Black Sabbath – Rio de Janeiro

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Domingão de sol, praia, churrasco e aqui no Rio de Janeiro temos  os pioneiros do heavy metal tocando com um dos pilares do thrash metal mundial. No dia 13/10, o domingo característico carioca foi substituído por uma grande celebração: Black Sabbath com o ato de abertura capitaneado pelo Megadeth. A fila era grande e a animação era visível nos olhos das pessoas que estavam esperando para ver um desfile de clássicos nunca antes presenciado por essas terras.

 

O Megadeth é uma grande banda e todos sabemos, poderia fazer uma resenha separada só para o show dos caras mas como a atração principal essa noite não é a trupe de Dave Mustaine e Cia.,  vou me abster em algumas palavras. O show estava com uma qualidade de som impecável e presença de palco convincente dos membros. Setlist curto porém certeiro, haja vista o show começar com um dos clássicos intocáveis do grupo norte-americano: Hangar 18. A banda ainda junta nesse hall de grandes hits da noite: Wake Up Dead, In My Darkest Hour, Sweating Bullets, Tornado Of Souls, She-Wolf, Symphony Of Destruction, Peace Sells e Holy Wars. Tocando apenas Kingmaker, do último cd da banda, Super Collider, a banda fez um set de dez músicas e sem erros. Preparando o terreno para os pais do heavy metal.

 

901924_10151690286773456_2058503352_oBom, eu tenho 22 anos e não, não sou nada saudosista. Gosto de coisas antigas e novas e não acho que não exista salvação e que tudo que é bom já foi feito. Gosto de muitas bandas do revival que estão fazendo na cena de stoner doom, stoner rock e psychedelic rock, porém não me abstenho a isso. Acho que muita coisa é feita no cenário mundial com ar fresco e sempre estou aberto a novas experiências. Porém, dessa vez não teve jeito,  quando o quarteto britânico entra pontualmente às 20H30 com a incontestável War Pigs, o RJ vai abaixo. É quase um sonho ver Ozzy Osbourne, Tomy Iommi e  Geezer Buttler ali, bem na frente. Tommy Clufetos complementa bem a banda, ocupando o lugar de Bill Ward. E assim, os britânicos destilaram duas horas de clássicos para o público completamente hipnotizado na Apoteose.

 

Na sequência, o riff matador de Into The Void começa a ser tocado pelo riffmaster  Tomy Iommi, eu acho que falar que todas as músicas foram tocadas com maestria e perfeição é totalmente pleonasmo, pois não poderia ser menos dos caras que inventaram a definição do heavy metal como conhecemos. Na sequência, Under The Sun e Snowblind continuam a derramação de clássicos e maestria. Age Of Reason, do novo álbum 13, é apresentada e se mostra bem homogênea ao setlist tocado, adicionando um toque de atualidade no setlist jurássico, porém sem ser pejorativo.

 

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Behind The Wall Of Sleep prepara o terreno para a monstruosa Black Sabbath, que continua macabra, sinistra e depressiva mesmo depois de quarenta anos. Momento magnânimo da noite, aura incontestável e clima soberano, mostrando quem manda. N.I.B. (com um solo espiritualizado de Geezer antes da música) e a nova The End Of The Beginning continuam o massacre. Os telões ficam preto e branco pra uma das músicas que eu mais esperava da noite: Faeries Wear Boots, executada com precisão cirúrgica. Totalmente hipnótica. Nessa hora do show ninguém mais conseguia tirar os olhos do que estava acontecendo ali e duvido muito que alguém queria que aquilo acabasse. Rat Salad vem na sequência, com um solo bonito e virtuoso de Tommy Clufetos, deixando a Apoteose em euforia para a execução da histórica Iron Man. Sem mais.

 

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O primeiro single do 13, God Is Dead?, vem na sequência. Gosto muito dessa música por ter uma pegada bem arrastada, porém, deu uma esfriada na galera, mas Dirty Women e Children Of The Grave (Que tem um dos riffs mais pesados da história da música) tratam de puxar todos para cima de novo e manter os olhos vidrados para o grande finale. Uma das músicas mais tocadas exaustivamente, curtida com os amigos e cantada aos berros da história da música: Paranoid.

 

Óbvio que todos saíram de risos fáceis,  cabeça fresca e felicidade incontida da Apoteose,  é óbvio que todos que estavam naquela noite de domingo na Apoteose entenderam a importância do que aconteceu ali. É óbvio que todos ali sabiam que foi um dos shows mais importantes da vida daquelas pessoas. E é óbvio que sabemos que é bastante pretensão, mas esperamos, lá no fundinho, ver aquelas caras de novo aqui. Voltemos a programação normal.

 

Resenha por Luiz Mallet. guitarrista das bandas Boreal Doom e Vociferatus
Fotos por: Daniel Croce (para visualizar mais fotos, clique aqui).

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