma aleatória ou em sequência. Mas o primeiro disco é como se fosse a continuação do seu álbum anterior, ou podemos escrever assim, temos o que de melhor esses finlandeses sabem fazer: Melodic Doom/Death Metal.
Assim que o primeiro lyric video foi lançado, a música “Heartstrings Shattering” acabou por nos trazer tranquilidade e nos certificar que a sonoridade deles continuava intacta. Deste primeiro disco podemos
destacar também “10 Silver Bullets”, “Rooms and Shadows”, “Lost & Catatonic” e seu refrão grudento e para finalizar a primeira hora “From Happiness to Dust”.
A surpresa veio ao ouvir o segundo disco, pois não era algo que eu esperava, poder curtir as belas melodias de uma forma mais intimista, ao som de violão aliados a sua atmosfera musical.
Após a primeira faixa, instrumental chamada de “The Womb of Winter” e sendo logo pego por “The Heart of a Cold White Land”. Tá certo que o que ouvimos aqui não é nenhuma novidade, visto que o Katatonia já havia feito isso em seu “Dethroned and Uncrowned”, mas ao contrario dos suecos, estas faixas contidas neste disco são todas inéditas.
A ideia/sentimento é o mesmo, músicas melodiosas com uma carga emocional muito intensa e seu clima melancólico/deprê toma conta até seu último acorde.
Os vocais de Mikko Kotamäki estão melhores a cada disco e aqui ele dá uma aula de interpretação, assim como o inspiradíssimo guitarrista Juha Raivio e suas belas composições.
Destaques para este segundo ato: “Pray for the Winds to Come”, “Songs from the North”, “Before the Summer Dies”.
O terceiro disco é outra obra-prima, por assim dizer, pois nos apresenta uma nova faceta desta banda finlandesa e assim como muitos de seus conterrâneos, parecem ter em seu DNA os genes do Funeral Doom.
Neste álbum a atmosfera é muito mais densa, pesada e moribunda e isto podemos sentir logo na faixa de abertura “The Gathering of Black Moths”. O clima sorumbático tem sequência em “7 Hours Later” e “Empires of Loneliness”.
“Abandoned by the Light” já era uma música conhecida visto que foi a terceira faixa a ganhar um lyric video e para encerrar este opus magnum “The Clouds Prepare for Battle”.
Após 3 anos de espera desde o seu último trabalho, não me surpreenderei se tivermos que esperar pelo menos uns 5 anos até o seu próximo lançamento. Até lá temos esta obra indefectível do doom metal para devorarmos.

Swallow the Sun – Songs from the North I, II & III (Century Media)
I

1. With You Came the Whole of the World’s Tears
2. 10 Silver Bullets
3. Rooms and Shadows
4. Heartstrings Shattering
5. Silhouettes
6. The Memory of Light
7. Lost & Catatonic
8. From Happiness to Dust

II

1. The Womb of Winter
2. The Heart of a Cold White Land
3. Away
4. Pray for the Winds to Come
5. Songs from the North
6. 66°50´N,28°40´E
7. Autumn Fire
8. Before the Summer Dies

III

1. The Gathering of Black Moths
2. 7 Hours Late
3. Empires of Loneliness
4. Abandoned by the Light
5. The Clouds Prepare for Battle

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Resenha por: Rodrigo Bueno