Entrevista: Caskets Open

Já faz algum tempo em que realizei essa entrevista com esses finlandeses, mas devido aos contratempos não tinha tempo hábil para traduzi-la. Enfim, chegou a hora de publicá-la e nela podemos entender melhor o que se passa na cabeça deles. Nos deram detalhes sobre algumas curiosidades em seu debut, como algumas coisas aconteceram “rápido” em sua carreira, além de outros assuntos.

 

1. Vocês montaram a banda em 2007 e um ano depois lançaram sua demo e, mais tarde, o álbum de estreia. As coisas aconteceram relativamente rápido pra vocês, hein?

Horror: Fazendo toda a matemática, acho que sim, mas antes da primeira demo as coisas não estavam realmente acontecendo e chegamos numa situação onde tínhamos que decidir se nos separávamos ou fazíamos um esforço de verdade para tentar lançar algum tipo de material.
Foi um bom ponto de partida pra nós, considerando que isto nos levou a apresentações ao vivo e um contrato de gravação bem rápido depois que lançamos a demo. As músicas da demo foram escritas e gravadas num período de tempo muito curto e foram muito influenciadas por Saint Vitus e Reverend Bizarre. Você não precisa ser um gênio pra perceber isso… Depois de lançar a demo, nos pediram pra fazer alguns shows, que acabaram atraindo o interesse de um par de selos. Então, em 2011, depois de tocar mais shows e escrever algum material novo, nós gravamos nosso primeiro LP pela Streaks Records, que ainda é nosso único lançamento oficial. Então, não parece muito que nós fizemos alguma coisa de maneira rápida!

 

Terror: Por termos lançado só uma demo, nossa estreia não foi bem uma coleção de músicas antigas. Tudo fora o SWBD (que foi feito originalmente pra demo) foi escrito em 2009. Na verdade, gravamos uma quantidade ridícula de coisas pra demo e acabamos deixando a maior parte de fora. Mas eu não posso dizer que tudo aconteceu depressa. Pra nós, fazer os dois lançamentos pareceu quase uma eternidade. Claro que tivemos um pouco de sorte, mas tudo aconteceu bem naturalmente, eu diria. Na verdade, nós estamos juntos há cinco anos agora e botamos um álbum na rua, poderia ter sido mais rápido também. Para o próximo, novamente nós temos uma boa seleção de músicas pra escolher.

 

2. Mas o “Rule” foi lançado em 2010. Como foi a recepção do álbum desde então até hoje?
Horror: Na verdade, eu não sei direito o que a maioria das pessoas pensam dele – eu acho que meio que evitei a opinião das pessoas e me concentrei em como o LP soava pra mim, depois de todo o caos  pelo qual passamos durante a concepção do disco. Ele tem seus momentos. Às vezes eu amo, às vezes não.
Os poucos comentários que eu ouvi foram positivos, apesar disso. Como estreia, eu acho que poderia ser pior?

 

Terror: Bem, Streaks está quase fora de catálogo, mas isso não significa que a Distros não tenha um monte deles ainda. O feedback foi na maioria positivo, às vezes talvez até demais. Umas poucas pessoas falaram ter pensado que suas caixas de som estavam quebradas quando ouviram o disco pela primeira vez, hehe.

 

3. Uma coisa que eu achei interessante foi a faixa “Jonestown”. As letras fazem referência a aquele dia fatídico. É interessante notar que mesmo depois de 30 anos este tema ainda é citado. Como surgiu a ideia para esta letra?
Horror: A ideia para a música simplesmente veio através de materiais a respeito do incidente. Eu senti terror puro assistindo as imagens, lendo sobre ele e ouvindo os últimos momentos captados em áudio. A música se escreveu sozinha na mesma noite e ainda me assombra de vez em quando.

 

Terror: Isto não tem muito a ver com o assunto, mas quando o Church of Misery lançou seu EP “Greetings from Jonestown” enquanto mixavamos o “But You Rule”, eu tinha certeza que a gente seria acusado de roubar a ideia deles.

 

4. A faixa “Corky / In The Arms of Satan” tem algo a ver com Corky Nowell and his Summum?
Horror: Não, não tem, desculpe! Esta é uma daquelas que eu nem consigo explicar ha ha! A parte do “Corky” é só bobagem. Na verdade, a faixa é uma combinação de duas músicas diferentes. A parte “In The Arms of Satan” é sobre desmembramento.

 

Terror: Risos.

 

5. Qual é o significado do acrônimo SWBD?
Horror: “Should We Be Doomed”. Eu achei que seria legal dar uma roupagem ao título no estilo do “N. I. B” do Black Sabbath. A música é sobre uma força intergaláctica de puro mal que está entre nós disfarçada de agentes inquisidores da verdadeira condenação.

 

6. Vocês já têm planos para um novo álbum? E quando vocês pretendem lançá-lo?
Horror: O novo álbum está planejado para ser lançado no fim de 2012 ou no começo de 2013. As músicas vão ser mais versáteis considerando apenas doom metal ou nosso material anterior e tem mais influência do punk rock, hardcore e até death metal. O novo álbum ainda vai soar como nós – apenas terá uma abordagem diferente desta vez. Existem tantas músicas já escritas que vai levar um tempo até cavarmos aquela pilha de bosta para achar uma gravação decente. Muitas das músicas novas que serão lançadas nós já vínhamos tocando por mais ou menos um ano.

 

Terror: A diferença para “But You Rule” também é que agora nós tivemos mais tempo, mais de dois anos, com o novo material. Pro BYR, nós gravamos quase tudo que nós tínhamos na época. Com a demo foi diferente, é mais como uma coleção das músicas “menos piores” que nós gravamos. Eu espero que dessa vez seja meio que o contrário. Mas, na verdade, também estamos pensando em reciclar uma música do demo para o álbum novo.

 

7. Eu sempre pergunto isso, sobretudo para ter diferentes visões sobre o assunto: qual sua opinião sobre downloads “ilegais” e até onde vocês acham que a internet ajuda ou prejudica?

Horror: Eu não sei. Está tudo certo, provavelmente.

 

Terror: Neste gênero e com o nosso número de vendas, provavelmente só ajuda. Aqueles que baixam as músicas acabam comprando os discos. Ou eu não sei. Pelo menos quando as pessoas enchem a cara nos nossos shows e o preço do disco está baixo o suficiente, é possível enganá-los, ha ha!

 

8. Eu acho que fiz mais entrevistas com bandas de doom finlandesas que de qualquer outro país. Vocês não acham que deveriam mudar o nome de Finlândia para Doomlândia? (Brincadeira)

Horror: Bem, tinha e ainda tem alguma chupação de bolas do Reverend Bizarre acontecendo e nós orgulhosamente somos parte disso! Afinal, o doom finlandês, de uma maneira geral, meio que soa único no resto do mundo, mas ainda existe muita variação entre as bandas finlandesas. Pelo menos nas bandas com as quais costumamos tocar – por exemplo Garden of Worm, Temples, The Wandering Midget, Cardinals Folly… todas elas têm seu próprio estilo.

 

Terror: Hoje em dia era melhor mudar pra Lodolândia.

 

 

9. Obrigado pela entrevista. Deixo espaço para suas últimas palavras aos leitores do Funeral Wedding.

 Horror: Valeu! Escutem Temples.

 

Terror: Obrigado pelo interesse. Logo vai fazer dois anos da morte do Peter Steele, ouçam Slow, Deep & Hard em memória dele.

 

 

Trad.: Marcelo Bauducco
Fotos: Jaakko Alatalo | jalatalo@gmail.com

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s