Doom of the Week: Red Fang

redfang-blurry-kitchen-photo-by-Whitey_McConnaughy2

Existia uma época em que fazer clipes de metal se resumiam aquela mesma ladainha de sempre: Uma breguiçe de filmar bandas com pose de metaleiro tr00, com um roteiro tosco, que na maioria das se resumiam entre temas épicos, ou temas sombrios, com uma profundidade artística tão funda quanto uma piscina de criança.

Eu particularmente tenho birra com clipes de metal, pois quase todos não saem desse clichê barato e não consigo enxergar o porque de bandas ainda se arriscarem nessa mesmisse que não traz nada positivo. Tanto é que por um bom tempo deixei de lado os clipes de metal pelos motivos já explicados acima.

Mas vez ou outra, uma banda consegue se destacar por sair um pouco dessa tangente. E nem sempre precisa ser tão inovador. Sendo algo simples, até mesmo despretensioso, pode soar como uma boa experiência e até mesmo divertida.

E foi particularmente dessa forma que conheci o Red Fang. Em uma das minhas horas de procrastinação na internet (meu trabalho favorito!), me vi lendo um texto mencionando o clipe do Red Fang como sendo “um clipe de metal que é realmente divertido”. Foi o bastante para eu me interessar na banda e ir atrás do tão comentado clipe, o de “Wires”, na época.

Saca só o roteiro: Os caras ganham um cachê da gravadora (5 mil doletas) para fazer o clipe deles. Então eles compram um bocado de bala, salgadinhos e chocolates, um tipo de Belina americana em um concessionária de carros usados, dão umas modificada trash nela, galões de leite e outros montes de porcarias, pra fazer o que?? DESTRUIR TUDO COM O CARRO! E tudo isso regado a mil e uma latas de cerveja que os caras compram!

Porra, melhor que qualquer outro roteiro de clipe piegas de metal e todo aquele épico fake que deixaria o Tolkien com facepalm lá de Valhalla olhando os monstros que ele criou. A propósito, essa temática também foi zoada pelos caras em outro clipe da banda, o de “Prehistoric Dog”

Mas bem, além dos clipes a banda atrai pela sua imagem bem dispersa, longe de qualquer pagação de pose de machão que existe em praticamente quase todas as bandas de metal de caras que estão mais preocupados em saber qual bar está aberto em plena madrugada para poder passar a noite bebendo do que qualquer outra coisa na vida (me identifico).

E o som? Um stoner metal que não deve a ninguem em termo de qualidade e que lembra bem o som de ótimas bandas do estilo como Orange Goblin, Truckfighters, Clutch, mas com um apelo Pop que torna o som da banda super divertido e agradável de se escutar. Perfeito para os momentos de churrascão com a galera regada a Skol gelada e farofa com vinagrete. Ou para qualquer momento que envolva cerveja no meio…

red_fang_band-pic

O Red Fang até o momento lançou 3 álbuns: O auto-intitulado, em 2009, lançado pela Sargent House. O Murder The Mountains, de 2011, até então o álbum de maior sucesso da banda e que alavancou os caras para o cenário major do Metal, e o Whales and Leeches, lançado ano passado, ambos lançados pela gravadora Relapse Records, responsável por outros grandes nomes do estilo como Baroness, Agoraphobic Nosebleed, Pig Destroyer, Cough (que inclusive fiz uma matéria sobre a banda também nesse site, dá uma lida lá depois que vale a pena!), entre outras coisas maravilhosas abençoadas por Baphomet.

Se minha indicação vale, o meu álbum preferido continua sendo o Murder The Mountains, pois é o que mais sintetiza o som da banda e a atitude dos caras. Foi top 2011 pra mim fácil e marcou bastante quando conheci o som dos caras.

O Red Fang veio ao Brasil em 2012 para dois shows, um em Brasília no festival Porão do Rock, e outro em São Paulo, no Inferno Club, e, segundo informações de amigos que foram ao show, os caras fizeram jus ao nome da casa de shows e fizeram um show do caralho!! Eu tive a oportunidade de ver os caras ao vivo na Alemanha em uma pequena cidade chamada Osnabrück, só que perdi o horário do trem e tive que ficar em casa afogando as mágoas em cerveja por ter perdido o show deles. Faz parte da minha vida, né…

Pra fechar, deixo aqui o som dos caras ao vivo no KEXP, tocando material do álbum mais recente deles e com outros clipes da banda que envolvem eles se mostrando com suas técnicas de bebeção de manguaça. Peritos!!

 

Matéria escrita por Allan Daniel, baixista da banda Lacryma Sanguine.

Thy Light – No Morrow Shall Dawn

CoverMais um capítulo é escrito por esse projeto de DSBM intitulado Thy Light. Após o bem aclamado material de estréia Suici.De.Pression, eis que no final do ano passado chega em minhas mãos mais esse opus.

Muitas pessoas foram pegas de surpresa com a sonoridade desse álbum, pois apesar de manter a mesma atmosfera do álbum anterior, esse No Morrow Shall Dawn apresenta uma nova abordagem para o seu DSBM, e porque não uma evolução natural em sua musicalidade.

O play abre com a bela intro “Suici.De.spair” e preparando o mais depressivo ser para a bela “Wanderer of Solitude”. RIffs simples de guitarra, porém muito bem estruturada e sentimos uma forte influência das bandas shoegaze em sua sonoridade. Temos um excelente solo de guitarra, para tão logo irmos direto para uma parte acústica, deixando livre para um texto que falado escrito pelo cineasta russo Andrei Tarkovsky, e aqui recitado sob um forte efeito na voz de Paolo.

A depressão continua com a faixa “No Morrow Shall Dawn”. O trabalho e o cuidado que o Paolo teve ao compor essa faixa foram tamanha, que a cada ouvida você vai descobrindo novos sons e detalhes que não havia assimilado em audições anteriores. Alguns toques minimalistas acompanham de forma magéstica a melodia de piano e guitarra, tocada sem distorção. Não há como não mencionar a bela participação especial de Tim Yatras em um trecho da faixa. O final orquestrado, regados a bela melodia de piano e violino, são de cortar os pulsos.

“Corredor Seco” é um interlúdio tocado ao violão e ao ouvir as gotas d’água caindo, no remete ao fundo do esgoto, onde o ser depressivo foi apreciar os momentos de solidão e quem sabe sua morte mais dolorosa e lenta.

“The Bridge” é a última faixa e talvez a única que mantenha um elo com o trabalho anterior. As melodias depreciativas dessa música a tornam melhor a cada escutada e ao acompanhar as letras e saber do contexto por trás da história.

Vale ressaltar que a letra foi baseado no documentário homônimo, onde relata os diversos casos de suicídio ocorridos todos os anos na ponte Golden Gate em São Francisco – EUA.

Não sei se ainda existe a versão luxuosa em digipack disponível para venda, mas vi algumas cópias em jewel case, mas acredito que se esgotará em breve, portanto, corra logo atrás para garantir a sua.

 

Thy Light – No Morrow Shall Dawn (Pest Productions)

01. Suici.De.spair

02. Wanderer of Solitude

03. No Morrow Shall Dawn (Feat. Tim Yatras)

04. Corredor Seco

05. The Bridge

 

depress5

 

Contatos:

Facebook

Pest Productions

HellLight – No God Above, No Devil Below

sp075-13Após o lançamento do álbum anterior, o excelente “…and Then, the Light of Consciousness Became Hell…”, muitos doomers mantiveram seus olhos e ouvidos atentos e aguardaram com certa ansiedade esse novo material dessa banda paulistana de Funeral Doom.

E após escutar inúmeras vezes esse álbum, algumas vezes sinto que fiquei sem palavras para descrever o que esse álbum passa e abaixo fiz um faixa a faixa sobre ele.

O álbum abre com uma pequena peça intitulada apenas de “Intro”, que vem preparando para a faixa títuto “No God Above, No Devil Below”. Esta foi a primeira faixa lançada para audição do álbum, poucos dias antes de seu lançamento oficial. Nela encontramos excelentes melodias e algumas passagens fúnebres e o destaque fica para o refrão da música, onde o vocalista Fabio de Paula, investe nos vocais limpos (fortemente influenciados por Dio) e após a primeira execução dela, o ouvinte já cantarola junto.

Em seguida temos a também excelente “Shades of Black”, e se o clima já estava pesado na faixa anterior, com essa música que o mundo vem abaixo. Uma puta faixa depreciativa e logo em seus primeiros acordes nos levam a introspecção.

Indo adiante temos a menor faixa do álbum, “Unsacred”, com pouco mais de 8 minutos, e em sua execução ela me lembra o clima do álbum Funeral Doom, lançado em 2008. Apesar do andamento lento da faixa como um todo, ela me pareceu pouca coisa mais rápida que as duas anteriores e nela podemos destacar novamente os vocais de Fábio e o grandioso solo de guitarra executado por ele também.

“Legacy of Soul” começa com um clima de teclado, seguido pelo baixo marcado de Alexandre e a bateria de Phil, enquanto Fábio sussurra as primeiras palavras. Essa é uma faixa repleta de melodia e mantém aquele sentimento funesto tão característico no som da banda.

“Path of Sorrow” começa com uma áurea negra e uma densa atmosfera. Os vocais guturais de Fábio, ecoam dentro da mente do moribundo, hipnotizando e deixando-o em estado catatônico e a única vontade que temos é de aguardar o próximo acorde. Nos minutos finais a música apresenta uma pequena mudança em seu andamento, abrindo caminho para mais um solo de guitarra que nos guia até o final dela.

“Beneath the Lies” mantém o espírito negro da faixa anterior e em meio a sua vastidão, o depressivo tem sua vida passada diante seus olhos, trazendo consigo uma introspecção e um sentimento de culpa inexplicável.

E para fechar esse ciclo depressivo, temos a faixa “The Ordinary Eyes”. Seu belo início, levado aos acordes de piano e o baixo marcado, vêm preparando o cortejo fúnebre para que o ouvinte possa morrer em paz e se deixar levar por essas tristes melodias até o término do álbum.

 

HellLight – No God Above, No Devil Below (Solitude Prod)

1. Intro

2. No God Above, No Devil Below

3. Shades Of Black

4. Unsacred

5. Legacy Of Soul

6. Path Of Sorrow

7. Beneath The Lies

8. The Ordinary Eyes

 

depress5

 

 

Contatos:
Bandcamp
Facebook
Solitude Prod