Luna – On the Other Side of Life

SP. 104-15Mais um ponto pra Ucrânia! DeMort ou Anton Semenenko é a mente por trás desta obscuridade sonora que é Luna. Aliás ele é a única mente por trás deste projeto totalmente voltado à individualidade filosófica humana.

Toda vez que escuto uma banda composta de um músico só fico curioso para saber sobre o que seria os temas líricos do artista, tendo em vista que deve ser pensamento íntimos do mesmo sobre certo assunto, um egoísmo que ele queira compartilhar. Mas quando me deparo com artistas que trabalham apenas com o instrumental como é o caso aqui, o caso ganha uma complexidade indelével. Com um álbum composto por apenas duas músicas, “Grey Heaven Fall” e “On The Other Side of Life” o artista cria um ambiente sonoro e propõe também que com esse bioma sonoro criemos uma série de pensamentos sobre o que cada andamento da música tem em relação com o título da canção. Refletindo sobre essa questão, creio que este tipo de abordagem é como se fosse um convite para um reflexão pessoal egoísta sobre o tema da canção mas que é ao mesmo tempo é coletiva, pois, sem a letra, o ouvinte pode imaginar o que o DeMort estaria pensando ao compor algo tão absurdamente majestoso e que sonoramente remete a pensamentos geralmente depreciativos sobre o próprio título da canção.

Se o ouvinte não compartilhar de tais pensamentos filosóficos acerca da sonoridade do Luna, posso apenas dizer que neste álbum se encontra um dos melhores trabalhos de Funeral Doom metal produzidos em 2015, com andamentos e riffs arrebatadores, carregados de melancolia e um prato cheio para os misantropos do Doom Metal. Com apenas duas músicas DeMort exemplifica sonoramente o que é pensar sobre o outro lado da vida, seja qual for a opinião do ouvinte. Absolutamente indicado á todos os Doomers.

Luna – On the Other Side of Life (Solitude-Prod)
1. Grey Heaven Fall
2. On The Other Side Of Life

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Resenha por: Guilherme Rocha

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Creeping – Revenant

11236474_1660631730822736_753804965433206957_nAlgumas bandas que vamos conhecendo durante a jornada no underground que acabam por se tornar nossas “queridinhas” e você a têm com muito esmero e torce para não cair em “ouvidos errados”. Este é o caso da banda neozelandesa Creeping. Acabei por conhecer esta banda devido ao seu outro projeto “The House of Capricorn” e diferentemente desta banda citada, o som do Creeping é mais voltado ao Black/Doom.

O álbum abre de forma ímpar com “Death Knell Offering” e nos mostra em seu andamento cadenciado toda ódio à existência humana. Riffs afiados, bateria lenta e baixo marcante fazem desta uma ótima faixa de abertura.

“Scythes Over my Grave” já é bem diferente e mostra toda sua ira do Raw Black Metal, tocada de forma ríspida, afim de espantar e espancar qualquer desavisado. Na metade da faixa, temos algumas vociferações e uma mudança de andamento, deixando a música ainda mais sinistra.

“Cold Soil” mantém o clima sombrio do álbum, seus acordes dissonantes causam uma certa angústia e algumas vozes que se fazem ouvir, ecoam dentro da cabeça, fazendo com que o ouvinte sinta-se um esquizofrênico em meio a um surto. Todo esse clima soou bem como uma intro para a seguinte “Drear”. Esta por sua vez é uma música lenta, suja e carrega consigo um sentimento de desolação e desprezo pelo ser-humano.

Após todo esse clima anti-humano, é chegada a vez da faixa que dá nome ao trabalho, “Revenant”. Esta é a típica música que você acaba por ouvir mais de uma vez em sequência, pois o sentimento que ela transmite é único e certamente após o seu término, o seu dia estará mais cada vez mais cinza.

O único ponto negativo se for por assim dizer, é que o disco é um pouco curto, com pouco mais de 30 minutos e deixa um gosto de quero mais.

Para quem gosta de colecionar as diferentes edições dos álbuns lançados, a versão em CD possui uma capa diferente desta lançada em vinil.

Creeping – Revenant (Iron Bonehead Productions)
1. Death Knell Offering
2. Scythes Over My Grave
3. Cold Soil
4. Drear
5. Revenant

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Lifeblood – Shattered Wishes

11050750_1631564713758547_2748591997319696152_nRecebi este material por esses tempos atrás e logo de cara me impressionou pela qualidade do material em si, coisa que só a Weird Truth produz.

Musicalmente, na primeira ouvida, também me agradou muito, mas após algumas audições subsequentes encontrei algumas poucas passagens, que ao meu ver, poderiam ter sido melhor aproveitadas.

Podemos destacar poucas faixas, pois o álbum todo soa muito coeso e honesto, mas “Black Rain” com a linha de baixo impecável, a seguinte “Still Alive (Not Dead Yet)” com sua mudança de andamento certeira, “Numb” que possui uma atmosfera bem intensa ou mesmo a faixa título que encerra o álbum e vem carregada com um sentimento depreciativo imenso, não passam despercebidos pelo ouvinte.

Duas coisas que me incomodaram na audição são os excessos de “rooooooaaaaarrrrrr” ao final de cada frase e a coisa mais pegou todas as vezes que ouvi o disco foi a ausência de uma segunda guitarra. Não sei se a ideia é tentar soar o mais próximo do que se toca ao vivo, mas em alguns fraseados de guitarra nota-se um vazio ao fundo, que poderia ter sido preenchido por essa segunda guitarra ou por alguma ambientação de teclado. Isto pode ser sentido na faixa “Dark Days”, ou mesmo em “Vestiges of the Past”.

Enfim, mesmo com esses lacunas, este álbum vale a sua audição e quem sabe num futuro próximo, o nome Lifeblood seja tão reconhecido como os seus compatriotas do Funeral Moth, Coffins ou Begräbnis.

Lifeblood – Shattered Wishes (Weird Truth Productions)
1. Black Rain
2. Still Alive (Not Dead Yet)
3. Numb
4. Stench of Excessive Self-Consciousness
5. Dark Days
6. Vestige of the Past
7. Failed in Life
8. Shattered Wishes

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Weird Truth Prod

Arrant Saudade – The Peace of Solitude

FrontO que podemos dizer quando juntamos 3 músicos que são bem conceituados dentro do cenário Doomer e estes resolvem por em prática um novo projeto? O resultado só pode ser bem positivo. Você pega Juan C. Escobar (AstorVoltaires, ex-Mar de Grises) Riccardo Veronese (Aphonic Threnody, Gallow God) e Hangsvart (Abysmal Growls of Despair) e tranca os 3 dentro de um estúdio e o resultado é este álbum “The Peace of Solitude”.

São apenas 5 faixas e tem um tempo aproximado de 45 minutos, mas que nos apresentam boas melodias melancólicas e uma sonoridade um tanto minimalista em algumas passagens.

A faixa de abertura “Only the Dead”, tem Sophie Boudier como convidada especial nos vocais e apesar de haver aquela variação “Beauty and Beast” nos vocais, a música passa bem longe do Gothic/Doom.

O andamento lento prossegue e “Feel Like you Shadow” tem a sua vez. Para mim esta é uma das melhores do disco, pois temos um contraponto bem interessante aqui, além das variações vocalísticas entre o gutural e o limpo, nos trazendo aquela paz melancólica.

“The Peace of Solitude” também é outra faixa poderosa, podemos encontrar algumas linhas de piano aqui e ali, mas o ponto alto são as vocalizações operísticas ao fundo enquanto o vocal limpo abusa do sentimento melancólico e vai te sufocando a cada segundo em que a faixa avança.

“Drifting Reality” é a faixa mais longa do disco, com pouco mais de 10 minutos de duração e apesar disto ela tem suas variações e inserções de elementos não muito usuais. A letra dela não é longa, então presume-se que a parte instrumental é o que predomina na música. Além da boa ambientação, encontramos um bom solo de guitarra, algo não muito comum no estilo.

E para encerrar temos “No Dream Left in Me” que se encarrega muito bem de deixar o moribundo ouvinte em estado de catarse aguardando por seu último suspiro.

Arrant Saudade – The Peace of Solitude (GS Productions)
1. Only the Dead
2. Feel Like your Shadow
3. The Peace of Solitude
4. Drifting Reality
5. No Dream Left in Me

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Saturnalia Temple – To the Other

saturnalia temple - coverCom os melhores tipos de abordagem que uma banda pode ter, Saturnalia Temple adiquiriu muito bem influências (ocultismo e magia negra) para com suas letras. Algo bem evidente como inspiração vindoura das bandas de black metal que viriam a fazer muito sucesso no início dos anos noventa. Ainda mais após a repercussão dos atos “terroristas” aplicados perante as igrejas daquela região por algumas personalidades. Mas essa inspiração não é a toa já que a banda vem dali de perto, da Suécia. Um dos países onde boa parte das melhores bandas de metal vêm para massacrar os ouvidos dos metaleiros.

“To the Other” é o segundo full-lenght da banda sueca. A banda que surgiu no ano de 2006 na cidade de Estocolmo, desde então nunca mais parou de progredir com sua característica principal, o Doom Fucking Sludge Metal! Ainda não tive a oportunidade de conferir os trabalhos anteriores, mas posso dar certeza que, a partir deste trabalho, a banda tem muitas características positivas e importantes que merecem ser citadas aqui. A começar pela sonoridade muito sombria que remete aos anos oitenta com o início do black metal, a sua evolução obscura e medonha (no bom sentido) na região da Noruega e companhia. Um som que ocmbina de maneira precisa com o clima frio e morto. As guitarras soam morticidade. Uma mixagem que nos passa melancolia; distorção mais que perfeita da guitarra. Lentidão e ao mesmo tempo uma cadência animadora, a ponto de dar tempo de curtir o momento e também a complexidade do trabalho do grupo sueco. Vocal grotesco junto com o âmbito escuro que as músicas nos lembram. A mixagem das músicas lembram uma época em que o black metal ainda tentava se desgrudar do doom metal e vice-versa, para mais a frente, cada um seguir seu destino independente um do outro.

O álbum contém nove canções (mas infelizmente consegui o material contendo oito canções. Então ficarei devendo a descrição do álbum com todas as canções presentes), sendo uma delas, provavelmente, faixa bônus. E duas das canções sendo intrumentais (a primeira faixa “Intro”, e a oitava faixa, “Void”). A quarta faixa “Snow of Reason” é uma das mais longas entre as demais, contendo quase oito minutos de duração. Simplificando, as canções não são tão cansativas; são diretas. O som é apresentado de maneira eficaz evitando a monotonia. Percebe-se também a distorção potente do contrabaixo, que dá às faixas um ar de poder eminente. Para terminar a linha de raciocínio perante ao belo trabalho do grupo sueco, gostaria de lembrar também que as canções se encaixam perfeitamente à uma longa madrugada em branco. A viagem transmitida pelas músicas são megalomaníacas ao ápice! Vale a pena, como sempre, dar uma conferida nesse excelente trabalho!

Saturnalia Temple – To the Other (The Ajna Offensive/Listenable)
1. Intro
2. ZazelSorath
3. To the Other
4. Snow of Reason
5. March of Gha’agsheblah
6. Black Sea of Power
7. CrownedWithSeven
8. Void

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Resenha por: Leonardo Reis

Sirenia – The Seventh Life Path

584_Sirenia_RGBParece que a parceria entre Morten e Aylin vem gerando bons frutos para o grupo norueguês Sirenia. O grupo parece estar amadurecendo as composições desde o álbum de estreia da vocalista Aylin, The 13th Floor que foi lançado em 2009 e tinha um foco muito mais simples e de fácil assimilação em comparação aos dois últimos álbuns do grupo, que vem mostrando composições mais bem arranjadas e um notável aumento na duração das músicas e isso é consequência de um trabalho mais bem pensado.

Sobre o álbum podemos fazer uma comparação entre os dois primeiros trabalhos com Aylin e os dois últimos e nos indagar se o Sirenia vem em progressão com composições mais bem arranjadas ou se deveriam continuar na fórmula que foi tão “grudenta” em The 13th Floor? Obviamente que não é uma pergunta fácil para se responder mas é certo que apesar de a sonoridade se apresentar de maneira sensacional não chama tanta atenção ou não passa a vontade de ouvir o álbum ou sequer uma música de maneira incessante. “Elixir”, “Sons of the North” e “The Silver Eye” que julgo ser as melhores faixas não chegam nem de perto na nostalgia de ouvir “The Path to Decay”, “Lost in Life” e “The Seventh Summer”.

Me parece que o grupo tenta buscar um meio termo entre composições mais bem produzidas/trabalhadas com uma fácil assimilação sonora que possuía nos dois primeiros álbuns com Aylin, que é tal de feeling que vem claramente faltando. Apesar da comparação negativa em relação aos antigos trabalhos não é viável ao ouvinte deixar de ouvir este trabalho que mantém o grupo entre os grandes do Symphonic/Gothic Metal e deve ser apreciado com bastante atenção até por ser um álbum de longa duração e com muitos detalhes sinfônicos.

Sirenia – The Seventh Life Path (Napalm Records)
1. Seti
2. Serpent
3. Once My Light
4. Elixir
5. Sons of the North
6. Earendel
7. Concealed Disdain
8. Insania
9. Contemptuous Quietus
10. The Silver Eye
11. Tragedienne

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Napalm Records

Resenha por: Guilherme Rocha

Orphans of Dusk – Revenant

SP. 102-15Com certeza este é um dos melhores trabalhos do ano de 2015! O trio australiano composto por Dam Nahum (Bateria), James Quested (Guitarra; Contrabaixo) e Cris G. (Vocal) soube incorporar a melancolia através de sua sonoridade de forma excelente. Sendo “Revenant” o primeiro trabalho da banda, ou seja, estamos falando de um ótimo EP. O grupo miscigena em seu trabalho, elementos do Gothic Metal ao Doom/Death Metal, inclusive um toque de depressive.

Com quatro faixas, o suficiente para percebermos a qualidade do trio, nos mostra já de cara uma melancolia imensurável. Estou falando de “August Price”, a primeira faixa do EP. A maneira como ela começa é inigualável. Um som totalmente sombrio, que com a base do teclado, sentimos um frio aterrorizante. A faixa nos remete um pouco à Moonspell, Woods of Ypres e entre tantas outras bandas, que quando citadas, evidentemente fica claro a influência do grupo em relação às últimas. A mudança repentina da música é que dá o tom perfeito; de um instante ao outro a canção sai do ritmo gótico e entra ao mundo depressivo, de um jeito a não deixar a canção um tanto cansativa.

“Starless”, sendo a segunda faixa do EP, tem um início semelhante ao da primeira canção. Um toque sombrio de um violão até que entra em cena e interfere-se perfeitamente o som belo e mágico do teclado, trazendo consigo sua sonoridade; sua sinfonia sintetizada, a deixar maravilhado o som. Desta vez o som Doom soa mais evidente, ficando, não muito, em segundo plano a característica gótica da canção. A progressividade é também, bastante relevante nas canções do grupo australiano. Assim como citado na primeira faixa, sendo uma característica relevante ao grupo, sua canção sai de um mundo e entra em outro num instante. A parte mais bela da canção (aos 4:00 min.) nos trás uma bela sinfonia enquadrada pefeitamente ao vocal de Cris; este, por si só, solta um vocal limpo e melancólico, dando continuidade à toda instrumentalidade da banda. Novamente, o vocal beira o limpo e o gutural, um toque relevante nas músicas, evidenciando desta maneira, a capacidade do artista implementar mais técnica à banda.

“Nibelhein”, pode-se dizer que é a canção mais veloz dentra as quatro. A que remete muito mais, também, à Moonspell. Desde o vocal, que não é limpo, não é gutural e muito menos forçado. Trata-se de uma técnica usada por Fernando Ribeiro que nem eu sei dizer, ao certo, qual seria. A canção oscila entre o progressivo limpo até o Death Metal. “Beneath the Cover of Night” é a canção que termina o ciclo deste EP. Já de maneira surpreendente, nos remetendo à brutalidade e melancolia ao mesmo tempo. Vocal limpo, com uma tremenda distorção por parte das guitarras e lentidão por parte da bateria. Justo! Para terminar este ótimo trabalho por parte do trio australiano, não poderia faltar a sinfonia. Marca evidente até agora no trabalho do grupo. Esta por sua vez, é a canção mais longa do EP, contendo oito minutos de duração. É sem sombras de dúvida, a canção onde as sinfonias são mais bem executadas e encaixadas à cadência dos demais instrumentos. A melancolia vem à tona, destruição total, de forma tristonha e cruel!

Este é o ar de boas-vindas do trio de Orphans of Dusk! Um trabalho dedicado e belo, sem deixar cair o ritmo. Tudo muito bem trabalhado. Porrada sonora total!

Orphans of Dusk – Revenant (Solitude-Prod/Hypnotic Dirge)

1. August Price
2. Starless
3. Nibelheim
4. Beneath the Cover of Night

depress5

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Solitude-Prod

Resenha por: Leonardo Reis