Helevorn – Compassion Forlorn

coverQuatro anos se passaram desde o último lançamento desses espanhóis e muita coisa aconteceu nesse período. O mundo sofreu algumas mudanças drásticas, a seleção espanhola que foi a melhor do mundo em 2010, neste ano não estava muito bem das pernas e a pergunta que ficou era: Conseguiria o Helevorn lançar um álbum tão bom quanto o anterior Forthcoming Displeasures? E a resposta foi é: Sim.

Este é um álbum maduro, centrado e sofrido, um bom exemplo do que todo doomster aprecia.

O álbum abre com “The Inner Crumble” e já nos primeiros acordes temos um bom exemplo do que nos espera a audição de todo o álbum. Riffs arrastados, bateria lenta, climas sorumbáticos de piano/teclado e vocais extremamente depressivos, seja eles em forma gutural ou limpo.

“Burden me” já esteve presente aqui no Funeral Wedding em forma de video clip, e acaba sendo uma figurinha conhecida do álbum desses espanhóis. E em sua audição, no meu caso pelo menos, visualizo mentalmente algumas cenas do já citado video.

Podemos destacar a faixa seguinte, “Looters” como uma das melhores faixas do álbum. As vocalizações em tons mais altos em seu início e já entram rasgando no peito do ouvinte e nos deixa apático até o seu último acorde. Outro destaque para ela é a passagem de piano e voz, ali literalmente me deu vontade de entregar os pontos.

A próxima “Unified” cumpre bem o seu papel e é uma faixa boa, mas acabou ficando na sequência de uma outra melhor ainda, o que acabou ofuscando um pouco o seu brilho.

“Delusive Eyes” e “I am to Blame” não possuem o mesmo feeling das outras mas servem como um preparativo para o Grand Finale.

“Reason Dies Last” é aquela típica faixa doom, com riffs carregados de melodia e uma atmosfera depressiva, mas a parte que destrói o cidadão é o momento em que entra uma parte falada e em seguida uma frase em latim, próximo ao meio da música, e em seguida as vocalizações do “Mallorcan Doom Choir”. Ali se algum objeto cortante estiver perto de quem ouve o álbum, certamente os braços sofrerão algumas escoriações.

E para encerrar o álbum “Els Dies Tranquils”, que poderemos chamar de um poema musicado e temos a participação de Lisa Cuthbert nos vocais.

Há alguns detalhes no livreto do CD, que o artista poderia ter tratado com um pouco mais de “carinho”, mas isso é uma opinião minha, já que faz parte do meu trabalho diário.

 

Helevorn – Compassion Forlorn (BadMoodMan/Solitude-Prod)

1. The Inner Crumble

2. Burden Me

3. Looters

4. Unified

5. Delusive Eyes

6. I Am to Blame

7. Reason Dies Last

8. Els Dies Tranquils

 

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Evadne – Dethroned of Light

474160Eis que se passaram 10 anos desde o seu debut oficial, a demo ‘in the Bitterness of our Souls’ e para comemorar, esses espanhóis resolveram lançar esse EP que conta com 1 som inédito e 3 regravações.

A faixa de abertura e inédita é “Colossal” e em comparação ao excelente ‘The Shortest Way’, me pareceu um passo adiante. Algumas passagens dessa faixa me lembraram e muito os trabalhos mais recentes do Officium Triste, ou seja, além de melodioso, temos um excelente exemplo de um Death/Doom Metal. Um coisa que achei estranha foi a passagem no final da faixa, que parece que houve um corte seco e termina de forma inusitada.

A seguinte é “The Wanderer”, esta faixa esteve presente no já citado  ‘The Shortest Way’ mas de forma instrumental e aqui nessa regravação, temos a presença de uma linha vocal, e o que já era bom, ficou melhor. Instrumentalmente falando, não notei mudanças drásticas em seu andamento, mas a presença de vocal deu um outro parâmetro para essa música.

Seguindo adiante temos “Awaiting” e se a versão original contida no álbum ‘The 13th Condition’ já era excelente, aqui temos a presença ilustre de Natalie Koskinen, também conhecida por ser a voz feminina no Shape of Despair. Algumas nuances foram mantidas da versão original e nesta nova versão além de conter a sonoridade atual da banda, ela está um pouco mais sombria.

E para encerrar temos a faixa “Bleak Remembrance”, que figurou originalmente no trabalho de estreia. A primeira olhada a grosso modo, notamos que a faixa encolheu quase um minuto. Nesta nova versão não temos aquela passagem eletrônica que está presente na original e alguns andamentos foram “mudados”, mas a essência da música continua ali, intacta. para deixar registrado, temos a presença ilustre de J.F. Fiar (Foscor).

Em suma, um ótimo EP desta banda que a cada lançamento nos brinda com excelentes melodias e digo mais, garanta já a sua cópia, pois foram produzidos apenas 500 peças em embalagem luxuosa.

 

Evadne – Dethroned of Light (independente)

1. Colossal

2. The Wanderer

3. Awaiting

4. Bleak Remembrance

 

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Aphonic Threnody & Frowning – Of Graves, Of Worms, and Epitaphs

at_frowEste split foi lançado nos meados desse ano e devido a tanta correria não consegui parar para resenhá-lo. Mas eis que este dia chegou e cá estou.

Abrindo este split, temos este projeto internacional chamado Aphonic Threnody, que reúne músicos de vários lugares e neste material temos a presença ilustre de Jarno Salomaa (Shape of Despair) na faixa de abertura “Scorched Earth“. O riff de abertura é muito bom e logo na segunda passagem podemos ouvir as linhas de cello nos envolvendo numa onda de melancolia. Seguimos nesta lentidão até próximo da metade da música, onde temos uma pequena mudança de andamento. Aqui encontramos uma passagem acústica e até meio rústica, pois junto se mistura uns chiados de algo queimando.

Seguindo adiante temos a sombria “The Last Stand Against the Gloom“. Nesta faixa encontramos aquele típico toque Funeral Doom, com riffs lentos, bateria em “slow motion”, mas muito bem trabalhada e vocais cavernosos. É uma faixa extensa, como deve ser, e em sua metade temos uma passagem acústica, com violão e podemos ouvir uma linha de cello muito bem executada. As linhas de teclado ficaram por conta do também guitarrista e idealizador Riccardo Veronese, visto que no debut o responsável pelo teclado foi o Kostas (Landskap/Pantheist).

Começando a segunda parte deste split, temos “Funeral March” que é a primeira música da one-man band Frowning. Dando uma espiada em uma das lâminas deste digipak, consta que estas duas faixas foram gravas em 2011, mas vamos para a parte musica que é o que interessa.

Temos em sua abertura uma linha de baixo nos introduzindo a música e logo começam alguns “voices” de teclado, nos mesmos moldes do grandioso Songe D’Enfer fazia em seus tempos de vida. Logo temos a entrada de outros instrumentos, guitarra, bateria e os vocais desesperados de Val.

Algumas passagens dessa faixa me trouxe na lembrança o álbum The Fourth Dimension do Hypocrisy, talvez pela variação na linha dos vocais.

Para encerrar temos a excelente “In Solitude“, com seu início tocado no piano e logo sendo encorpado pelos outros instrumentos, mas quando entra a linha melódica da guitarra é que o bicho pega. Podemos dizer que essa faixa é uma montanha-russa de emoções. Na metade dela, ela ganha um pouco mais de velocidade para tão logo ter uma passagem pseudo-acústica e novamente descer até o fundo do poço.

Acredito eu que a versão digipak já tenha se esgotado, mas em tempos de internet , o moribundo ouvinte ainda poderá adquirir a versão digital.

 

Aphonic Threnody & Frowning – Of Graves, Of Worms, and Epitaphs (GS Productions)

1. Scorched Earth

2. The Last Stand Against the Gloom

3. Funeral March

4. In Solitude

 

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Aphonic Threnody

Frowning

Dantalion – Where Fear is Born

SR-0143Com dez anos de carreira o grupo espanhol, Dantalion, lançou neste ano de 2014, o seu quinto álbum de estúdio, Where Fear is Born. Soando bastante diferente dos primeiros trabalhos que claramente remetiam ao DSBM, o Dantalion de 2014 oferece ao ouvinte algo bem mais discreto e ameno que o som de outrora.

O Dark Doom Metal proposto aqui é muito menos atraente que de quando o grupo agregava o Black Metal ao Doom, soando muito melhor com os uivos completamente desesperados e angustiantes dos trabalhos que antecedem este.  Não entenda mal leitor, o som não é ruim, na realidade muito competente e satisfatório, mas nada além disso.

Por um outro lado, quem aprecia vocais mais voltados para o Death Metal e não gosta dos berros muitas vezes estridentes que costumam ouvir em bandas DSBM, vão achar o som extremamente agradável, pois sonoramente o grupo conseguiu uma densidade maior, até mesmo pelos vocais limpos que aparecem com freqüência.

Enfim, foi um passo diferente para o grupo, mas que ainda cultiva o Doom em sua essência, não deixando ninguém na mão quando se trata de fornecer a obscuridade sonora que tanto procuramos.

 

Dantalion – Where Fear is Born (Sleaszy Rider Records)

1. Revenge In The Cold Night
2. Raven’s Dawn
3. Lost In An Old Memory
4. The Tree Of The Shadows
5. Nightmare
6. Listening To The Suffering Of The Wind
7. Black Blood, Red Sky

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Sleaszy Rider


Resenha por: Guilherme Rocha