Entrevista com Morgan Gonçalves, por Cielinszka Wielewski

O ano: 2014. Conheci esse cara muito talentoso e criativo. Suas palavras foram mais ou menos essas: “Precisamos criar mais eventos de Doom Metal, vou correr atrás, pesquisar e ver o que posso fazer”. Ou, “Você tem ideia de que eventos ocorrem por aqui?”.
Sem saber muito por onde começar, ou para onde ir, após meses de conversa, no passo a passo, eis que o Morgan organizou um evento fantástico no Rio de Janeiro, intitulado October Doom Festival. Com patrocínio e aposta da Persephone Dark Clothes na primeira edição, o evento teve uma repercussão muito animadora.
Um ano após, os resultados e as ideias só vem a somar: está à frente da idealização e aprimoramento da October Doom Magazine (na sua edição 45 até o fechamento dessa entrevista), que comemora um ano de edição também; administra a página homônima no facebook, além de outras reservadas surpresas em breve…!

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É um cara promissor e muito decidado à causa no Brasil. Por isso nada mais justo, que uma entrevista com ele não é mesmo? Então, vamos lá!

1- Cielinszka: Olá Morgan, como vai? Desde que nos conhecemos ano passado, tenho acompanhado do princípio seu trabalho, e pude perceber que muita coisa evoluiu. Apresente-se ao público e comente como toda a ideia de apoio ao doom metal brasileiro (e seus subgêneros relacionados) surgiu.
Morgan: Bom, antes de tudo, meu nome é Morgan Gonçalves (de verdade), tenho 26 anos, sou casado e pai da Sophia, de sete meses. Eu escuto Doom Metal há quase 10 anos, mas passei boa parte desse tempo somente apreciando o gênero. Entre 2011 e 2013 eu morei no Mato Grosso, e lá as coisas são muito paradas. Quando voltei para o Rio de Janeiro e depois de tanto tempo sem conhecer gente que gostasse de Doom, eu cheguei muito animado, mas percebi que no Rio não havia opções de eventos Doom. Foi então que tive a ideia do October Doom Festival.
Mas sozinho essa ideia nunca teria saído do papel. Conversei com meu #BrotherOfDoom, Fabricio (Morgan Austere), sobre a ideia de fazer um fest voltado ao Doom, que ele também curtia muito, e com a ajuda dele e o apoio da minha esposa, decidi levar a ideia adiante. O primeiro evento aconteceu e, apesar das falhas características de principiantes, foi um sucesso.
Depois disso, veio a ideia de fundar a Produtora, – October Doom Entertainment- , e a ocupação de espaços dentro da cena, como por xemplo a revista, October Doom Magazine: a primeira revista Doom digital e gratuita do Brasil. Depois isso a revista cresceu, a segunda edição do ODF aconteceu, muitas amizades surgiram e parcerias se firmaram.

2- C: Faça um breve comentário a respeito dos dois eventos do October Doom já realizados, e a expectativa para os próximos.
M: O Primeiro foi um tiro no escuro. Eu não conhecia ninguém, ninguém nunca tinha ouvido falar de mim e eu nunca tinha me proposto a nada semelhante. O evento, apesar dos contratempos, foi muito bom e trouxe a experiência de que precisávamos.

O segundo veio com um planejamento melhor e correu muito bem. Mais amizades foram seladas e eu ainda tenho muita vontade de fazer mais e mais edições. Quanto às próximas edições, estamos trabalhando para expandir para outros estados, em parceria com outras iniciativas.

3- C: No dia a dia da “mão na massa”, o que você acha que mais mudou do início até agora?
M: Hoje tenho mais contatos, cada vez me envolvo mais com pessoas como Merlin Oliveira, do Murro, Rodrigo Bueno, do Funeral Wedding, Felipe Toscano, da Abraxas, e disso, sempre tiro muito aprendizado. Com gente assim por perto, as coisas tendem a ficar mais claras.

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4- C: Cite um exemplo de repercussão que te realmente te surpreendeu durante todo esse tempo.
M: Posso citar um de cada iniciativa?
– Sobre o ODF: Algumas bandas da Itália e da Bélgica, que se interessaram pelo evento, e se propuseram a tocar conosco.
– Sobre a Revista: Bandas e pessoas de lugares distantes, como Filipinas e Azerbaijão, que acompanham nossas publicações. Isso tudo é muito gratificante.

5- Ao acompanhar super de perto o cenário nacional, o que mais te chamou a atenção até agora?
M: A quantidade de bandas de qualidade incrível. Mesmo além de ícones como HellLight e MythologicalColdTowers, o Brasil tem se superado constantemente na qualidade das bandas e no cuidado na produção de cada álbum.

6- C: Como você imagina o Brasil daqui uns dois ou três anos em termos de festivais e bandas?
M: Bom, para Festivais, eu não imagino muitas mudanças. Talvez alguns eventos com mais estrutura. Nossas bandas merecem. Agora, em relação às bandas, o nosso país tem se mostrado um maravilhoso celeiro para projetosde Doom. Só neste ano eu já acompanhei o surgimento de Pantanum e Cassandra, de Curitiba/PR; Black Witch, de Mossoró/RN e várias outras excelentes bandas novas que o mundo precisa conhecer.

7- C: Meio injusto perguntar quais suas bandas brasileiras preferidas não? Afinal, a evolução brasileira está tão latente, que acredito ser difícil essa pergunta. Mas cite três sons brazucas que mais tem ouvido ultimamente.
M: Putz… Três nomes que eu tenho mantido na playlist constantemente são HellLight, Pantanum e Black Witch, mas eu poderia falar mais umas oito ou dez bandas, hehehe.

8- C: Quais as maiores dificuldades sentidas na pele para um organizador de festival?
M: Nossa, a gente apanha muito com casas de show. O Rio de Janeiro não tem tantas opções como São Paulo, e isso atrapalha muito.

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9- C: Obrigada pela entrevista!
M: Eu que agradeço. Só quero deixar meu convite à todas as bandas, músicos e artistas do gênero Doom e periféricos. Contatem a gente. Temos uma revista que vem crescendo muito, e tem espaço pra todo mundo.

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