Entrevista: Bell Witch

Conversamos recentemente com o baterista dessa banda, que nos deu maiores informações sobre esse duo, que nos brinda com um Doom Metal arrastado e sombrio. Falamos também sobre a cena Doom em Seattle, morte e os polêmicos downloads ilegais. Vamos conferir.

 

1. A Bell Witch é um banda relativamente nova. Fale-nos um pouco sobre o conceito da banda, os primeiros ensaios, até a gravação da primeira demo.

1396680_10200937729951004_1623391122_nAdrian Guerra – Nós começamos este projeto pensando em fazer apenas um show. Um amigo próximo pediu pra nossa antiga banda, Lethe, tocar, mas nós não pudemos. Nosso guitarrista tinha saído da banda. Então nos perguntaram se só os outros dois que sobraram podiam tocar. Nós aceitamos o desafio e começamos a ensaiar uma semana antes do nosso primeiro show. Repito, era pra ser apenas um único show. A gente não ia levar o projeto adiante, mas pareceu certo, depois de tocar, que precisávamos continuar. Ou escolhemos continuar, aliás. Dylan e eu queríamos fazer uma música mais pesada e dark, já que o Lethe era uma banda sludge/stoner rock/psicodélica instrumental. Nós dois sempre estivemos inseridos na cena doom aqui nos Estados Unidos com nossas bandas mais antigas e amamos o gênero.

Então, depois daquele primeiro show, nós começamos a ensaiar freneticamente e começamos a escrever nossa demo e outras músicas que acabaram entrando no álbum. Nós fizemos shows locais aqui no Noroeste Pacífico (Seattle/Portland) recebendo um bom feedback. O “Demo 2011” foi gravado em Julho de 2011 em 3 dias com nosso parceiro Brandon Fitzsimons. O Brandon também trabalhou com todas as nossas bandas anteriores e gravou quase tudo que eu fiz no passado com outros grandes artistas. Assim que recebemos nossa “Demo 2011” pelo correio, corremos pra van para nossa primeira Tour na Costa Oeste em 2011. 

 

 

2. Depois do lançamento da demo e de algumas reviews positivas, como foi o processo de composição para o álbum “Longing”?

Adrian Guerra – Antes de gravarmos a demo, nós tínhamos ideias de como queríamos que o álbum fosse. Quer dizer, nós já tínhamos escrito “Rows (Of Endless Waves)” antes de gravarmos a demo e foi uma das nossas primeiras músicas, só que sem letra. Nosso processo de composição pro “Losing” foi praticar e não ter medo de escrever a música que escrevemos. O Dylan vem com uma linha de baixo, a gente conversa sobre ela. Eu toco todos os tipos de batidas na bateria, mas você precisa ter aquela “certa”. Particularmente, eu gosto de ser minimalista quando necessário. Nunca tire nada do riff que precisa ser ouvido para a música fluir.

 

3. O “Longing” foi lançado há apenas um ano. Como foi o feedback?

Adrian Guerra O feedback tem sido ótimo.

 

1415663_10200937729991005_1088079869_n4. Como surgiu a ideia de fazer uma banda apenas como um duo, sem guitarra, apenas com baixo e bateria? 

Adrian Guerra – Depois que a gente escreveu as músicas pra demo, nós tentamos achar outros membros. Um vocalista e um guitarrista. Nós tínhamos algumas ideias sobre o que queríamos. Ambos os vocalistas e o guitarrista furaram. Depois que nós dois começamos a cantar, decidimos fazer nós mesmos. Membros a mais provavelmente trariam apenas mais dificuldades. O Dylan e eu sabemos exatamente o que nós queremos dessa banda. E nós sempre seremos uma banda de doom de dois integrantes.  

 

5. Eu sei que é cedo pra isso, mas existe previsão para um novo álbum em breve? O que você pode adiantar?

Adrian Guerra – Nós já começamos a escrever nosso segundo álbum. Vai soar como Bell Witch. 

 

6. Como fazer um som tão niilista num lugar conhecido como a terra do grunge?

Adrian Guerra – Eu gosto de alguma coisa de grunge, já que cresci aqui em Washington. Mas era tudo grunge mesmo? Quero dizer, a gente tinha Melvins, Burning Witch e Thorr’s Hammer.

 

7. Vocês conseguem criar uma massa sonora bem interessante. Misturar sludge, drone, funeral doom e ainda soar harmonicamente melódico graças às linhas de baixo do Dylan Desmond. Explique-nos como funciona essa fusão.

Adrian Guerra – O Dylan Desmond é um mago da porra. Nós dois passamos por dificuldades na vida e queremos retratar as emoções mais tristes que as pessoas geralmente escondem. 

 

8. Algumas linhas vocais são “Organum”, dando um belo tom funeral a algumas passagens. Como surgiu a ideia de adicioná-las ao som do Bell Witch?

Adrian Guerra – Ter mais dinâmicas é melhor para as músicas que escrevemos. Os cânticos harmônicos trazem uma vibe mais funeral, assim como os gritos e grunhidos têm uma vibe mais suicida.

 

1393037_10200937730031006_848134661_n9. Como a ideia de usar o samper de “The Masque of the Read Death” na faixa “Beneath the Mask” surgiu?

Adrian Guerra – Eu sou um fã de filmes de terror e “The Masque of the Red Death” é um dos meus filmes preferidos. Além disso, o filme conta com o magnífico Vincent Price! Eu estava assistindo o filme e a ideia simplesmente surgiu. Como uma lâmpada de ideia acendendo. “Beneath the Mask” é a introdução para “I Wait”, que tem uma mensagem parecida.

 

10. Qual a sua playlist atual?

Adrian Guerra – Estes são alguns discos que eu tenho ouvido ultimamente. É bem difícil pra mim encontrar novos artistas pra fazer uma jam.

 

Lycus – Tempest

Chelsea Wolf – Pain Is Beauty

Worship – Doom

Hell – III

Profetus – …To Open The Passages In Tusk

Shadow Of The Torturer – Dronestown

Megadeth – Rust In Peace

Ataraxie – L’Etre La Nausee

Procession – To Reap Heavens Apart

 

 

11. Como é a cena doom em Seattle? E que nova banda você recomenda?

Adrian Guerra – No momento, quase não existem bandas de doom. Atualmente, temos apenas Anhedonist, Samothrace, Shadow of the Torturer e a gente. Outros provavelmente vão se considerar bandas de doom, mas eu penso diferente. E a cena doom não é tão grande quanto algumas pessoas podem dizer. É uma cena pequena. Todos nós nos vemos nos mesmos shows e é isso que torna nossa cena especial. 

 

12. Para alguns, a morte é o fim; para outros, é o começo. Qual a sua relação com a morte?

Adrian Guerra – Eu abraçarei a morte quando a hora chegar.

 

13. Para finalizar, gostaria de saber sua opinião sobre os “downloads ilegais”. Na sua opinião, o download grátis ajuda ou atrapalha?

Adrian Guerra – Eu acredito que você deveria poder fazer o download se precisasse ou pra fazer uma review. Eu gosto de espalhar nossa música para as massas. E os verdadeiros fãs de música e os colecionadores vão sempre achar um jeito de comprar o disco e apoiar a banda se eles realmente se importam. 

 

14. Adrian, obrigado pela entrevista. Deixo este espaço aberto para sua última mensagem. 

Adrian Guerra – Obrigado, Rodrigo, pela entrevista. E obrigado a todos que tiraram um tempo para ouvir a Bell Witch. Nós estabelecemos metas para os próximos meses, então fiquem ligados e “stay DOOMED”. 

 

Saudações,

Adrian Guerra

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