HellLight – Journey Through Endless Storms

sp108Desde que fui recrutado para desenvolver a capa deste material, este álbum me trouxe muita expectativa até o dia que precedeu o seu lançamento.
“Journey Through Endless Storms” é sem dúvida o trabalho mais maduro destes paulistanos e com certeza será um divisor de águas na carreira do grupo.
Contando com participação da musicista Cielinszka Wielewski no cello, este disco que já tem sua essência a melancolia impregnada, com a adição deste instrumento, a depressão toma formas literalmente.

O álbum é um pouco longo, é verdade, mas em momento algum acaba se tornando cansativo, pois a cada faixa em que avança, o ouvinte vai se tornando parte de toda a história e há um envolvimento pessoal de como se tivesse sendo a trilha sonora de toda sua existência.
Podemos destacar também os trabalhos de teclado deste álbum que está melhor do que os anteriores, isto deve-se o fato de seu tecladista Rafael Sade ter retornado ao posto que lhe é de direito.

Faixas como “Journey Through Endless Storms” que abre o disco de forma sensacional, estilhaçando os pulsos do ouvinte, passando por “Dive in the Dark” com a excelente linha de cello e caminhando até “Distant Light That Fades”.
Se o ouvinte chegou inteiro até aqui, certamente daqui não passará, pois chegou a hora da faixa mais forte do disco, “Time”. Esta é aquela faixa que te envolve em sua linha melancólica de guitarra numa mesma vibe que o Saturnus faz muito bem e os vocais sussurrados ecoam dentro da cabeça, fazendo parecer um esquizofrênico em meio a um surto psicótico. Que música incrível.

Seguindo para a metade final do disco temos as excelentes “Cemetherapy”, “Beyond Stars” com seus minutos finais recheados de introspecção e melancolia.
“Shapeless Forms of Emptiness” é outra faixa que merece destaque, pois vem com uma carga extra de depressão. Até sua passagem pinkfloydiana que antecede o solo é de arrepiar. E para receber a ultima pazada de terra, temos “End of Pain”. Esta faixa é totalmente diferente do que o HellLight já fez até hoje e mesmo assim é muito bonita. Ela é toda tocada no piano e cello, os vocais femininos deram um charme à ela, até um flanger perdido no meio dá um toque refinado para a canção.

Este é um álbum essencial na discografia de todo na de Doom Metal e não apenas o mp3, corra atrás do CD físico, agora!

HellLight – Journey Through Endless Storms (Solitude-Prod.)
1. Journey Through Endless Storm
2. Dive In The Dark
3. Distant Light That Fades
4. Time
5. Cemetherapy
6. Beyond Stars
7. Shapeless Forms Of Emptiness
8. End Of Pain

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Solitude-Prod

Resenha por: Rodrigo Bueno

The Dead – Deathsteps to Oblivion

coverA Australia sempre nos brindou com excelentes grupos musicais, seja ele no Hard Rock (Rose Tattoo/AC/DC) ou no metal mais extremo (Pestilential Shadows, Erebus Enthroned, Austere e muitos outros). Mas é no Doom Metal que eu gosto de relacioná-los a música, visto que este país situado na longínqua Oceania nos brinda desde a década de 90 com excelentes hinos arrastados. Desde a época do dISENBOWELMENT que aqueles lados chama a minha atenção e de lá temos excelentes bandas como Creeping, Inverloch, Cryptal Darkness (RIP) e por que não incluir nesta leva este The Dead.

Este álbum foi originalmente lançado em 2012 de forma independente pela banda e só agora em 2014 que ele recebeu a versão física e já adianto de antemão que não havia escutado nada a respeito deles e vasculhando o site Metal-Archives lá consta como Death Metal a sua sonoridade. E como o blog Funeral Wedding é voltado ao Doom e vertentes, acabei por não dar muita atenção. Mas a sua capa enigmática sempre me chamou atenção desde a primeira vez que a vi e como um fã de metal eu coloquei o play pra rodar e logo de cara me surpreendi, pois de Death Metal, neste disco, pouco há deste estilo.

Já de cara temos uma batera mais grooveada, numa pegada voltada ao Sludge, andamento mais cadenciado, um peso absurdo nas guitarras e os vocais cavernosos.
“Maze of Fire” abre o disco de forma singular, prendendo a atenção do ouvinte do seu início ao fim. Seguindo nesta vibe arrastada temos “Disturbing the Dead” que posso mencionar como outra faixa doentia.
“The God Beyond” começa a velocidade da luz, talvez o único resquício do Death Metal de outrora. Mas já nos primeiros minutos, temos uma virada de mesa e a faixa se torna bem lenta.
“Terminus” é uma das melhores músicas do disco, pois nela há alguns elementos que a diferem do restante do material e próximo ao seu final, temos um solo de guitarra meio psicodélico dando um charme à ela.
E para encerrar, temos a faixa que da nome ao material: “Deathsteps to Oblivion”. E como toda música que dá nome ao material, deve ter sua atenção redobrada. É com certeza a música mais Downtempo do disco, com seu andamento extremamente lento e nela encontramos uma excelente linha de guitarra, que podemos chamar de solo.

A única coisa estranha na faixa, são as vociferações nos segundos finais que achei um pouco dispensável, mas nada que tire o brilho do disco.

The Dead – Deathsteps to Oblivion (Transcending Obscurity)
1. Maze of Fire
2. Disturbing the Dead
3. The God Beyond
4. Terminus
5. Deathsteps to Oblivion

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Transcending Obscurity

Resenha: Rodrigo Bueno

Goatlord – Reflections of the Solstice

goatlord reflections of the solsticeO selo norte americano Nuclear War Now fez uma leva especial de lançamentos de diversas bandas cult do cenário Death, Doom e Black Metal. Uma das bandas que teve seus materiais relançados foi o culto oculto do Goatlord.

Lançado originalmente em 1991, este material que talvez tenha sido um dos mais importantes lançamentos do underground da terra do tio Sam naquele tempo.

O som do Goatlord podemos caracterizar como um Necro Doom Metal, pois naquela época (final dos 80, início dos 90) as bandas flertavam muito com outros estilos sendo o Black, Death e até mesmo o Thrash.

Passagens lentas, beirando ao Funeral Doom e em outras mais esporrenta, nos trazendo a mente facilmente a influência de Venom e Celtic Frost em sua sonoridade.

Não há como dizer que se trata de um material completamente original, mas é muito fiel ao estilo e hoje em dia sinto um pouco a falta de mais bandas assim.

Ao todo são 8 faixas divididas em 44 minutos do mais puro underground e que por muitas vezes cheira a mofo.

Podemos destacar a faixa de abertura “Blood Monk”, a seguinte “Distorted Birth” com sua passagem Funeral Doom, para depois descambar para um Black/Thrash que até me lembrou o Sepultura da fase Bestial Devastation.

Mas os destaques, com certeza fica para “The Fog”, faixa que já foi coverizada por outro grande expoente do Doom Metal norte americano: Loss. Esta versão que está no álbum é extremamente lenta e com um clima soturno que fica fácil viajar nos riffs da música e presenciar um denso nevoeiro em sua frente. A outra faixa que é conhecida e que também foi coverizada pela banda Necros Christos (ambos os covers estão presentes num split Loss/Necros Christos) é “Acid Orgy”.

Para quem quer conhecer as raízes do estilo e principalmente se você é fã e saudosista do Doom em sua forma mais primitiva, fica a dica deste excelente álbum.

Goatlord – Reflections of the Solstice (Nuclear War Now! Prod.)
1. Blood Monk
2. Distorted Birth
3. The Fog
4. Underground Church
5. Chicken Dance
6. Acid Orgy
7. Possessed Soldiers of War
8. Sacrifice

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Nuclear War Now!

Resenha por: Rodrigo Bueno

Enshine libera preview de novo álbum

Os franceses do Enshine liberaram o primeiro teaser de seu novo álbum intitulado Singularity e que será lançådo oficialmente dia 18.10.2015 em Jewelcase e DigiPak.
Abaixo segue a capa e o tracklist:
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1. Dual Existence
2. Adrift
3. Resurgence
4. In Our Mind
5. Astarium Pt. II
6. Echoes
7. Dreamtide
8. The Final Trance
9. Apex
Total playtime: 53:27
O preview pode ser conferido aqui:
https://www.youtube.com/watch?v=hnvWn09OSD8

Carma – Carma

a2432989285_10A cena underground portuguesa tem nos apresentado de uns tempos para cá, excelentes bandas do estilo arrastado e depressivo. Isto podemos constatar como este grupo oriundo de Coimbra e sob a alcunha de Carma.

Neste trabalho com pouco menos de 40 minutos, temos uma demonstração de um Funeral Doom que volta e meia flerta com o Black Metal e o Dark Ambient. Isto podemos constatar na intro “Sonhos” e na faixa que encerra o disco “Adeus”.

Ao todo são seis faixas, as duas instrumentais já citadas e quatro cantadas em seu idioma natal.

As letras depreciativas foram escritas e executadas por Nekruss, e podemos sentir em suas linhas de vocal toda a amargura em relação a este mundo fétido e fadado à destruição. As linhas de guitarra e baixo foram compostas e gravadas por Æminus e apesar de não demonstrar nenhuma virtuosidade, temos em seus riffs gélidos e certeiros a melhor ambientação deste fúnebre grupo. Vale a pena mencionar também a presença do baterista Igniferum, que mantém precisa e certeira a pegada nos tambores.

Apesar de ter gostado de todas as músicas apresentadas neste debut, sou obrigado a mencionar a faixa “Reflexo” como a melhor do material, ainda mais após uma pequena passagem com dedilhados, o clima fica logo pesada na passagem seguinte, onde o mais depressivo ser certamente irá atrás de uma lâmina para retalhar os sues pulsos.

Fico por aqui me deprimindo, escutando os últimos acordes e lendo este trecho de letra e refletindo sobre minha mísera existência. “Chegou a altura de enfrentar a morte. Ó carma maldito, a angústia aperta forte. O coração enfraquece, o corpo arrefece, É apenas mais um nome que desaparece.”

Carma – Carma (Labyrinth Productions)
1. Sonhos
2. Procissão
3. Feto
4. Reflexo
5. Lamento
6. Adeus

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Resenha por: Rodrigo Bueno

Shape of Despair – Monotony Fields

coverPoucas bandas conseguem expressar com tanta naturalidade o que o Funeral Doom realmente significa. Não basta apenas ter um andamento lento e guitarras morosas para fazer um bom álbum, aquele que realmente prenda a atenção do ouvinte, sem se tornar cansativo. E com certeza o Shape of Despair é uma dessas bandas.

Muita expectativa se formou em torno deste álbum, principalmente em como iria soar seu novo vocalista, se ele seria capaz de substituir um vocal tão obscuro quanto o seu sucessor Pasi Koskinen? E para a nossa sorte a resposta foi, sim!

E isso podemos constatar já na faixa de abertura “Reaching the Innermost” ou na própria faixa título “Monotony Fields”, ou na versatilidade entre o gutural e o cantado como em “Descending Inner Night”. Um único resquício da existência do seu antigo vocalista, fica na regravação da faixa “Written  in My Scars”, que foi seu último registro com a banda e que já havia figurado num compacto 7” anos antes e que foi o autor da letra em questão.

Ao escutar este álbum, do seu início ao final, não seria justo da minha parte escolher esta ou aquela música como destaques, já que tudo o que está contido aqui, pode ser expressado como decepções de uma vida em uma década.

Fica aqui mais um registro desta excelente banda, que serve ao ouvinte (moribundo ou não), uma trilha sonora para reflexão, introspecção e por que não numa bela degustação de um bom vinho tinto.

Assim encerro desejando vida longa ao Shape of Despair e também espero por não ter que ficar mais 10 anos para uma próxima audição de um novo álbum.

Shape of Despair – Monotony Fields (Season of Mist)
1. Reaching the Innermost
2. Monotony Fields
3. Descending Inner Night
4. The Distant Dream of Life
5. Withdrawn
6. In Longing
7. The Blank Journey
8. Written in My Scars

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Resenha por: Rodrigo Bueno