Domovoyd – Oh Sensibility

Domovoyd Oh SensibilityAo colocar o play desses finlandeses pra rodar, logo me vem a mente o saudoso sr. Oswaldo com a sua célebre frase: – É a psicodelia, cara!.

Após uma breve introdução que abre esse play, essa banda nova de Doom/Stoner Metal investe pesado nas viagens lisérgicas, no peso de suas guitarras e isso fica evidente já nos primeiros acordes de “Incarnation”. A faixa tem linhas marcantes de guitarra e os vocais de Oskar Tunderberg me lembraram os de Jus Oborn do saudoso Electric Wizard. A faixa termina de modo arrastado, abrindo passagem para “By Taking Breath”. Aqui a viagem vai se tornando maior, ainda mais se o ouvinte se deixar levar pelos vocais caóticos de Oskar e o instrumental enigmático que a massa sonora produzida por esses finlandeses, é capaz de gerar.

De volta a realidade, damos continuidade ao álbum com “Lamia”, outra música viajandona, apesar de seu início mais cadenciado. A faixa prossegue assim como as outras, ou seja, muita viagem em meio ao caos criado pelos vocais e termina de forma calma.

Toda aquela calmaria do final da música anterior, abre caminho para a “Effluvial Condenser”. Essa é uma faixa instrumental e aqui não encontramos nada de clima de teclado, ou qualquer tipo de interlúdio, aqui a brisa bate forte e a viagem é quase sem volta. Eu particularmente aprecio esse tipo de som, pois mesmo não sendo usuário de substâncias ilícitas, essas viagens musicais me permitem refletir sobre muitas coisas.

E para fechar o play temos “Argentum Astrum”, que além de ser a maior do disco, com pouco mais de 16 minutos, ela prossegue na mesma vibe psicodélica.

Para quem já conhecia os materiais anteriores (demo/EP), já sabe o que esperar desse material aqui. Para aqueles que desejam viajar, logo abaixo tem o link do Bandcamp deles e lá podem conferir este álbum via streaming e também é possível baixar grátis os EP’s deles.

 

Domovoyd – Oh Sensibility (Svart Records)

1. Introduction

2. Incarnation

3. By Taking Breath

4. Lamia

5. Effluvial Condenser

6. Argenteum Astrum

 

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Svart Records

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Acid Witch / Nunslaughter – Spooky

PromoImage-1Spooky é o nome dado ao split de duas bandas estadunidense, Acid Witch e Nunslaughter. E devido ao Funeral Wedding ser um blog dedicado ao Doom Metal e vertentes, ficaria um tanto estranho resenhar um material pela metade, ainda mais se tratando de um split 7″ com apenas 4 músicas.

O lado A da bolachinha abre com Acid Witch tocando a faixa “Evil”.

O som do Acid Witch é bem característico e une linhas do Doom/Death Metal com uma pegada de Horror e Psicodelia em suas músicas, fato esse pode ser notado quando há inserção dos teclados. Essa música mantém um clima obscuro e soturno que muito me lembrou a saudosa demo do Songe D’Enfer.

A segunda música é da banda Nunslaughter e para quem já é familiarizado com o som deles, sabe que o buraco é mais embaixo quando eles empunham seus instrumentos e mandam ver em seu “Devil Metal”. Mas nessa faixa “Spooky Tails” a levada é bem mais cadenciada, em momento algum chegam a flertar com o Doom Metal, mas é diferente da faixa de abertura do Lado B, “A Sordid Past” que além da possuir apenas 1:50 ela é bem rápida e podre. No final podemos encontrar uma pequena mudança em seu andamento.

Fechando esse split temos novamente a Acid Witch com a faixa “Fiends of Old”, e traz consigo uma proposta diferente da faixa de abertura. Ela começa com um sampler que me parece ser de um noticiário e na sequência encontramos os mesmos teclados sinistros de outrora, só que o andamento dela é bem mais rápido, beirando o Death Metal Old School.

Um excelente lançamento da Hells Headbanger que irá trazer bons momentos em sua audição, mas podemos lamentar apenas por ser muito curto.

 

Acid Witch / Nunslaughter – Spooky (Hells Headbanger Records)

1. Acid Witch – Evil

2. Nunslaughter – Spooky Tails

3. Nunslaughter – A Sordid Past

4. Acid Witch – Fiends of Old

 

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Hells Headbanger Recs

Aut Mori – Pervaja Sleza Oseni

bmm055-12Em atividade desde 2009 o grupo russo, Aut Mori lançou seu debut álbum em 2012. Pervaja Sleza Oseni é um típico álbum de Gothic/Doom Metal, que aposta muito na emoção que os vocais no estilo, “Bela e a Fera”, podem proporcionar, ou não. Falo isso porque existem muitas bandas excelentes nesse sentindo, apresentando trabalhos de muita qualidade e criatividade, coisa que os russos ficaram devendo.

Vamos ao álbum. Um bom álbum do começo ao fim, sim! Bem produzido, muito bem feito, mas nada, além disso. Não é um álbum que chame muita atenção, tendo em vista que existem muitas bandas nesse estilo, e certamente uma que podemos citar em comparação é o, Draconian, que estes russos devem tomar como inspiração. Creio que uma banda que inicia sua carreira deva apresentar algo á mais, seja em técnica ou inovação para não ser esquecida, ou só mais uma entre outras tantas, e com certeza não é com este lançamento que os russos conseguiram o destaque necessário.

Algumas canções se destacam as primeiras principalmente, “Moja Pesnja – Tishina” e a melhor do álbum, “Nebo” e talvez eu esteja citando elas porque depois delas tudo é muito parecido, não atrai a atenção do ouvinte, parecendo um circulo vicioso, mesmices. Outro aspecto pode interferir são as músicas cantadas em somente em russo, isso não é era pra ser um problema, mas acaba se tornando pelo álbum ser inconsistente abrindo uma brecha para o ouvinte crer que se fosse cantado em inglês poderia ter ficado melhor.

Enfim, se você é um fã de Gothic/Doom Metal na linha de Draconian, dê uma chance á Aut Mori. Vale conferir pelo trabalho bem feito e para apoiar próximos trabalhos que podem ficar ter um resultado final melhor

 

Aut Mori – Pervaja Sleza Oseni (BadMoodMan/Solitude Prod)

1. Pervaja Sleza Oseni

2. Moja Pesnja – Tishina

3. Nebo

4. Prowaj

5. Moj Vechnyj Dozhd’

6. Zhdi

7. Jelegija Bezmjatezhnosti

8. Na Scene Osen

 

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Solitude Prod

 

Resenha por: Guilherme Rocha

Mortiferik – Empire of Sadness Return

Mortiferik - Empire of Sadness Returns (2013)Em atividade desde 1998, a banda Mortiferik, é do estado do Rio de Janeiro, e o gênero que é executado por esta banda, que é composta apenas pro um integrante é o Funeral Doom/Death Metal. Com duas demos lançadas uma em, 1998 e outra em 2012, (Memory e Agony in Silence respectivamente) Anderson Amorphis nos presenteou em 2013 com o lançamento do EP, Empire of Sadness Return, passando um leve recado de que está aí marcar presença definitiva na cena Doom Metal, cena essa que é pouco valorizada pela maioria dos headbangers.

O EP começa com uma breve intro, com um pouco mais de dois minutos de duração, com uma vocalização mais aproximada do DSBM, mudando logo depois para uma narração bastante chamativa, prendendo o ouvinte de cara. Gostaria primeiramente de exaltar o vocal de Anderson, sendo as partes narradas seu ponto forte, lembrando brevemente Fernando Ribeiro, do Moonspell.

Após a intro, temos “Death Infection”, que soa talvez demasiadamente arrastada demais, obviamente que o gênero requer isso, mas talvez pela sua duração de um pouco mais de 9 minutos ela precisasse de algumas passagens mais criativas e um pouco mais rápidas. Mas não se engane, não é uma canção meia boca, é uma excelente canção, e faz jus tremendo ao gênero.

Então chegamos a obra do EP, “Energies of Darkness” é deveras carrega de escuridão. Canção densa e pesadíssima, com belos riffs e uma percussão digníssima de elogios. Chegando ao derradeiro final da canção ela o prende novamente por meio de sussurros de Anderson e um belo trabalho atmosférico do teclado.

O EP termina de forma muito envolvente assim como ele começou, com narrações e uma bela passagem cantada em português. Isso faz todo o diferencial se você quer realmente ouvir algo que saia dos dogmas normais de uma canção de Heavy Metal, pois penso que as bandas que tocam quaisquer subgêneros do Heavy Metal e cantam em nossa língua de origem devem ser exaltadas, ganhar um destaque á mais. Sensacional o fechamento deste EP que deixa ansioso para ouvir um álbum inteiro. Sabemos que é um longo e árduo caminho ainda mais para quem trabalha sozinho e de maneira totalmente independente, mas a maquina não pode parar e existem sim, ainda que poucos ouvintes desse magnifico subgênero que quando apreciado deve se tomar a maior das atenções para não perder nenhum detalhe da arte que esta sendo proporcionada. Vale a pena os 22 minutos de audição, Confira ouvinte/leitor!

 

Mortiferik – Empire of Sadness Return (Independente)
1. Lamentations of Lost Dreams
2. Death Infection
3. Energies of Darkness
4. Only Agony

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Resenha por: Guilherme Rocha

Kröwnn – Hyborian Age

a2272362860_10Lembro de um tempo atrás, no final dos anos 90, início dos 2000, onde tive um envolvimento maior com inúmeras bandas graças a internet e sua facilidade de acesso. Me lembro também de muitas bandas italianas que conheci e que poucas ou quase nenhuma me agradava e muitas vezes me perguntava, como que um país com inúmeras qualidades em todas as áreas, seja ela culinária, artes, engenharia, não conseguia produzir bandas de qualidade?. Talvez eu estivesse procurando no lugar errado, e hoje me sinto agraciado por conhecer muitas bandas vindo do país da bota e todas elas tendo suas particularidades e suas qualidade. Bandas como (EchO), Urna, Whales and Aurora, Black Capricorn, Black Oath, entre outras e agora Kröwnn.

Apesar de seu pouco tempo de estrada, a banda foi formada no verão de 2012, esse trio vem fazendo músicas de qualidade, como é visto nesse material de estreia intitulado Hyborian Age.

Tendo os pés fincados no Doom Tradicional, podemos sentir uma pequena influência de Sludge em seu som.

Todas as 6 faixas contidas nesse material são de um bom gosto impressionante, que leva muito peso e melodia cativante, com algumas mudanças de andamento bem marcantes.

O play abre com “For the Throne of Fire”, passando por “The Woodwose” e logo emendando em “At the Cromlech” e sua alternância em seu andamento, sendo um belo convite para bater cabeça.

A cozinha da banda é muito bem segurada pelas belas Silvia e Elena (baixista e baterista respectivamente), mas um destaque especial para o guitarrista/vocalista Michele que segura muito bem a guitarra com um certo groove em suas palhetadas e um vocal ligeiramente hipnotizante.

Seguindo em frente nesse play, temos a melhor faixa de todas “Gods of Magnitogorsk”, que começa com um riff de guitarra certeiro para tão logo ser acompanhado pelas duas garotas e dar início a sua viagem ao pântano. Nessa faixa o trampo de bateria de Elena merece um destaque especial pela suas variações de batidas.

Indo em frente temos a instrumental “Stormborn”, que começa com um riff convidativo ao headbanging e assim segue música a dentro. Destaque para suas variações ritmicas e para os frasedos de baixo de Silvia em seu baixo, não deixando a música maçante em nenhum momento.

E para encerrar temos “The Melnibonean”, que inicia de uma forma mais arrastada que as faixas anteriores, sendo um excelente final. Alguns trechos de vocais de Michele me lembraram, ao longe, os vocais de Peter Steele na faixa Love you to Death, só que não tão graves. Podemos destacar também a linha de baixo precisa de Silvia e o “groove” de bateria de Elena.

Espero que esse trio italiano lance logo o seu debut album, para deleite da cena doomster italiana e porque não mundial.

 

Kröwnn – Hyborian Age (PRC Music)

1. For the Throne of Fire

2. The Woodwose

3. At the Cromlech

4. Gods of Magnitogorsk

5. Stormborn (instrumental)

6. The Melnibonean

 

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Wine From Tears – Glad To Be Dead

bmm061-13Aproveitando que a noite esta chuvosa, hoje vou abordar um som “diferente” do que estou acostumado a resenhar para o Funeral Wedding, hoje abordando um som mais death/doom.

Wine From Tears lançou seu segundo full no ano passado e agora vêm com trabalho “Glad To Be Dead”.

O trabalho inicia com a intro “For Those Who Died Asleep”, um instrumental bastante obscuro, não dá para imaginar um início melhor que esse.

“Allergic Sun” começa, para quem acompanha o trabalho da banda desde do seu primeiro trabalho, vai logo de cara conhecer seus riffs comuns, os vocais foram muito bem trabalhados, diferente das bandas normais de death/doom, o Wine From Tears mescla seus guturais com vocais limpos, logo de início já é feito de uma forma bem ótima.

Logo em seguida dá início a faixa “What Are You Waiting For?” a faixa começa mais arrastada que sua antecessora, com uma melodia lenta, os riffs são trabalhados, nesta faixa a banda explora algo perto do “gothic”/doom, com uma pegada bem melódica, viajante e buscando realmente o que o título diz, casa bem com o álbum.

“In Memory Of The Truth” inicia com uma intro de piano, logo em seguida começa os riffs, ai você encontra semelhanças com algumas bandas como Saturnus e até o Draconian, uma bateria trabalhada, bem característica e ao fundo você acompanha os teclados, fazendo uma atmosfera melancólica. No meio da faixa há uma mudada, fica focada em som não “pesado”, aos poucos os riffs vão se transformando e vocal volta fazendo a faixa percorrer uma longa atmosfera.

Mantendo o ritmo do álbum, temos a “Let Me In”, com vocal limpo fazendo algumas passagens mais longas, mais uma vez no meio da faixa, a banda faz uma certa “parada” no peso, para ficar puramente lento e melódico, bem interessante essas passagens, algumas bandas as vezes deixam de arriscar nesse ponto, para focar no “peso”, o Wine consegue trabalhar isso muito bem, sem perder seu foco principal.

A sexta faixa do álbum “Like A Fallen Leaf”, começa exatamente com um dos trunfos da banda, essa mescla de vocais limpos com guturais, a banda aposta bastante nessa forma, e casa muito bem, os riffs conseguem fazer o ouvinte ir além do local em que esta, essa faixa é uma das mais belas que a banda já produziu, um peso melódico único.

“The Light At The End Of The World” penúltima faixa do álbum, e mais longa. Com seus 10 minutos, a faixa traz um peso para o álbum, com um foco mais “rápido” que todas as outras, banda soa como um death/doom mais cru em alguns momentos, mas voltando sempre ao seu lado melódico. O teclado sempre presente ao fundo, a bateria mais rápida, a faixa reflete todo um trabalho e faz um elo com o primeiro disco da banda.

Chegamos ao fim do álbum com a faixa “Silence No More”, nela vemos presente o vocal feminino, diferente do primeiro álbum, eles abandonaram esse tipo de vocal, apenas usando nessa faixa. A música está mais veloz, um death/doom que flerta mais uma vez com o doom/gothic, rolando até uma passagem mais “eletrônica”.

Este trabalho do Wine From Tears é praticamente a continuação do seu primeiro e ótimo álbum, um som focado no death/doom mais que flerta as vezes com o “gothic” e até mesmo com certas melodias do funeral doom, para quem amou o primeiro CD, vai adorar esse segundo trabalho.

 

Wine From Tears – Glad To Be Dead (BadMoodMan – Solitude-Prod.)

1. For Those Who Died Asleep

2. Allergic Sun

3. That Are You Waiting For

4. In Memory Of The Truth

5. Let Me In

6. Like A Fallen Leaf

7. The Light At The End Of The World

8. Silence No More

 

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Resenha feita por Diego Augusto (Depressão Doomster)