Entrevista: Doomsday Fest (Qerberos, Contempty, Saturndust, Abske Fides)

Prestes a acontecer a segunda edição do Doomsday Fest, o idealizador Rafael Sade fez uma pocket entrevista com as bandas participantes, para saber delas o que pensam à respeito do fest, da cena Doom Metal no Brasil e o que os apreciadores do estilo poderão esperar das bandas nesse dia 26/10 que se aproxima.


1- O Doomsday Fest chega a sua segunda edição, após a primeira edição ser muito bem aceita pela crítica/público. O que esperam desta edição?

Nihil (Abske Fides): A primeira edição do Doomsday Fest ajudou a preencher uma grande lacuna de eventos específicos voltados para o Doom Metal em São Paulo. Esperamos que a sua segunda edição tenha tanto sucesso quanto a primeira e consolide o evento na agenda anual da cidade.

 

Anderson (Comtempty): Que a galera compareça e de força ao evento, e que todos em comum possam desfrutar de um evento incrível como este, totalmente voltado ao Doom. 

 

Felipe Dalam (Saturndust): É interessante participar novamente do festival, da outra vez tocamos como duo e ainda sim foi muito gratificante.

 

Felipe Nascimento (Qerbero): O Doomsday é um festival precedido pela sua reputação.

O Qerbero fica muito honrado por ter sido convidado para participar. Achamos que é um patamar acima da nossa história no sentido de organização e produção.

E é bem legal poder tocar para um público que não é exatamente no círculo com qual estamos habituados.

 

 

2 – O número de bandas e público do estilo tem crescido consideravelmente durante os anos. Qual seria o motivo?

Nihil: Atualmente existe um certo movimento “retrô” no Heavy Metal que se mistura facilmente com propostas mais modernas. A internet tem dado conta de concentrar toda essa diversidade e fazer o casamento entre o velho e o novo. Com o Doom Metal isso não é diferente, pois o estilo tem atraído fãs de diversos backgrounds e um público novo acostumado com diversas referências. Isso se manifesta pela grande quantidade de sub-gêneros como stoner, sludge, funeral, folk, drone, etc.

 

Anderson: Acredito que blogs e redes sociais são bastante responsáveis por tal crescimento.

Para quem faz músicas do estilo, a obra criada representa mais que somente notas musicais em harmonia, mas uma maneira de se expressar sentimentalmente.

 

Felipe D. : Acredito que as bandas do festival sejam de estilos bem variados na verdade, principalmente a nossa.

 

Felipe N. :  Difícil responder decentemente. Provavelmente porque com a Internet e a facilidade de se obter informações de qualquer tipo facilite também a descoberta de estilos musicais subvalorizados ou meio esquecidos em diferentes contextos.

Podemos dizer que temos mais ou menos a mesma proposta musical desde 2008 ou 2009, muito antes do doom ser mais aceito como hoje, tendo em vista, obviamente, o contexto que temos a oportunidade de participar que são rolês mais ligados ao punk. Hoje a coisa tá tão desenvolvida nesse meio que não é mais surpreendente podermos compartilhar um evento inteiro com bandas lentas ou com temáticas semelhantes. A 5, 6 anos atrás era muito difícil disso acontecer.

 

 

3 – Vocês notam o retorno do público nos shows e na procura por merchandise ?

Nihil: Sim. Além da presença nos shows e nas redes sociais, também temos alguns CDs e camisetas sendo vendidas.

 

Anderson: Sim, certamente. As pessoas que curtem, voltam e procuram material da banda

 

Felipe D. : Por conta do certo hype do stoner/doom/afins aqui no Brasil, sim, por sorte somos considerados de uma forma até um exemplo do que vem acontecendo. O feedback tem sido bom, mas preferimos nos focar no som e não em um rótulo como certas bandas que estamos vendo surgir.

 

Felipe N. : Ah sim. A procura é absurda, nós que ficamos devendo um pouco porque não temos materiais bons o suficiente pra colocar na roda.

Somos notadamente uma banda problemática quanto à continuidade, sempre estamos um pouco atrasadoos em comparação a outras bandas que admiramos e temos notícias. Mas pelo menos umas camisetas vão rolar nesse show!

 

 

4 – O que o público pode esperar de vocês neste festival?

Nihil: O de sempre: peso, lentidão e más energias.

 

Anderson: Esperem um show memorável, para que possamos somar forças em prol do Doom Metal.

 

Felipe D. : Preferimos não deixar pistas, mas é bem possível que toquemos o novo full-lenght na íntegra!

 

Felipe N. : Mais uma tentativa honesta de firmar a banda, com uma proposta musical que vai ser passada com qualidade já que rolará uma estrutura bacana. Somos muito gratos por isso.

Podem esperar aplicação e honestidade.

 

Serviço:
doomsssLast Time Produções orgulhosamente apresenta:

 

DOOMSDAY FEST – 2º EDIÇÃO

O FESTIVAL 100% DOOM METAL DO BRASIL!

 

com as bandas:

Abske Fides (SP) – Funeral Death/Doom
Qerbero (SP) – Sludge/Doom
Saturndust (SP) – Stoner/Doom
Contempty (Rio Pomba – MG) – Death/Doom

 

MORFEUS CLUB
Rua Ana Cintra, 110 – Ao lado do metrô Sta Cecília

Entrada – R$15

 

PROMOÇÕES:

Email: listaslasttime@gmail.com (com o assunto INGRESSO DOOMSDAY para ingresso antecipado ou DOOMSDAY FEST para os sorteios)

Clique no link, curta a página da Last Time Produções, curta e compartilhe o flyer do festival, e concorra a 2 entradas VIP :https://www.facebook.com/lasttimeproducoes/photos/a.393925977369908.87713.393917770704062/664745863621250/?type=1&theater

Entrevista: Bell Witch

Conversamos recentemente com o baterista dessa banda, que nos deu maiores informações sobre esse duo, que nos brinda com um Doom Metal arrastado e sombrio. Falamos também sobre a cena Doom em Seattle, morte e os polêmicos downloads ilegais. Vamos conferir.

 

1. A Bell Witch é um banda relativamente nova. Fale-nos um pouco sobre o conceito da banda, os primeiros ensaios, até a gravação da primeira demo.

1396680_10200937729951004_1623391122_nAdrian Guerra – Nós começamos este projeto pensando em fazer apenas um show. Um amigo próximo pediu pra nossa antiga banda, Lethe, tocar, mas nós não pudemos. Nosso guitarrista tinha saído da banda. Então nos perguntaram se só os outros dois que sobraram podiam tocar. Nós aceitamos o desafio e começamos a ensaiar uma semana antes do nosso primeiro show. Repito, era pra ser apenas um único show. A gente não ia levar o projeto adiante, mas pareceu certo, depois de tocar, que precisávamos continuar. Ou escolhemos continuar, aliás. Dylan e eu queríamos fazer uma música mais pesada e dark, já que o Lethe era uma banda sludge/stoner rock/psicodélica instrumental. Nós dois sempre estivemos inseridos na cena doom aqui nos Estados Unidos com nossas bandas mais antigas e amamos o gênero.

Então, depois daquele primeiro show, nós começamos a ensaiar freneticamente e começamos a escrever nossa demo e outras músicas que acabaram entrando no álbum. Nós fizemos shows locais aqui no Noroeste Pacífico (Seattle/Portland) recebendo um bom feedback. O “Demo 2011” foi gravado em Julho de 2011 em 3 dias com nosso parceiro Brandon Fitzsimons. O Brandon também trabalhou com todas as nossas bandas anteriores e gravou quase tudo que eu fiz no passado com outros grandes artistas. Assim que recebemos nossa “Demo 2011” pelo correio, corremos pra van para nossa primeira Tour na Costa Oeste em 2011. 

 

 

2. Depois do lançamento da demo e de algumas reviews positivas, como foi o processo de composição para o álbum “Longing”?

Adrian Guerra – Antes de gravarmos a demo, nós tínhamos ideias de como queríamos que o álbum fosse. Quer dizer, nós já tínhamos escrito “Rows (Of Endless Waves)” antes de gravarmos a demo e foi uma das nossas primeiras músicas, só que sem letra. Nosso processo de composição pro “Losing” foi praticar e não ter medo de escrever a música que escrevemos. O Dylan vem com uma linha de baixo, a gente conversa sobre ela. Eu toco todos os tipos de batidas na bateria, mas você precisa ter aquela “certa”. Particularmente, eu gosto de ser minimalista quando necessário. Nunca tire nada do riff que precisa ser ouvido para a música fluir.

 

3. O “Longing” foi lançado há apenas um ano. Como foi o feedback?

Adrian Guerra O feedback tem sido ótimo.

 

1415663_10200937729991005_1088079869_n4. Como surgiu a ideia de fazer uma banda apenas como um duo, sem guitarra, apenas com baixo e bateria? 

Adrian Guerra – Depois que a gente escreveu as músicas pra demo, nós tentamos achar outros membros. Um vocalista e um guitarrista. Nós tínhamos algumas ideias sobre o que queríamos. Ambos os vocalistas e o guitarrista furaram. Depois que nós dois começamos a cantar, decidimos fazer nós mesmos. Membros a mais provavelmente trariam apenas mais dificuldades. O Dylan e eu sabemos exatamente o que nós queremos dessa banda. E nós sempre seremos uma banda de doom de dois integrantes.  

 

5. Eu sei que é cedo pra isso, mas existe previsão para um novo álbum em breve? O que você pode adiantar?

Adrian Guerra – Nós já começamos a escrever nosso segundo álbum. Vai soar como Bell Witch. 

 

6. Como fazer um som tão niilista num lugar conhecido como a terra do grunge?

Adrian Guerra – Eu gosto de alguma coisa de grunge, já que cresci aqui em Washington. Mas era tudo grunge mesmo? Quero dizer, a gente tinha Melvins, Burning Witch e Thorr’s Hammer.

 

7. Vocês conseguem criar uma massa sonora bem interessante. Misturar sludge, drone, funeral doom e ainda soar harmonicamente melódico graças às linhas de baixo do Dylan Desmond. Explique-nos como funciona essa fusão.

Adrian Guerra – O Dylan Desmond é um mago da porra. Nós dois passamos por dificuldades na vida e queremos retratar as emoções mais tristes que as pessoas geralmente escondem. 

 

8. Algumas linhas vocais são “Organum”, dando um belo tom funeral a algumas passagens. Como surgiu a ideia de adicioná-las ao som do Bell Witch?

Adrian Guerra – Ter mais dinâmicas é melhor para as músicas que escrevemos. Os cânticos harmônicos trazem uma vibe mais funeral, assim como os gritos e grunhidos têm uma vibe mais suicida.

 

1393037_10200937730031006_848134661_n9. Como a ideia de usar o samper de “The Masque of the Read Death” na faixa “Beneath the Mask” surgiu?

Adrian Guerra – Eu sou um fã de filmes de terror e “The Masque of the Red Death” é um dos meus filmes preferidos. Além disso, o filme conta com o magnífico Vincent Price! Eu estava assistindo o filme e a ideia simplesmente surgiu. Como uma lâmpada de ideia acendendo. “Beneath the Mask” é a introdução para “I Wait”, que tem uma mensagem parecida.

 

10. Qual a sua playlist atual?

Adrian Guerra – Estes são alguns discos que eu tenho ouvido ultimamente. É bem difícil pra mim encontrar novos artistas pra fazer uma jam.

 

Lycus – Tempest

Chelsea Wolf – Pain Is Beauty

Worship – Doom

Hell – III

Profetus – …To Open The Passages In Tusk

Shadow Of The Torturer – Dronestown

Megadeth – Rust In Peace

Ataraxie – L’Etre La Nausee

Procession – To Reap Heavens Apart

 

 

11. Como é a cena doom em Seattle? E que nova banda você recomenda?

Adrian Guerra – No momento, quase não existem bandas de doom. Atualmente, temos apenas Anhedonist, Samothrace, Shadow of the Torturer e a gente. Outros provavelmente vão se considerar bandas de doom, mas eu penso diferente. E a cena doom não é tão grande quanto algumas pessoas podem dizer. É uma cena pequena. Todos nós nos vemos nos mesmos shows e é isso que torna nossa cena especial. 

 

12. Para alguns, a morte é o fim; para outros, é o começo. Qual a sua relação com a morte?

Adrian Guerra – Eu abraçarei a morte quando a hora chegar.

 

13. Para finalizar, gostaria de saber sua opinião sobre os “downloads ilegais”. Na sua opinião, o download grátis ajuda ou atrapalha?

Adrian Guerra – Eu acredito que você deveria poder fazer o download se precisasse ou pra fazer uma review. Eu gosto de espalhar nossa música para as massas. E os verdadeiros fãs de música e os colecionadores vão sempre achar um jeito de comprar o disco e apoiar a banda se eles realmente se importam. 

 

14. Adrian, obrigado pela entrevista. Deixo este espaço aberto para sua última mensagem. 

Adrian Guerra – Obrigado, Rodrigo, pela entrevista. E obrigado a todos que tiraram um tempo para ouvir a Bell Witch. Nós estabelecemos metas para os próximos meses, então fiquem ligados e “stay DOOMED”. 

 

Saudações,

Adrian Guerra

Entrevista: Riccardo Veronese (Aphonic Threnody/Dea Marica/Gallow God)

Conversamos recentemente com o guitarrista Riccardo Veronese, que é um dos nome mais atuantes dentro do cenário doom, pois toca em apenas 3 bandas. Uma delas podemos chamar de um super grupo doom que é o Aphonic Threnody que reúne membros do Urna, Gallow God, Pantheist e Leecher.
Nessa conversa ele nos contou mais sobre suas bandas, download ilegal, seu estado de saúde e mais…
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1. Olá, Riccardo, como você está se sentindo depois daquele seu pequeno problema de saúde?

Riccardo Veronese – Oi, Rodrigo. Eu estou bem melhor agora, obrigado. Foram alguns meses difíceis e só agora estou voltando à minha rotina normal.

 

2. Você aproveitou pra compor durante esse tempo em casa?

Riccardo Veronese – Eu não fiz nada relacionado a música por cerca de um mês, mas nos últimos meses estive ocupando escrevendo material novo. De um modo geral, até que escrevi bastante música.

 

Rick Polar copy3. Para os leitores que não conhecem sua banda Gallow God, poderia fazer uma biografia resumida?

Riccardo Veronese – O Gallow God começou há alguns anos, em 2004. Eu e o Dan começamos a trabalhar juntos num projeto de Doom Metal usando o nome Celephais, com a intenção de não ser nada além de um projeto de estúdio que lançaríamos se o resultado acabasse sendo bom. Quando estávamos terminando de gravar o EP, decidimos expandir o projeto numa banda completa e trouxemos Jim Panlilio para a bateria e Martin Singleton para o baixo. A mudança de nome de Celephais para Gallow God foi feita no início de 2010. Martin deixou a banda, então eu e Dan voltamos a trabalhar só nos dois no álbum The Veneration of Serpants e o completamos em 2012. Então nós trouxemos o Mitch como baixista e o Cris, da minha outra banda, Dea Marica, para a bateria.

 

 

4. Em que pé está o Gallow God? Vocês lançaram o Veneration of the Seraents em abril, como foi a recepção?

Riccardo Veronese – A recepção foi ok, mas o álbum não deslanchou como eu imaginei que iria. Isso se deve parcialmente a sua fraca divulgação e a falta de um contrato.

As pessoas esperaram muito tempo por este álbum e, quando nós terminamos, ainda demorou cinco meses até ele ser lançado, então acredito que muito do interesse desapareceu.

 

 

5. Houve uma mudança no lineup desde o EP False Mystical Prose para este novo CD. Ouvindo o disco, não parece que estes membros foram substituídos, devido ao entrosamento da banda. Como está a situação atual?

Riccardo Veronese – Pra ser honesto, eu e o Dan tocamos tudo no EP False Mystical Prose e no The Veneration of Serpants. O Mitch tocou baixo no The Circle, pro qual o Dan já tinha escrito as linhas de baixo e o Jim e nosso ex-baterista adicionaram algumas partes em algumas faixas. Então não tivemos muita contribuição dos outros membros.

 

 

6. Neste meio tempo, você lançou um projeto chamado Dea Marica junto com Roberto Mura, do Urna. Como surgiu a ideia para este projeto?

Riccardo Veronese – Eu estava esperando o Dan acabar as partes dele, já que ele tinha muita bateria e guitarra pra gravar, então decidi fazer outro projeto, já que tinha muito material que não ia usar no Gallow God. O Roberto me contatou e nós começamos o projeto Dea Marica.

 

 

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7. No EP “The Ritual of the Banished”, comparando com este novo material, nós notamos uma grande evolução nos vocais do Roberto. Neste material, você puderam explorar mais a fundo esta linha que falhou no EP?

Riccardo Veronese – Eu acho que no novo álbum nós tivemos uma estrutura melhor e o Roberto teve mais liberdade para se expressar. Eu escrevi tudo para Ritual e foi legal deixar o Roberto fazer a magia dele e se soltar neste álbum, o que ele fez com muito sucesso. O feedback tem sido ótimo.

 

8. O album The Curse of the Haunted Album foi lançado recentemente, mas o áudio já estava disponível na página deles no bandcamp. Como foi a recepção deste material?

Riccardo Veronese – Foi muito positiva e nós assinamos logo em seguida com a Weird Truth Productions, então estamos muito felizes com o resultado. As pessoas estão começando a ver do que realmente se trata a nossa música.

 

9. Não contente com todas essas bandas, você atualmente faz parte do projeto Aphonic Threnody, que inclui outros membros de bandas conhecidas do cenário Doom. Como surgiu a ideia deste projeto?

Riccardo Veronese – Eu e o Roberto estávamos de boa um dia e eu disse “vamos fazer um projeto de Funeral Doom”. Ele riu, mas logo percebeu que eu estava falando sério.

Nós começamos a trabalhar bem rápido nele, a ideia da banda e o conceito foram feitos em alguns dias. Eu nunca tinha feito este estilo de música e é uma nova área fantástica que posso explorar.

 

aphonic threnody10. O CD vai ser lançado pela Weird Truth Production no Japão e o vinil pela Avantgarde Prod. Existe uma pequena diferença na capa dos dois discos. Foi algo pré-determinado ou simplesmente aconteceu?

Riccardo Veronese – Ok. O Dea Marica está sendo lançado pela Weird Truth Production apenas em CD e download via bandcamp. O Aphonic Threnody está sendo lançado em CD pela Avantgarde Music e o vinil pela Terror From Hell Records. A mudança nas capas é pra Aphonic Threnody. O Roberto deu a ideia de trocar as capas, o tipo de ideia em que ele é ótimo em ter.

 

 

11. Vocês já tem um terceiro álbum pronto, o que podemos esperar dos próximos lançamentos?

Riccardo Veronese – Eu comecei o trabalho no terceiro álbum do Dea Marica e temos umas quatro músicas no momento. Nós também vamos remasterizar três faixas do Ritual EP como um bônus com a participação de convidados.
Em relação ao Aphonic Threnody, nós praticamente terminamos o segundo álbum. Só precisa de mais uns instrumentos e vai estar pronto. Deve sair no ano que vem. Nós também temos o Greg do Esoteric numa faixa e o Mike do Loss também. Eu também tenho cinco faixas prontas para o terceiro álbum do Aphonic.

 

12. Mudando de assunto, a respeito dos downloads grátis, qual a sua opinião?

Riccardo Veronese – Sou bem de boa quanto a isso, pois, uma vez que sua música está nas ruas, as pessoas vão passá-las pro computador de qualquer jeito e não tem muito que você possa fazer quanto a isso. O lado positivo é que mais pessoas vão poder ouvir sua música.

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13. Um tema que costumo abordar nas minhas perguntas é a morte. Qual é a sua relação com o além-túmulo?

Riccardo Veronese – Eu penso bastante na morte. Eu sempre tive esse lado, o lado depressivo, e passei por muita dor e dificuldade na minha vida, então é por isso que eu gosto de compor músicas sombrias. Eu não acho que seja algo ruim. Não há nada de errado com a morte. É uma parte da vida, então por que não aceitá-la e tornar todo mundo mais miserável através da música?

 

14. O que você ouve hoje em dia? Qual o seu playlist atual?

Riccardo Veronese – Eu tenho ouvido o novo projeto do URNA, que estou adorando. Não foi lançado ainda, mas o Roberto gravou os vocais comigo, então preparem-se para este álbum. Também tenho ouvido Ataraxie e Before the Rain.

 

15. Riccardo, obrigado pela entrevista.

Riccardo Veronese – Como sempre, foi um prazer, meu chapa.

Entrevista: Lugubres

Há algum tempo atrás, eu tinha adicionado na minha lista de amigos no facebook uma pessoa sonhadora e batalhadora dentro do cenário Doom brasileiro. Tive entre algumas conversas, um questionamento sobre pessoas que poderiam integrar o seu projeto. Muitas coisas se passaram de uns dois anos pra cá e isso está relatado nessa entrevista que vem a seguir, com o guerreiro Robson.

 

1. E aí Robson, tudo beleza? Eis que finalmente conseguimos realizar uma entrevista contigo.

Robson: Realmente, Rodrigo, faz tempo que falamos sobre isso, pra mim é um imenso prazer.

 

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2. O embrião da Lúgubres foi formado no Maranhão, em 2006. Conte-nos mais sobre os primeiros passos.

Robson: Então, tudo começou na verdade com a banda Sea Of Sorrows, formada em 2002, a banda se apresentou algumas vezes no underground de São Luis, mas as constantes mudanças, principalmente de baterista (kkkkk), fizeram a banda parar. Os membros que continuaram juntos formaram o que viria a ser a Lugubres Memorias em 2006 e chegamos  a gravar uma demo que não pode ser lançada na época. Por motivos pessoais eu acabei me mudando pra São Paulo e recomecei tudo aqui, trouxe todo o material que eu tinha composto e mudei para um nome mais curto e direto: Lugubres.

 

 

3. Após sua mudança para São Paulo, qual foi a maior dificuldade encontrada para colocar em prática esse seu projeto?

Robson: O de sempre, baterista (kkkkkkk). A primeira formação aqui em São Paulo contava comigo na guitarra, Lucas Medeiros (Pile of Corpse) na outra guitarra, Paullus (Morcrof) baixo e voz e Anders Andlung na bateria. Essa formação durou pouco, o Paullus  retomou  com bastante gás os trabalhos na Morcrof o que acabou consumindo muito tempo dele e ele teve que sair, o Anders mudou de cidade e ficou difícil de se locomover pra São Paulo e acabou saindo também. Por fim o Lucas se mudou pro Mato Grosso, e lá estava eu de novo atrás de uma formação. Por conselho de muita gente (inclusive seu rsrsrs) eu resolvi gravar o material sozinho mesmo, com a ajuda de Nilo Neto (produtor das músicas da Lugubres no split lançado com a Les Mémoires Fall).

 

4. Como surgiu a idéia para o split com a Les Mémoires Fall?

Robson: O Emerson tinha acabado de gravar uma música da Les Mémoires Fall, aliás a minha favorita deles, e eu estava concluindo a da Lugubres, então conversamos e surgiu a ideia muito naturalmente. Foi muito legal todo o processo porque acabou botando as duas bandas pra trabalhar mais , gravando as outras musicas pra compor o split. Eu e o Emerson nunca tínhamos nos encontrado antes e todo processo rolou via internet e telefone mesmo, mas foi fantástico o envolvimento de ambas as partes. Acho que a sinceridade, a honestidade e uma forte vontade de contribuir com a cena doom foi o que mais nos moveu naquele momento. Fiquei muito feliz com o resultado de tudo, tenho muito orgulho de tudo que foi conseguido e te garanto não foi nada fácil. Foram meses difíceis, de uma correria intensas das duas bandas, mas o resultado final me deixou muito orgulhoso e muito feliz.

 

 

1081881_4763462904859_1071505736_n5. Após pouco tempo com a line-up estabilizada, vocês tiveram a primeira baixa, com a saída do tecladista/violinista Italo Martínez. Lembro que foi um pouco conturbada. Conte-nos mais a respeito.

Robson: Foi um desastre. Acreditamos muito no Italo no começo, dávamos muito crédito para ele e isso talvez tenha sido o erro. Ele nos decepcionou muito e tentou inclusive ficar com o nome da banda pra ele, foi graças ao Gerisson (então baixista da banda) e ao Leandro (baterista) que tiveram uma postura muito coerente e forte nesse momento, que se posicionaram contra ele. Mas não foi fácil pra ninguém pois todos nós nos sentimos traídos.

 

 

6. Pouco tempo após esse turbilhão que pairou sobre a Lúgubres, eis que você anuncia a sua saída da banda. O que realmente aconteceu?

Robson: Na verdade eu fiquei muito chateado com alguns posicionamentos internos e realmente pensei em parar de tocar, não só na Lugubres mas desistir de vez desse lance de música, mas acabei encontrando gente que me apoiou muito e que conhece toda a minha luta em relação a Lugubres e me disseram que eu não podia desistir, que eu não podia abandonar tudo assim. Pessoas como o Edson (Crimson Down Project), o Emerson (Les Memoires Fall) e eu e você também conversamos sobre isso. Somando a isso, o próprio Gerisson e o Leandro fizeram questão de deixar claro que a Lugubres sou eu e que não faria sentido eles continuarem sem mim e que eles também não continuariam, então eu mudei de ideia e resolvi continuar e retomar o trabalho com a banda. Fui muito criticado em ter divulgado pela internet essas coisas Rodrigo, isso faz parte da própria proposta da banda, ter essa relação de contato imediato com o público e ser muito sincero. Ainda receberei muitas criticas a esse respeito, mas é assim que eu lido com as coisas, prestando contas com o publico, pois tenho total consciência que não existe a Lugubres sem o seu público.

 

 

7. Vi que você anunciou a entrada de um novo baixista para a Lúgubres. Como se encontra a atual situação da banda?

Robson: Verdade, o Joey Fernandez, um cara sensacional, que muito tem me ajudado nessa reerguida da Lugubres. Eu já havia tocado com o Joey em um outro projeto e fiquei muito impressionado  com a  energia e a técnica dele, então foi a primeira ideia que me passou pela cabeça na hora de reformular a Lugubres foi chamá-lo. Foi o Joey que me apresentou o Del Vieira que é o atual guitarrista. Eu também já havia tocado com o Charles Matheus (baterista), mas foi o Joey quem conversou com ele e o convenceu a tocar com a Lugubres.

 

 

1148272_4763468745005_403448418_n8. Há previsão para um full-lenght para breve?

Robson: Sim, sim, já andei conversando com o mesmo produtor da Lugubres no split  (Nilo Neto) sobre isso e provavelmente à partir do próximo ano, voltaremos pra estúdio e continuaremos as gravações que devem gerar o full-lenght, acho que no segundo semestre de 2014 conseguiremos lançar um álbum.

 

9. Você atualmente têm se dedicado ao um outro projeto Aquenamon? O que pode nos adiantar?

Robson: A Aquenamon é um proposta diferente da Lugubres, eu tenho várias músicas em uma proposta que não encaixariam na Lugubres, soam algo mais folk, ainda doom, mas mais folk. Também estou começando um projeto bem funeral/death doom chamado Dying Poem com o Marcello Markes, acho que em 2014 todos esses projetos estarão na ativa.

 

10. Obrigado Robson pela entrevista e deixo o espaço livre para suas últimas considerações.

Robson: Obrigado Rodrigo, agradeço o espaço e espero todos no Doomsday Festival. Stay doomed forever.

 

Entrevista: Loss

Ao começar esse prefácio, estive lembrando desde a primeira vez que ouvi essa banda, lá pelos idos de 2004. E para mim essa entrevista teve um gosto especial, foi uma satisfação pessoal poder questionar sobre a banda e projetos paralelos, ideias futuras e conhecer um pouco mais o submundo do Loss.

 

Mikelossmay201. Despond, o album foi lançado há mais de um ano. Como tem sido o feedback?

M. Meacham – O feedback tem sido muito positivo. Parece que a banda ganhou muito reconhecimento desde o lançamento do álbum e a Profound Lore fez um trabalho fantástico nos ajudando a crescer.

 

2. A música “Cut up, Depressed and Alone” tem uma letra bem depressiva e é impossível não se imaginar nela. De onde veio a ideia para escrevê-la?

M. Meacham –  Essa música foi diretamente influenciada pelas minhas lutas constantes contra a depressão severa, a ansiedade, a automutilação e a autodepreciação. A letra é bem direta e eu vivi cada segundo dela. Sem esperança. Cortar sua pele apenas pra ver se você consegue sentir algo através da apatia. Desistir.

 

3. Eu lembro de conhecer a Loss por volta de 2004, através do mIRC (#doom-mp3). Qual a sua relação com a internet e downloads grátis?

M. Meacham –  Eu acho que todo mundo tem uma relação com a internet nos dias de hoje. Eu uso todos os dias para trabalhar, networking e comunicação. Downloads grátis sempre vão acontecer, mas eu acho que os verdadeiros amantes da música vão sempre procurar ou comprar/apoiar artistas que realmente se esforçam para criar trabalhos com convicção, que não soem artificiais.

m_Loss052011_0164. A capa do album é mais “dark” que chocante comparada a da demo. Quem sugeriu o conceito desta arte ou o artista teve liberdade para criar?

M. Meacham – Nós surgimos com vários conceitos para várias partes e Richard Friend, este artista fantástico que trabalhou com a gente, meio que desenhou suas próprias ideias a partir das músicas e nossos conceitos, mas para a capa em particular… nosso baixista, John Anderson, veio com a ideia de um corpo sem vida, sem sexo ou expressão num cenário funéreo… é bastante belo, eu acho.

 

5. No ano passado, foi lançado um “split-live” via Scion Audio Visual com algumas faixas ao vivo de bandas como Pallbearer, YOB, Atlhas Moth, além de vocês. Vocês já pensaram em lançar um DVD com algumas apresentações ou é algo fora de cogitação?

M. Meacham – Talvez no futuro, mas nada para o momento.

 

m_Loss052011_0356. Há previsão de um novo álbum do Loss?

M. Meacham – Estamos nos estágios iniciais de escrever nosso segundo álbum no momento que estou te respondendo. Nós também estamos completando as faixas para dois split’s diferentes. Um com Graves At Sea e outro com Hooded Menace.

 

7. No debut, haviam duas faixas demo e a música gravada com o Worship. Para o próximo álbum, vocês têm a intenção de dar uma nova roupagem a alguma música que já apareceu em outro disco?

M. Meacham – Não. O próximo álbum do Loss vai ser feito 100% com material novo.

8001095772_c3ddff6300_o8. Para algumas pessoas, a morte é o final de tudo; para outras, é o começo. Qual a sua relação com a morte?

M. Meacham – A morte é perfeita… instantânea e para sempre. A morte é o cenário perfeito para a meditação final.

 

9. Você tem um projeto tão devastador quanto a sua banda. Qual é a situação atual do Mourner?

M. Meacham –  Infelizmente, o Mourner acabou… eu realmente gostei de tocar naquela banda e todos nós continuamos bons amigos. Todos os membros tem calendários que não são compatíveis uns com os outros e alguns membros tem compromissos pessoais demais. Estou orgulhoso do que gravamos, etc. Outra sessão para compor/gravar nunca está fora de cogitação… eu tenho alguns outros projetos musicais rolando… Recluse (com Phillip Cobalt), Hollow Serpent Tooth (com o Jake do Mourner) e o Rituaal (também com o Jake e com o Justin da Father Befouled Encoffination). A Rituaal tem um 7” que vai ser lançado a qualquer momento pela Parasitic Records.

 

10. Recentemente foi lançada uma página no Bandcamp com duas músicas para um novo projeto que você participa junto com J. Stubbs (Encoffination) e J. Rothlisberger (Mourner). Como surgiu a ideia para este projeto?

M. Meacham – Nós queríamos criar algo vil e extremamente black e bizarro. O resultado final é a Rituaal. Nós nos conhecemos e trabalhamos em diversos estilos por muito tempo e decidimos fazer a Rituaal juntos. O plano é sempre escrever e gravar material suficiente para um 7” durante o período de três dias ou menos. Completamente terminado e gravado num curto período de tempo, demorando mais só com os conceitos e letras/conteúdo. Estou muito orgulhoso desta facada estranha de Black Metal que nós criamos. Planejamos fazer nossa segunda sessão muito em breve.

 

39528_166806283329651_6386032_n11. Os temas das letras da Rituaal são bem diferentes dos assuntos das outras bandas. Fale-nos mais sobre eles.

M. Meacham – A Rituaal é baseada no satanismo antigo/tradicional/medieval, em práticas ocultas e bruxaria. Eu trabalhei muito nas minhas letras, assim como o Justin. Nos dois escrevemos umas música musicalmente e depois a letra, para encaixar. Os temas deste primeiro 7” são baseados em antigas práticas de bruxaria e rituais sabáticos… projeções astrais através da meditação e o consumo de venenos naturais com o objetivo de se tornar mais próximo do diabo.

 

 

12. Você gravou os vocais para uma faixa de um CD que será lançado pela banda Aphonic Threnody. O que você pode nos dizer sobre essa música?

M. Meacham – Sim, é algo no qual me pediram pra participar e a música é forte, então eu concordei… eu não conheço muito sobre a banda ou seus integrantes, apenas sei que são muito dedicados…. vamos ver como ela vai se sair.

 

13. Obrigado pela entrevista. Alguma consideração final?

M. Meacham – O Loss está ocupado escrevendo seu próximo funeral opus, que mais uma vez será lançado pela Profound Lore. O trabalho com a Hooded Menace será lançado pela Doomentia e o com a Graves At Sea pela Gilead Media. Fiquem atentos… para novidades, etc. e para comprar música e merchandise, por favor visitem www.LossDoom.com . Contatem-nos pelo lossdoom@gmail.com ou mande qualquer ameaça de morte, calcinhas sujas, lâminas enferrujadas, drogas ou correspondência para:

 

Loss

P.O. Box 681924

Franklin, TN 37068

USA

 

Obrigado pela entrevista e saudações, Rodrigo… nós saudamos orgulhosamente a América do Sul e o Brasil, em particular… a terra do Metal of Death… Hail, Sarcófago!

 

Photos by: Diana Lee Zadlo, Ray+Wendy

Trad.: Marcelo Bauducco

Entrevista: Paradise Lost

Prestes a desembarcarem no Brasil para mais uma turnê sul americana, fomos conversar com o vocalista Nick Holmes para saber mais à respeito do novo álbum “Tragic Idol”. Conversamos também sobre a ideia do clip “Honesty in Death”, da lembrança que tem da sua primeira visita ao Brasil em 1995 entre outros assuntos.

 

1. O álbum Tragic Idol foi lançado em abril desse ano. Como está a aceitação deste novo trabalho?

Nick Holmes – Até agora, muito positiva! A prova normalmente são os shows e as novas faixas estão descendo tão bem quanto qualquer outra!

 

2. Eu li na internet que este álbum foi mais difícil de escrever, no que diz respeito às letras. O quão difícil foi? E que parte, especificamente? 

Nick Holmes – Este é o nosso 13º álbum, é pra ficar mais difícil! Se você pensa que já escreveu seu melhor trabalho então já seria hora de parar! As letras não são tão difíceis de escrever, compor as linhas melódicas é a parte mais complicada.

 

3. O Paradise Lost sempre teve letras cheias de sentimento, introspecção e algumas mais “fortes” e isso tudo se refletiu na parte final do vídeo de “Honestly In Death”. Você poderia comentar a concepção geral da música e do vídeo?

Nick Holmes – Nós somos grandes fãs de filmes de suspense e terror e recentemente ficamos muito impressionados com o nível de desespero no filme “The Road”.

Decidimos que queríamos um nível similar de depressão, só que num vídeo de quatro minutos!

 

4. Pra mim, a faixa “Fear of Impending Hell” tem o mesmo clima que as músicas que compõem o álbum Icon. Eu sei que não foi intencional, mas vocês sentiram como se pudessem resgatar alguma coisa que soasse como o velho Paradise Lost?

Nick Holmes – São as mesmas pessoas compondo as músicas, então eu acho que qualquer coisa considerada mais pesada vai ser comparada aos nossos álbuns mais antigos.

 

5. “The Glorious End” tem uma letra muito introspectiva. Você pode ver o mundo em ruínas e algumas almas chorando por piedade. Como você teve a ideia de escrever esta letra?

Nick Holmes – A música tem um clima de música de encerramento, então acho que apenas segui este aspecto quando escrevi a letra e, obviamente, o título.

 

6. Para algumas pessoas, a morte é o final de tudo; para outras, é o começo. Qual é a sua relação com a morte?

Nick Holmes – Eu considero a morte o fim e ninguém nunca provou o contrário. Eu não acredito em nenhuma religião ou teoria de vida após a morte. Quanto mais velho eu fico, mais eu tenho certeza disso. A morte é a única coisa eterna.

 

7. Embora já tenham passado cinco álbuns do Host, você acha que os fãs ainda estão receosos de se surpreenderem como aconteceu com aquele álbum?

Nick Holmes – Musicalmente, muito é influência do que o Greg está ouvindo no momento em que um álbum é escrito. Nos últimos anos, ele tem ouvido death metal dos anos 90 e bandas clones de Swedish Discharge. Acho que ninguém precisa se preocupar com outro Host tão cedo.

 

8. Vocês tocaram pela primeira vez aqui no Brasil em 1995. Que lembranças você tem dessa época?

Nick Holmes – Foi muito legal ver lugares que a gente só tinha visto na TV, as grandes plateias, encontrar o Ozzy… praticamente o sonho de toda jovem banda de metal. A única coisa que estragou a viagem para a América do Sul foi pegar salmonela na Cidade do México. Nunca me senti tão mal na vida!

 

9. Qual a sua expectativa para esta turnê na América Latina e o que podemos esperar dela?

Nick Holmes – Neste exato momento, nós esperamos que o novo álbum tenha sido bem recebido! Isto costuma se refletir nos shows, tanto em número de pessoas quanto na energia da multidão.

Nós vamos tocar umas quatro músicas do TI, mais ou menos…

 

10. Apesar de um line-up estável, vocês sempre tiveram “problemas” com bateristas. Você acredita que o Adrian vai ficar bastante tempo na banda?

 Nick Holmes – Não exatamente problemas, se você observar as coisas a longo prazo. As pessoas vêm e vão.

A vida é assim. Contudo, nós somos bem amigos do Adrian. Ele obviamente é um grande baterista e se encaixa muito bem. Ele já está na banda há três anos e meio. O tempo voa.

 

11. Cada baterista trouxe novas ideias e influências. Gostaria de saber o que cada um adicionou ao som do Paradise Lost hoje.

Nick Holmes – As partes de bateria já são escritas antes da gente gravar, é mais um caso de desenvolver o estilo deles para cada parte.

 

12. Uma pergunta que eu sempre faço é a respeito dos downloads ilegais. A que ponto eles ajudam ou atrapalham o Paradise Lost?

Nick Holmes – Eles beneficiam as bandas na hora de conseguir turnês, abrindo portas em novos territórios, mas do ponto de vista do lucro, os downloads ilegais colocaram a indústria de joelhos. É muito difícil para novas bandas viver de música. As bandas estão saindo em turnê freneticamente, mais do que nunca, o circuito ao vivo está saturado e as pessoas têm o poder da escolha. Como resultado, a música está mais descartável.

 

13. Que música você não gostaria mais de tocar, mas ainda é obrigado?

Nick Holmes – Fácil. As I Die.

 

14. Qual foi o pior show que você já fizeram? Por quê?

Nick Holmes – Shows ruins normalmente acontecem por apenas uma ou duas razões, sem contar os ocasionais públicos mornos de segundas à noite. Equipamentos ruins e shows madrugadas adentro normalmente são os culpados. Este último não acontece muito hoje em dia, somos velhos demais pra virar a noite tocando!

Mas shows ruins podem acabar sendo shows “engraçados”, então é melhor olhar o lado bom.

 

15. Você passou por muita coisa nestes anos de banda. Que histórias você lembra que te deixam triste? E que história que você lembra que te faz rir sozinho?

 Nick Holmes – Tentar manter relacionamentos e equilibrar a vida familiar em paralelo à vida de turnês e gravações pode ser muito difícil. A única coisa que faz com que eu me sinta triste são problemas pessoais.

 Aconteceram centenas de histórias engraçadas. As melhores normalmente são aquelas que na época foram terríveis. Nossa primeira turnê nos Estados Unidos e a gravação de Shades Of God são momentos fantásticos em retrospecto.

 

16. Obrigado pela entrevista. Você gostaria de deixar alguma palavra final para seus fãs brasileiros?

Nick Holmes – Para todos os nossos fãs brasileiros, confiram o Tragic Idol! Nós estamos ansiosos para tocar aí de novo em breve. Obrigado pelo apoio!

 

Photo: © Paul Harries
Trad.: Marcelo Bauducco

 

Entrevista: ArchiTyrants

Recentemente fiz essa entrevista com o vocalista Luxyahac, vocalista que já conheço de algum tempo do underground paranaense e até ter dividido palco com ele e suas antigas bandas “Doomsday Ceremony” e “Hermetic Vastness”. Eis que agora, após o lançamento do debut “Black Water Revelation”, conversamos para saber mais sobre essa nova empreitada, suas influências e outros assuntos.

 

1. A versão virtual do álbum foi lançada no início do ano, como está a aceitação dele?

Luxyahak: As pessoas que tem ouvido têm elogiado bastante o trabalho, inclusive tivemos uma resenha feita no site Grego METALKAOZ: http://www.metalkaoz.com/album-reviews/4417-archityrants-black-water-revelation.html logo quando disponibilizamos os CD. Esta foi aresenha mais expressiva, sendo que depois tivemos muitos pedidos de adição na fanpage da banda no facebook: http://www.facebook.com/Archityrants?ref=ts bem como varias visitas no nosso myspace: http://www.myspace.com/archityrants

 

2. A faixa de abertura do álbum tem uma linha melancólica de vocal, especialmente no trecho final “… Like a promoted abortion or a infanticide / The mother agonizes not to die before the host…” Gostaria que comentasse sobre essa passagem.

Luxyahak: O tema Black Water Revelation é a expressão para o manto negro de ignorância, ao qual a humanidade vive a baixo. Não saber qual a sua verdadeira origem, porque esta foi oculta propositalmente por interesses inescusáveis de poder e dominação durante as Eras, é apenas um dos fatores que tornam a humanidade ovelhas num grande rebanho, e quando não, lobos que se alimentam dessas ovelhas e de si mesmos! Todos os temas da Banda pensam a humanidade como uma grande praga que parasita a Terra. Pensando esta com um Ser de Grandeza Universal, e que foi violado criminosamente. Como poeticamente a Terra é a grande Mãe, em algumas místicas; A Mãe Terra luta para expulsar a praga humana, provocando um aborto daqueles que ainda não nasceram, e agoniza, pelo sofirmento deste ato, mas não antes da morte do hospedeiro… O termo infanticídio foi usado numa analogia do crime, quando a mãe mata seu filho logo após o nascimento, em estado puerperal. A praga humana que sorve as forças da Terra a milhares de anos, e como colônias de parasitas, como intrusos num Ecosistema diverso. A “Mãe Terra” deve ser poupada, em detrimento a praga humana, ela repele o intuso indesejado, pois este não sabendo sua própria origem, é levado ao “status” de “bastardo”. A praga é fruto não quisto, de uma violação!

 

3. A faixa Melancholic Sings of the Souls tem uma introdução bem diferente do usual, dando a impressão de ter sido feito meio que de improviso. Como surgiu a ideia para essa música?

Luxyahak: O método de composição é o mesmo para todas as músicas. Claro que elas vão se aperfeiçoando no decorer dos ensaios, bem como nas experimentações de estúdio para a gravação. Basicamente fazemos a música relativamente “crua”, e depois vamos potencializando as idéias e incorporando-as às fórmulas. A Música quando pensada, certamente irá ter diferentes elementos, principalmente quando ela começa a ser absorvida por todos os membros da banda que exercem influência própria, a musica ficará mais bem elaborada. Quando executadas ao vivo ganham outra forma no mesmo eixo e métrica, e não seria diferente no momento de grava-las. Fazemos vários experimentos em estúdio.

 

4. Temos um trecho interessante na música Melancholic Sings of the Souls, onde encontramos umas vocalizações gregorianas. Como conceberam a ideia para essa parte?

Luxyahak: A idéia sugiu do mesmo modo como ja foi falado. Em pricípio não foi algo pensado, apenas foi dobrado várias vezes os vocais e adicionado efeitos que levaram ao resultado em questão. Já estudei canto Gregoriano, em tempos idos, e nesse sentido estamos elaborando algo muito interessante e influenciado, para o proximo CD. 

 

5. O que quer dizer o acrônimo A.S.O.M.N.?

Luxyahak: Quer dizer: Antiga e Sagrada Ordem do Manto Negro. Já mencionei este termo perguntas passadas. O apreciador deve observar esta obra de maneira minuciosa, pois os pensamentos se interligam e formam o contexto. Não quisemos deixar nada explícito, pois o sentido é obter a atenção de seres pensantes que enchergam mais que um CD de uma banda. Querem saber o que essa banda tem a dizer, qual a mensagem. Porém essa mensagem só será perceptível à medida que o apreciador absorva e se alimente intelectualmente deste humilde trabalho.  

 

6. A música A.S.O.M.N. é cantada em português. Você acha que num futuro próximo o ArchiTyrants investirá nas letras em português, ou foi somente para essa faixa em específico?

Luxyahak: Não é um critério obrigatório. Não só a A.S.O.M.N. como uma passagem na Melancholic, nas vocalizações com leves influências Gregorianas, foram pensadas naturalmente. Porém é provável que tenhamos algo no mesmo sentido no proximo álbum. Mesmo porque o Doom Metal propicía climas excelentes para frases em português, que a meu ver têm uma sonoridade magnífica e profunda. Essencialmente as musicas serão em inglês, até mesmo por toda a Universalidade do Metal e porque nossas idéias podem ser acolhidas ou contestadas por pessoas do mundo inteiro. 

 

7. Quando que vocês decidiram deixar para trás o nome “A Tribute to the Plague” e renascerem como ArchiTyrants?

Luxyahak: Foi quando vimos que não tinhamos nada mais com ATTTP, musicalmente, ideológicamente (talvez pensar a humanidade como uma praga seja o último vestígio que nos liga ao primitivo), mesmo porque restava apenas um último membro original da sua formação, que logo após resolveu deixar a banda. Entramos num consenso e resurgimos como ARCHITYRANTS, uma nomenclatura que expressa melhor o sentido do nosso trabalho, visto que o nosso discurso lírico é acerca das tiranias e a natureza perniciosa da humanidade, política (religiosa), social, econômica, utilizadas como forma de dominação das massas de “zumbis”. Como na Morbid Peace: “Unidades biológicas que se comunicam por grunhidos”. Foi um acerto, assim contamos nossa própria história, desvinculado do passado remoto, sem depreciação dos que lá estiveram, e isto está registrado, em honrosa homenagem, no CD, para a ATTTP. RIP ATTTP! 

Nós sabemos nossa Origem!

 

8. Recentemente a banda passou por uma reformulação em sua lineup, como está a atual situação dela?

Luxyahak: Sim agora estamos com um lineup mais coeso musicalmente e que ao vivo mostra realmente quem somos e a que viemos. Primeiro Kostav Thorn assumiu as baquetas e ja deu outra pegada mais rebuscada e buscada por nós. Já toquei com esse irmão em outras bandas no passado e não teve erro! Depois do comunicado inesperado do antigo baixista e fundador do ATTTP, dizendo de sua saída, chamamos o Thiago Valença, ex-baixista do Lachrimatory, com grande experiência já no cenário. Nítidamente o som ficou mais pesado, harmonioso e cadênciado. Sem dúvida uma bela transformação que veio para nos dar o reforço necessário para encarar grandes eventos. Ainda mais com esses dois monstros!  

 

9. Lembro de ter ouvido a primeira demo da Doomsday Ceremony e ter ficado abismado com os vocais limpos, pois já conhecia alguns trabalhos seus de bandas anteriores, onde você fazia um vocal gutural cavernoso. Quando você decidiu por essa mudança e porque?

Luxyahak: Logo depois que deixei o Imperious Malevolence, fiz uns ensaios no Murder Rape, porém o meu lado “Sabbathiano” falou mais alto e investi definitivamente no estilo ao qual estou até hoje. A demo do Doomsday Ceremony foi muito legal à época (apesar das minhas limitações vocálicas), foi algo que diferenciou o cenário. Foi uma banda que conquistou um grande carisma e não perdeu até hoje, pois as bandas de “scream e gutural” predominavam nos festivais no Underground. Foi nesse momento que procurei aulas e acabei tendo contato com o canto gregoriano, que apenas estudei, mas não desenvolvi nada a respeito. Apenas “Tentei” enriquecer meus conhecimentos. 

 

 

10. Obrigado pela entrevista, e deixo o espaço livre para suas últimas considerações.

Luxyahak:Quero agradecer o espaço cedido pelo Funeral Wedding, e sem mais delongas, convidar todos os leitores a se tornarem ouvintes do nosso CD, bem como entrar em contato conosco por meio do nosso facebook, visitar nossa myspace, e dizer que em breve esperamos tocar e interagir com todos as que curtem nosso som. Também oferecer meu contato no facebook para aqueles que se interessarem em adquirir o CD. 

ARCHITYRANTS vos saúda!!!

Stay Doom!

 

:Fotos: Tamara Lopes