Entrevista: ArchiTyrants

Recentemente fiz essa entrevista com o vocalista Luxyahac, vocalista que já conheço de algum tempo do underground paranaense e até ter dividido palco com ele e suas antigas bandas “Doomsday Ceremony” e “Hermetic Vastness”. Eis que agora, após o lançamento do debut “Black Water Revelation”, conversamos para saber mais sobre essa nova empreitada, suas influências e outros assuntos.

 

1. A versão virtual do álbum foi lançada no início do ano, como está a aceitação dele?

Luxyahak: As pessoas que tem ouvido têm elogiado bastante o trabalho, inclusive tivemos uma resenha feita no site Grego METALKAOZ: http://www.metalkaoz.com/album-reviews/4417-archityrants-black-water-revelation.html logo quando disponibilizamos os CD. Esta foi aresenha mais expressiva, sendo que depois tivemos muitos pedidos de adição na fanpage da banda no facebook: http://www.facebook.com/Archityrants?ref=ts bem como varias visitas no nosso myspace: http://www.myspace.com/archityrants

 

2. A faixa de abertura do álbum tem uma linha melancólica de vocal, especialmente no trecho final “… Like a promoted abortion or a infanticide / The mother agonizes not to die before the host…” Gostaria que comentasse sobre essa passagem.

Luxyahak: O tema Black Water Revelation é a expressão para o manto negro de ignorância, ao qual a humanidade vive a baixo. Não saber qual a sua verdadeira origem, porque esta foi oculta propositalmente por interesses inescusáveis de poder e dominação durante as Eras, é apenas um dos fatores que tornam a humanidade ovelhas num grande rebanho, e quando não, lobos que se alimentam dessas ovelhas e de si mesmos! Todos os temas da Banda pensam a humanidade como uma grande praga que parasita a Terra. Pensando esta com um Ser de Grandeza Universal, e que foi violado criminosamente. Como poeticamente a Terra é a grande Mãe, em algumas místicas; A Mãe Terra luta para expulsar a praga humana, provocando um aborto daqueles que ainda não nasceram, e agoniza, pelo sofirmento deste ato, mas não antes da morte do hospedeiro… O termo infanticídio foi usado numa analogia do crime, quando a mãe mata seu filho logo após o nascimento, em estado puerperal. A praga humana que sorve as forças da Terra a milhares de anos, e como colônias de parasitas, como intrusos num Ecosistema diverso. A “Mãe Terra” deve ser poupada, em detrimento a praga humana, ela repele o intuso indesejado, pois este não sabendo sua própria origem, é levado ao “status” de “bastardo”. A praga é fruto não quisto, de uma violação!

 

3. A faixa Melancholic Sings of the Souls tem uma introdução bem diferente do usual, dando a impressão de ter sido feito meio que de improviso. Como surgiu a ideia para essa música?

Luxyahak: O método de composição é o mesmo para todas as músicas. Claro que elas vão se aperfeiçoando no decorer dos ensaios, bem como nas experimentações de estúdio para a gravação. Basicamente fazemos a música relativamente “crua”, e depois vamos potencializando as idéias e incorporando-as às fórmulas. A Música quando pensada, certamente irá ter diferentes elementos, principalmente quando ela começa a ser absorvida por todos os membros da banda que exercem influência própria, a musica ficará mais bem elaborada. Quando executadas ao vivo ganham outra forma no mesmo eixo e métrica, e não seria diferente no momento de grava-las. Fazemos vários experimentos em estúdio.

 

4. Temos um trecho interessante na música Melancholic Sings of the Souls, onde encontramos umas vocalizações gregorianas. Como conceberam a ideia para essa parte?

Luxyahak: A idéia sugiu do mesmo modo como ja foi falado. Em pricípio não foi algo pensado, apenas foi dobrado várias vezes os vocais e adicionado efeitos que levaram ao resultado em questão. Já estudei canto Gregoriano, em tempos idos, e nesse sentido estamos elaborando algo muito interessante e influenciado, para o proximo CD. 

 

5. O que quer dizer o acrônimo A.S.O.M.N.?

Luxyahak: Quer dizer: Antiga e Sagrada Ordem do Manto Negro. Já mencionei este termo perguntas passadas. O apreciador deve observar esta obra de maneira minuciosa, pois os pensamentos se interligam e formam o contexto. Não quisemos deixar nada explícito, pois o sentido é obter a atenção de seres pensantes que enchergam mais que um CD de uma banda. Querem saber o que essa banda tem a dizer, qual a mensagem. Porém essa mensagem só será perceptível à medida que o apreciador absorva e se alimente intelectualmente deste humilde trabalho.  

 

6. A música A.S.O.M.N. é cantada em português. Você acha que num futuro próximo o ArchiTyrants investirá nas letras em português, ou foi somente para essa faixa em específico?

Luxyahak: Não é um critério obrigatório. Não só a A.S.O.M.N. como uma passagem na Melancholic, nas vocalizações com leves influências Gregorianas, foram pensadas naturalmente. Porém é provável que tenhamos algo no mesmo sentido no proximo álbum. Mesmo porque o Doom Metal propicía climas excelentes para frases em português, que a meu ver têm uma sonoridade magnífica e profunda. Essencialmente as musicas serão em inglês, até mesmo por toda a Universalidade do Metal e porque nossas idéias podem ser acolhidas ou contestadas por pessoas do mundo inteiro. 

 

7. Quando que vocês decidiram deixar para trás o nome “A Tribute to the Plague” e renascerem como ArchiTyrants?

Luxyahak: Foi quando vimos que não tinhamos nada mais com ATTTP, musicalmente, ideológicamente (talvez pensar a humanidade como uma praga seja o último vestígio que nos liga ao primitivo), mesmo porque restava apenas um último membro original da sua formação, que logo após resolveu deixar a banda. Entramos num consenso e resurgimos como ARCHITYRANTS, uma nomenclatura que expressa melhor o sentido do nosso trabalho, visto que o nosso discurso lírico é acerca das tiranias e a natureza perniciosa da humanidade, política (religiosa), social, econômica, utilizadas como forma de dominação das massas de “zumbis”. Como na Morbid Peace: “Unidades biológicas que se comunicam por grunhidos”. Foi um acerto, assim contamos nossa própria história, desvinculado do passado remoto, sem depreciação dos que lá estiveram, e isto está registrado, em honrosa homenagem, no CD, para a ATTTP. RIP ATTTP! 

Nós sabemos nossa Origem!

 

8. Recentemente a banda passou por uma reformulação em sua lineup, como está a atual situação dela?

Luxyahak: Sim agora estamos com um lineup mais coeso musicalmente e que ao vivo mostra realmente quem somos e a que viemos. Primeiro Kostav Thorn assumiu as baquetas e ja deu outra pegada mais rebuscada e buscada por nós. Já toquei com esse irmão em outras bandas no passado e não teve erro! Depois do comunicado inesperado do antigo baixista e fundador do ATTTP, dizendo de sua saída, chamamos o Thiago Valença, ex-baixista do Lachrimatory, com grande experiência já no cenário. Nítidamente o som ficou mais pesado, harmonioso e cadênciado. Sem dúvida uma bela transformação que veio para nos dar o reforço necessário para encarar grandes eventos. Ainda mais com esses dois monstros!  

 

9. Lembro de ter ouvido a primeira demo da Doomsday Ceremony e ter ficado abismado com os vocais limpos, pois já conhecia alguns trabalhos seus de bandas anteriores, onde você fazia um vocal gutural cavernoso. Quando você decidiu por essa mudança e porque?

Luxyahak: Logo depois que deixei o Imperious Malevolence, fiz uns ensaios no Murder Rape, porém o meu lado “Sabbathiano” falou mais alto e investi definitivamente no estilo ao qual estou até hoje. A demo do Doomsday Ceremony foi muito legal à época (apesar das minhas limitações vocálicas), foi algo que diferenciou o cenário. Foi uma banda que conquistou um grande carisma e não perdeu até hoje, pois as bandas de “scream e gutural” predominavam nos festivais no Underground. Foi nesse momento que procurei aulas e acabei tendo contato com o canto gregoriano, que apenas estudei, mas não desenvolvi nada a respeito. Apenas “Tentei” enriquecer meus conhecimentos. 

 

 

10. Obrigado pela entrevista, e deixo o espaço livre para suas últimas considerações.

Luxyahak:Quero agradecer o espaço cedido pelo Funeral Wedding, e sem mais delongas, convidar todos os leitores a se tornarem ouvintes do nosso CD, bem como entrar em contato conosco por meio do nosso facebook, visitar nossa myspace, e dizer que em breve esperamos tocar e interagir com todos as que curtem nosso som. Também oferecer meu contato no facebook para aqueles que se interessarem em adquirir o CD. 

ARCHITYRANTS vos saúda!!!

Stay Doom!

 

:Fotos: Tamara Lopes

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s