Vassafor / Sinistrous Diabolus – Split LP

sinistrous diabolus sideVejam como são as coisas, estava dando uma olhada nos promos que recebo por esses tempos e me deparo com esse que vos resenho.

É um split-LP lançado pelo selo Iron Bonehead e contém duas bandas do cenário australiano. Ambas as banda já possui uma certa base sólida, pois foram fundadas na década de 90.

O lado A desse play é com a banda Vassafor, onde tocam um som mais voltado ao Black/Death Metal. A primeira metade da música, tem uma levada bem esporrenta e ríspida, lembrando as bandas de black metal da época como Blasphemy. Da segunda metade em diante o som se torna mais cadenciado e uma certa pitada de Doom Metal podemos sentir nela.

A segunda e última faixa do lado A, começa também de forma lenta, mas na chegada ao terceiro minuto, temos uma mudança de andamento até irmos em direção a pancadaria. Mantendo-se nessas nuances de ora mais lenta, alternando com a agressividade vamos seguindo até o final desse lado do disco. Essa segunda faixa me lembrou o Ancient Rites daquele split 7″ com o Thou Art Lord.

Iniciando o lado B desse vinil, temos o Sinistrous Diabolus e o que encontramos nesses 20 minutos de música: atmosfera densa, se sentir envolto por uma névoa macabra e um sentimento de repúdio à raça humana.

Instrumentalmente falando, o som me lembrou um pouco bandas como Tyranny/Wormphlegm e algumas passagens um pouco mais cadenciadas numa levada a lá Evoken. Se você é fã dessa vertente sonora e se encarna em alguns momentos depreciativos, eis o próximo material que deverá conferir.

Dê uma passada no bandcamp deles, lá você encontrará alguns materiais antigos para download “free”.

 

Vassafor / Sinistrous Diabolus – Split LP (Iron Bonehead Productions)

A1.Vassafor – Ossuary in Darkness

A2.Vassafor – Son of the Moon

B1. Sinistrous Diabolus – Aeon Tenebris – Aeon Lacrimis – Aeon Mortem

 

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Nothing – Guilty of Everything

guiltyofeverything_364Banda formada nos idos de 2011 por Domenic Palermo, após ter passado um tempo recluso do meio musical, depois que cumpriu uma pena de 2 anos por ter esfaqueado um cidadão em uma briga.

Após uma demo lançada sob a alcunha de “Poshlost”, e numa vontade de ter uma formação estável, eis que encontra com Brandon Setta e aí está o embrião criativo intitulado de Nothing.

Lá no início da carreira musical de Palermo, ele era a mente criativa de uma banda hc/punk chamada Horror Show e após o incidente que mencionei no início, acredito que esses tempos de reclusão fizeram com que exteriorizasse esse sentimento de amargura e uma certa dose de melancolia que é sentida desde os primeiros acordes de “Hymn to the Pillory”.

“Dig” soa como seria se o Neige do Alcest, resolvesse fazer uma jam session com o pessoal do My Bloody Valentine.

Para situar o leitor, o som aqui é calcado no Post Metal/Shoegaze, mas mantém também uma influência Post Punk muito latente, e podemos sentir um toque de Jesus and Mary Chain, principalmente na faixa “Get Well”.

As músicas não são longas e quando você menos espera o álbum já acabou. Mas a vontade de ouvir novamente vem à tona, pelo menos em meu caso, pois é um álbum de fácil audição.

Os vocais de Palermo são cativantes e de certa forma suaves e seu timbre lembra de longe os de Kevin Shields.

Destaques desse álbum são, além das já citadas: “Endlessly”, “Somersault” e sua viagem musical, “Guilty of Everything”, isso para não acabar citando o álbum todo.

Se você curte alguns momentos de introspecção, reflexão sobre a vida que tens levado, ou apenas curte ouvir um som com uma carga depreciativa, eis o disco que procurava.

 

Nothing – Guilty of Everything (Relapse)

1. Hymn To The Pillory

2. Dig

3. Bent Nail

4. Endlessly

5. Somersault

6. Get Well

7. Beat Around The Bush

8. B&E

9. Guilty Of Everything

 

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Relapse

Crypt of Silence – Beyond Shades

sp085-14Às vezes fico pasmo de como pode surgir bandas com grande qualidade dos países que menos esperamos. Vindos da longínqua Ucrânia e agora também conturbada Ucrânia, este grupo está na ativa desde 2009 e somente agora lançaram seu primeiro álbum, Beyond Shades e posso adiantar que o resultado é muito agradável para quem gosta de Doom/Death Metal.

Composto por: Andriy Pabif (Bateria), Romam Kharandyuk (guitarra), Roman Komyati (guitarra) e Mikhael Graver (Vocai e Baixo) o grupo lança seu primeiro álbum pelo selo da Solitude Productions com o resultado bastante agradável, apostando forte no peso das guitarras e abrindo algumas brechas para alguns vocais limpos de Mikhael.

Possuindo apenas 4 longas faixas o álbum pode perder um pouco o impacto que devia causar pela metade da terceira faixa. Talvez o grupo pudesse apostar em dividir as faixas e diminuir o tempo de cada música aumentando o número de faixas, o que poderia aumentar a aceitação de outros ouvintes fora do gênero Doom Metal. Por outro lado você ouvinte compartilha da minha visão de que o trabalho deve ser admirado como a banda o lançou vai perceber na metade da terceira faixa, “The Wrath Song”, (que por obséquio é a melhor faixa do álbum) o álbum é um álbum para se escutar somente quando você puder dar muita atenção á ele e que merece mais do que três audições para que se possa tirar uma conclusão decente do trabalho que é apresentado pelos ucranianos.

Concluindo, escute este álbum com muita atenção, pois em suas quatro longas canções escondem-se muitos detalhes que podem lhe passar despercebidos, o que pode empobrecer a experiência da audição deste trabalho. Um honesto e digno trabalho que vale a algumas audições!

 

Crypt of Silence – Beyond Shades (Solitude-Prod.)
1. Walk With My Sorrow

2. Bleeding Her Eyes

3. The Wrath Song

4. End Of Imaginary Line

 

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Solitude-Prod

Resenha por: Guilherme Rocha

Bullet Course – Into the Solitude

bcHoje em dia no Heavy Metal muitas bandas tentam buscar a identidade própria, outras nem se dão trabalho, fazendo o feijão com a arroz, apostando em  fórmulas prontas ou em algum gênero que que esta sendo mais visado comercialmente. Toda essa busca por diferenciação é obvia: quanto mais criativo se é, mais rápido vai se destacar e consequentemente mais visada vai ser a banda.

Pois bem, o Doom Metal é com certeza o gênero menos visado comercialmente dentre todos dentro do Heavy Metal, mas não é por isso que todas as bandas que pretendem seguir por essa trilha estão isentas regra que explanei no primeiro parágrafo, na verdade creio que a busca por diferenciação sonora nesse gênero deve de ser ainda mais intensa, tendo em vista que é um gênero que é baseado totalmente no sentimento, deve haver uma conexão muito forte entre banda e ouvinte, e esse sentimento de conexão, quase hipnótico que o grupo Bullet Course apresenta com muita qualidade.

Em atividade desde 2010, o grupo natural de Curitiba, lançou seu primeiro EP contendo 3 canções no ano de 2013 e o resultado é incrivelmente sensacional, de entorpecer. Ainda que seja um EP com apenas três faixas (uma pena), já podemos notar que o grupo consegue chamar a atenção do ouvinte, seja pelas estruturas de composição, que não nada maçantes, mas principalmente pelo uso do Cello no lugar do, às vezes não tão eficiente teclado.

Cielinszka Wielewski, é quem fica encarregada de dar o toque melancólico e é sem sombra de duvidas o que deixa o som destes curitibanos mais interessantes. O uso de instrumentos como o Cello ou violino sempre é mais intenso e válido do que sintetizar esse som pelo meio do teclado. O resultado e muito mais impactante, faz toda diferença, sem contar que em shows ao vivo a intensidade fica ainda maior, seja sonoramente ou visualmente.

Enfim, se você está procurando algo que não seja sintetizado, já programado como geralmente é a grande maioria dos grupos, recomendo e muito este EP. Agora é só ficar de olho no grupo e esperar pelo primeiro Full-Lenght.

 

Bullet Course – Into the Solitude (independente)

1. Into the Solitude  (instrumental)

2. Wild

3. Rusty Leaves Fall

 

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Resenha por: Guilherme Rocha