My Dying Bride – Rio de Janeiro – 10/04

902762_10151376404393456_271341211_oNa noite cinzenta de uma Quarta-Feira, dia 10 de Abril, o Rio de Janeiro recebeu o único show no Brasil dos pioneiros do doom metal britânico My Dying Bride. A capital carioca recebia pessoas de todas as partes do país para a  grande celebração que iria acontecer naquela noite. Preciso aproveitar o espaço e dizer que é uma honra poder estar vendo o tour de bandas pelo Rio de Janeiro aumentar, estamos tendo bons shows em grande quantidade e preços modestos para o público. A casa estava cheia e o público ansioso, apesar de um breve atraso para a abertura dos portões, o show começou pontualmente às 20h30, horário previsto no ingresso.

Após uma breve intro e com a banda toda já posicionada atrás das cortinas, as mesmas se abrem e a devastação começa com “Kneel Till Doomsday”, na minha opinião, a melhor música do último trabalho, entitulado “A Map Of All Our Failures”. A banda se mostra coesa desde o início da apresentação, e os vocais rasgados de Aaron não ficaram devendo em nada para os primeiros trabalhos. Música executada primorosamente. Logo depois tem inicio “Like Gods of the Sun” do álbum de mesmo título, deixando todos na casa em êxtase e sem acreditar no que estava acontecendo ali, na frente de todos. “To Remain Tombless”, do grande “A Line Of Deathless Kings” é executada com peso e agressividade, e com grande semelhança ao que é apresentado no full-length. Aliás, um grande trunfo do show do MDB: Os timbres dos instrumentos e dos vocais se assemelham bastante ao que é executado no CD, fazendo a experiência de um show da banda ser mais grandiosa.

28171_10151376412538456_1289968000_nEis que nos é despejada “From Darkest Skies”, do majestoso clássico “The Angel And The Dark River”. A casa entrou em desespero com o que estava sendo feito no palco. Volta e meia escutávamos alguém falando “Não é possível que eu esteja vendo isso” ou um “Eu não tô acreditando no que tá acontecendo”. Eu mesmo disse isso algumas vezes! Não conseguia acreditar no que estava sendo executado por aqueles cinco caras e uma mulher. Um pedaço da minha história e da história de muita gente sendo contado por quem criou o conto.

“Turn Loose the Swans”, do álbum de mesmo nome, veio em seguida, jogando todos para o abismo de vez. Era possível ver lágrimas nos olhos de muitos nessa altura e pessoas gritando junto com Aaron e fazendo um coro moribundo, mas ao mesmo tempo, emocionante. “My Body, a Funeral”, do ótimo “For Lies I Sire” foi a próxima a ser executada e o violino de Shaun Macgowan brilhou. O timbre era cristalino e o músico fazia seu instrumento chorar, acrescentando a carga emotiva necessária que a música pede. “The Wreckage of My Flesh” foi o momento mais emocionante e grandioso pra mim da noite, pois pessoalmente, ela figura no melhor álbum da banda, o magnífico “Songs Of Darkness, Words Of Light”. A música foi fielmente executada, com todos os mínimos detalhes necessários. Na minha opinião, o ponto alto da apresentação.

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“She Is the Dark”, do “The Light At The The End Of The World”, foi apresentada em seguida. Mais uma vez, a banda executa a música de forma magnífica, inclusive fazendo aparecer uma tímida roda no meio do público. Vale ressaltar a presença de Aaron, que submerge totalmente no clima das músicas e nos passa todo peso das letras e das melodias.”The Poorest Waltz”, música de trabalho do último álbum “A Map Of All Our Failures”, foi apresentada corretamente em seguida.

Logo após, um dos grandes momentos da noite se anunciou: “The Cry Of Mankind”, segunda música executada do “The Angel And The Dark River”, começara.A execução da música foi, como esperado, primorosa. Porém, uma falha no PA criou uma onda sonora no conjunto abafando a música em muitas partes. Uma pena, pois não conseguimos captar toda a carga que a música despeja, porém, isso não tira em nada o brilho da noite. “Bring Me Victory”, música de trabalho do “For Lies I Sire” (E com um clipe muito interessante, por sinal), foi a próxima do show, seguida por “Like a Perpetual Funeral”, também presente no último trabalho.

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Eis que surge o barulho de chuva no PA, característico do início de “The Dreadful Hours”, do álbum de mesmo nome. Executada com clareza e perfeição, a música levou os presentes a loucura, pessoas em extase e presenciando o que por muitos anos parecia impossível. Um grande momento de uma grande noite. Logo após, a banda faz uma pausa e Aaron diz que não se considera um rockstar, então não sairá do palco para todos gritarem o nome da banda e em seguida, eles voltarem. Em meio a aplausos pela atitude, a banda começa a execução da jurássica “The Forever People”, do primeiro full “As The Flowers Withers”, de 1992. Nos é apresentado o proto-My Dying Bride na noite: guitarras raivosas, bateria agressiva e vocais desesperados por toda a canção ditam o começo de uma banda que há 23 anos ainda continua em plena forma e fazendo história. A ultima música a ser apresentada é “The Raven And The Rose”, também do “The Dreadful Hours”, encerrando assim um show esperado por muito tempo pela maioria dos presentes. A banda sai ovacionada do palco e nós com a esperança de que não demorem mais esse todo esse tempo pra se apresentarem por terras brasileiras novamente.

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Vale ressaltar que após o show, a produtora Overload e a banda fizeram um meet and greet aberto para todos que ainda estivessem na casa, todos se mostraram simpáticos, assinando os itens que os fãs levaram para autógrafos e tirando fotos com todos. Um show de simpatia e profissionalismo tanto da banda, quanto da produtora. Eu, como fã, posso dizer que foi um sonho realizado e espero poder ver shows como o mesmo nível mais vezes no Rio de Janeiro. Aproveito o espaço para agradecer a Overload pelo profissionalismo, pela vontade e por sempre tratar o público com o devido respeito, precisamos de mais pessoas como vocês na cena carioca. E deixo-vos, leitores, com as palavras que toda a vez que deito a cabeça no travesseiro a noite, ressoam na minha mente:

 

“Good Evening, Rio de Janeiro. We Are My Dying Bride.”

 

Resenha por Luiz Mallet. guitarrista das bandas Boreal Doom e Vociferatus

Fotos: Daniel Croce

 

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