Entrevista: Doomsday Fest (Qerberos, Contempty, Saturndust, Abske Fides)

Prestes a acontecer a segunda edição do Doomsday Fest, o idealizador Rafael Sade fez uma pocket entrevista com as bandas participantes, para saber delas o que pensam à respeito do fest, da cena Doom Metal no Brasil e o que os apreciadores do estilo poderão esperar das bandas nesse dia 26/10 que se aproxima.


1- O Doomsday Fest chega a sua segunda edição, após a primeira edição ser muito bem aceita pela crítica/público. O que esperam desta edição?

Nihil (Abske Fides): A primeira edição do Doomsday Fest ajudou a preencher uma grande lacuna de eventos específicos voltados para o Doom Metal em São Paulo. Esperamos que a sua segunda edição tenha tanto sucesso quanto a primeira e consolide o evento na agenda anual da cidade.

 

Anderson (Comtempty): Que a galera compareça e de força ao evento, e que todos em comum possam desfrutar de um evento incrível como este, totalmente voltado ao Doom. 

 

Felipe Dalam (Saturndust): É interessante participar novamente do festival, da outra vez tocamos como duo e ainda sim foi muito gratificante.

 

Felipe Nascimento (Qerbero): O Doomsday é um festival precedido pela sua reputação.

O Qerbero fica muito honrado por ter sido convidado para participar. Achamos que é um patamar acima da nossa história no sentido de organização e produção.

E é bem legal poder tocar para um público que não é exatamente no círculo com qual estamos habituados.

 

 

2 – O número de bandas e público do estilo tem crescido consideravelmente durante os anos. Qual seria o motivo?

Nihil: Atualmente existe um certo movimento “retrô” no Heavy Metal que se mistura facilmente com propostas mais modernas. A internet tem dado conta de concentrar toda essa diversidade e fazer o casamento entre o velho e o novo. Com o Doom Metal isso não é diferente, pois o estilo tem atraído fãs de diversos backgrounds e um público novo acostumado com diversas referências. Isso se manifesta pela grande quantidade de sub-gêneros como stoner, sludge, funeral, folk, drone, etc.

 

Anderson: Acredito que blogs e redes sociais são bastante responsáveis por tal crescimento.

Para quem faz músicas do estilo, a obra criada representa mais que somente notas musicais em harmonia, mas uma maneira de se expressar sentimentalmente.

 

Felipe D. : Acredito que as bandas do festival sejam de estilos bem variados na verdade, principalmente a nossa.

 

Felipe N. :  Difícil responder decentemente. Provavelmente porque com a Internet e a facilidade de se obter informações de qualquer tipo facilite também a descoberta de estilos musicais subvalorizados ou meio esquecidos em diferentes contextos.

Podemos dizer que temos mais ou menos a mesma proposta musical desde 2008 ou 2009, muito antes do doom ser mais aceito como hoje, tendo em vista, obviamente, o contexto que temos a oportunidade de participar que são rolês mais ligados ao punk. Hoje a coisa tá tão desenvolvida nesse meio que não é mais surpreendente podermos compartilhar um evento inteiro com bandas lentas ou com temáticas semelhantes. A 5, 6 anos atrás era muito difícil disso acontecer.

 

 

3 – Vocês notam o retorno do público nos shows e na procura por merchandise ?

Nihil: Sim. Além da presença nos shows e nas redes sociais, também temos alguns CDs e camisetas sendo vendidas.

 

Anderson: Sim, certamente. As pessoas que curtem, voltam e procuram material da banda

 

Felipe D. : Por conta do certo hype do stoner/doom/afins aqui no Brasil, sim, por sorte somos considerados de uma forma até um exemplo do que vem acontecendo. O feedback tem sido bom, mas preferimos nos focar no som e não em um rótulo como certas bandas que estamos vendo surgir.

 

Felipe N. : Ah sim. A procura é absurda, nós que ficamos devendo um pouco porque não temos materiais bons o suficiente pra colocar na roda.

Somos notadamente uma banda problemática quanto à continuidade, sempre estamos um pouco atrasadoos em comparação a outras bandas que admiramos e temos notícias. Mas pelo menos umas camisetas vão rolar nesse show!

 

 

4 – O que o público pode esperar de vocês neste festival?

Nihil: O de sempre: peso, lentidão e más energias.

 

Anderson: Esperem um show memorável, para que possamos somar forças em prol do Doom Metal.

 

Felipe D. : Preferimos não deixar pistas, mas é bem possível que toquemos o novo full-lenght na íntegra!

 

Felipe N. : Mais uma tentativa honesta de firmar a banda, com uma proposta musical que vai ser passada com qualidade já que rolará uma estrutura bacana. Somos muito gratos por isso.

Podem esperar aplicação e honestidade.

 

Serviço:
doomsssLast Time Produções orgulhosamente apresenta:

 

DOOMSDAY FEST – 2º EDIÇÃO

O FESTIVAL 100% DOOM METAL DO BRASIL!

 

com as bandas:

Abske Fides (SP) – Funeral Death/Doom
Qerbero (SP) – Sludge/Doom
Saturndust (SP) – Stoner/Doom
Contempty (Rio Pomba – MG) – Death/Doom

 

MORFEUS CLUB
Rua Ana Cintra, 110 – Ao lado do metrô Sta Cecília

Entrada – R$15

 

PROMOÇÕES:

Email: listaslasttime@gmail.com (com o assunto INGRESSO DOOMSDAY para ingresso antecipado ou DOOMSDAY FEST para os sorteios)

Clique no link, curta a página da Last Time Produções, curta e compartilhe o flyer do festival, e concorra a 2 entradas VIP :https://www.facebook.com/lasttimeproducoes/photos/a.393925977369908.87713.393917770704062/664745863621250/?type=1&theater

Profetus – As All Seasons Die

profetus as all seasons dieGravado nas névoas brancas de verão de 2013 e em diversas partes da Finlândia, este quarto opus desse Funeral Doom que me chega as mãos.

Este álbum trás uma formação diferente do que gravou o álbum anterior, com a saída de S. Kujansuu e dando lugar a N. Nieminem nos órgãos e tivemos a saída de E. Kuismin para a entrada de D. Lowndes nas guitarras, além da adição de uma terceira guitarra (barítona), sendo tocada por M. Mäkelä. Este ficou conhecido por seu trabalho nas bandas como Tyranny e Wormphlegm.

Este EP é de certa forma temático, visto que cada faixa representa uma estação do ano. Abrindo com “The Rebirth of Sorrow”, onde temos aquele característico som das linhas de órgão de igreja dando o clima moribundo e os vocais falados de A. Mäkinen e adição de linhas acústicas de violão.

Seguindo para próxima estação temos “A Reverie (Midsummer’s Dying Throes)”, e aqui temos aquele velho Profetus, música extremamente longa, morosa, com batidas cadenciadas de bateria, aquele vocal sufocante e atmosfera cortante. Temos uma estação toda passando por nós e a sensação de envelhecer meses em apenas pouco mais de 10 minutos.

Seguindo adiante temos a vez do depressivo outono, com a faixa “Dead are our Leaves of Autumn”. Essa música já começa de forma arrastada e os vocais de Anssi ecoam na mente. Temos uma bela linha de guitarra, isso sem contar que essa faixa tem a participação de J. Hartwig do Mournful Congregation, em um solo infindável de guitarra, numa influência floydiana.

Para encerrar temos “The Dire Womb of Winter”. A maior faixa do álbum e assim como o inverno finlandês, essa música é extremamente gélida e introspectiva.

Para o amante dessa vertente sonora, fica a possibilidade de aquisição desse material em diferentes formatos.

A versão LP e digital que está sendo distribuído pelo selo finlandês Svart Records e a versão digipak luxuosa pelo selo japonês Weird Truth Productions.

Aos interessados, entre em contato com a banda no link abaixo e tenha um ano de depressão em menos de 37 minutos.

 

Profetus – As All Seasons Die (Svart Records/Weird Truth Productions)

1. The Rebirth of Sorrow

2. A Reverie (Midsummer’s Dying Throes)

3. Dead are our Leaves of Autumn

4. The Dire Womb of Winter

 

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Svart Records

Weird Truth Productions

The Morningside – Letters From The Empty Towns

a1431974914_10Se o Funeral Wedding fosse um blog genérico e resenhasse todo e qualquer tipo de metal, certamente este disco estaria figurando com uma das melhores notas. Mas como a nossa temática é voltada ao Doom Metal/vertentes, irei explicar melhor o porque da nota abaixo da média.

Apesar da produção ser maravilhosa, a audição de todos os instrumentos com muita clareza, o peso das guitarras é algo absurdo. As letras repletas de críticas sociais e urbanas e o trabalho gráfico é excelente.

Lembro de ter visto no grupo da banda do facebook, que estariam preparando um novo material e isso me encheu de esperanças para poder continuar a ouvir aquelas lindas melodias de guitarras e andamentos mais lentos.

Mas já no primeiro acorde desse álbum, da faixa “Immersion”, notamos que a proposta apresentada será exatamente o oposto.

Um som mais extremo, lembrando aquilo que a banda Death vinha fazendo nos últimos 3 álbuns, algumas influências de Melodic Death Metal encontramos aqui e ali também.

Nem mesmo as cadenciadas “Deadlock Drive” ou “Ghost Lights” com suas linha de guitarra que lembram os trabalhos antigos em algumas passagens, salvariam o álbum e o trariam de volta ao Doom.

“Sidewalk Shuffle” e seu riff introdutório me trouxe a mente a faixa Heartwork do álbum homônimo do Carcass, num mix com a banda finlandesa Gandalf.

“On the Quayside” e sua passagem mezzo acústica e linhas de vocais limpos que lógicamente lembrariam Opeth e afins.

“The Traffic Guardian” é outra faixa que lembra os trabalhos do Carcass, do já citado Heartwork.

Indicado para os órfãos da banda Death, Opeth e fãs de Melodic Death Metal em geral.

Agora, eu vou voltar para os álbuns antigos e esperar por um novo material naquela linha antes de declarar morta mais uma excelente banda de Doom Metal.

 

The Morningside – Letters From The Empty Towns (BadMoodMan/Solitude-Prod)

1. Immersion

2. One Flew (Over The Street)

3. Deadlock Drive

4. Sidewalk Shuffle

5. On The Quayside

6. The Traffic Guard

7. The Outside Waltz

8. Ghost Lights

9. The Letter

 

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Solitude-Prod

John Garcia – John Garcia

PromoImageVocê levanta cedo num dia de verão e resolve pegar a estrada, sem destino qualquer. É esse o sentimento que esse álbum me passa, ou seja, total liberdade.

Esse play abre com a faixa “My Mind” e nos brinda com um belo Stoner Rock. Essa faixa rendeu o primeiro video promocional do álbum.

Na sequência temos “Rolling Stoned”, que trata-se de um cover da banda estadunidense Black Mastiff e segue na mesma pegada da versão original, só que melhor acabada. Destaque para as linhas de marcantes de baixo, isso sem mencionar o riff empolgante de guitarra.

Seguindo nesse embalo Stoner/Desert Rock temos “Flower”, e acredito que essa música é a que mais lembra os tempos remotos do Kyuss.

Por se tratar de um álbum solo temos diversos convidados,  músicos do calibre de Danko Jones, Tom Brayton, Mark Diamond e seu ex-companheiro de banda Nick Olivieri.

Indo para uma direção mais bluesy temos “The Blvd”. Com um riff mais intimista, ela vai cativando aos poucos até ir para o refrão, onde os vocais de Garcia subirem de tom e a faixa ganhar um pouco mais de peso.

“Confusion” é uma faixa estranha, e poderia ter sido chamada de azia. Dependendo do seu estado emocional ou o que esteja fazendo, ela passa batido, mas não é uma faixa em que você irá tê-la como referência para o álbum.

Para elevar o nível do álbum temos “His Bullets Energy”, que segue com riff intrincado de seu início até a metade da música, para na sequência cair numa bela melodia e voltar para àquele riff. “Argleben” tem um riff estranho de guitarra e não menos empolgante. Ele soa audível, mas mantém um certo grau de sujeira em suas linhas.

Seguindo em direção ao fim do álbum, temos a curta e não menos empolgante “Saddleback” e “All These Walls”, essa última merece um destaque para as linhas de baixo, que são bem “nervosas”.

E para encerrar em paz, temos “Her Bullets Energy”. Essa faixa mezzo acústica temos o convidado mais que especial, se trata de sr. Robby Krieger, legendário guitarrista do The Doors, o que não precisamos dizer mais nada.

Mesmo que essa linha sonora, Desert/Stoner Rock, não seja a sua praia, vale uma ouvida nesse play pois a diversão é garantida.

 

John Garcia – John Garcia (Napalm Records)

1. My Mind

2. Rolling Stoned

3. Flower

4. The Blvd

5. 5000 Miles

6. Confusion

7. His Bullets’ Energy

8. Argleben

9. Saddleback

10. All these Walls

11. Her Bullets’ Energy

 

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Napalm Records

Aathma – Deadly Lake

a1200753445_10Novíssimo EP desse quarteto espanhol, lançado em LP 12″ pela Discos Macarras e pelos seus parceiros Nooirax Producciones, Sacramento Records, Odio Sonoro e Marchalenta Records.

Este EP contém apenas 4 faixas, sendo a inédita que dá nome a esse material e o restante é o material contido em sua demo de estreia “Woods Sessions”, que nunca foi lançada oficialmente, apenas passada no boca a boca pela galera underground em formato CD-R.

“Deadly Lake” começa com uma parte meio atmosférica, para logo entrar o riff introdutório de guitarra. Esse riff é tão miserável, que o pouco que é tocado já nos transmite um certo ar de melancolia. Ao decorrer da música e seu estilo Sludge/Doom Metal, temos uma passagem altamente depressiva e que em muitas vezes me lembra os portugueses do Before the Rain. A linha melancólica abordado pelo guitarrista e também vocalista Juan, casou tão bem com essa proposta que se arrasta até o final da faixa e ela não fica cansativa devido ao belo trabalho de bateria de Álex.

Na sequência temos as faixas que foram gravadas em 2008 para o ja mencionado Woods Sessions. A proposta é a mesma, ou seja, Sludge/Doom Metal, com passagens com andamentos quebrados e algumas vezes arrastados.

“Valpur” da andamento ao play, e seu início melancólico e com algumas vocalizações na linha do Dreadful Shadows, em tons graves, mostra que a depressão bateu e ficou no cidadão.

“In the Deep Dark Woods”, é apenas um presságio que serve de abertura para “G.O.D.”.  Esta faixa tem um andamento bem específico, tem um riff cavernoso e a bateria é cheio de pausas. Os vocais me lembraram os de Johan Edlund do falecido Tiamat, não sei se pela forma de cantar ou como foi encaixado o vocal.

Para quem não conhecia a banda, assim como eu, este EP serve muito bem para te situar no som que ela faz e lhe instiga a correr atrás de outros trampos deles.

 

Aathma – Deadly Lake (Discos Macarras)

LadoA

1. Deadly Lake

 

Lado B

2. Valpur (Woods Sessions)

3. In the Deep Dark Woods (Woods Sessions)

4. G.O.D. (Woods Sessions)

 

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Discos Macarras

Projeto Doomemory

Caros doomsters,

Há em curso um projeto bastante ambicioso: reunir um grande acervo material sobre a história do doom metal no Brasil. Trata-se de um trabalho colaborativo que visa concentrar raridades, gravações, filmagens, fotografias, cartazes, depoimentos, etc. de bandas, divulgadores, escritores de zines e fãs. Depois de organizado, esse acervo poderá ser disponibilizado online para futuras consultas e servir de base para a produção de novos materiais, como um livro ou até mesmo um pequeno documentário.

10717641_777590888949523_1668635601_nO enfoque não será meramente informativo, mas com uma perspectiva que envolva aspectos históricos, sociais e culturais. Não pretende-se construir uma memória do doom metal no Brasil que valorize apenas bandas clássicas, embora elas mereçam seus devidos lugares. É relevante resgatar também aqueles que de certa forma passaram pelo underground e por suas razões não continuaram: bandas extintas, ex-escritores de zines, antigos fãs, etc.

O primeiro passo agora é convocar todos aqueles que queiram contribuir com a coleta desse material. Inicialmente nosso período está à década de 1990. São bem vindos todos os envolvidos com o gênero, principalmente aqueles que estão envolvidos há muitos anos nessa empreitada. Entre em contato, procure saber mais e contribua como puder.

O projeto é de pesquisadores independentes e NÃO POSSUI vínculos com qualquer organização formal ou informal. Na primeira nota pública emitida, o projeto esteve associado ao grupo “Doom Metal-BR”, divulgadores do Doom Metal bastante reconhecidos há anos. Presta-se total apoio aos seus fundadores, porém o trabalho historiográfico será realizado de forma autônoma.

 

Organizadores: Cielinszka W. – Frederico Tavares

 

Email: doomemory@gmail.com

 

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