Entrevista: Tyranny

Voltando aos idos de 2004, na primeira edição do Funeral Wedding, quando recebi o promo do selo Firebox, fiquei abismado com o som dessa banda. E por alguns meses esse cd foi a minha trilha sonora. Um ano após tivemos o prazer de presenciar o debut “Tides of Awakening”, e depois disso a banda sumiu. Recorrendo ao Metal-Archives, a banda estava com o status de “active” mas nenhuma notícia em sites relacionados. Eis que fui vasculhar pela internet e consegui o contato do guitarrista Matti Mäkelä e com exclusividade fiz essa pequena entrevista onde nos foi relatado o que anda ocorrendo nos caminhos do Tyranny.

 

1. Gostaria que nos desse mais informações sobre o que ocorreu com o Tyranny desde o lançamento de Tides of Awakening até os dias atuais?
Matti Mäkelä: O Tyranny tem estado bastante silencioso e à espreita de mais este tempo, salvo para algumas apresentações ao vivo. Nós estamos lentamente reunindo força e compondo músicas que parecem que tomaram uma eternidade. Elas exigem o clima certo para podermos escrever este tipo de material, e nós também estivemos muito ocupados com outros aspectos da vida.

 

2. Você mencionou que realizam alguns shows, quem está na atual “live-lineup”?
Matti Mäkelä: A atual formação ao vivo é composta por 4 pessoas, sendo eu (Matti) na guitarra, Lauri no baixo e vocais, um baterista e um guitarrista. Ultimamente Jyri Lustig, um amigo meu da minha outra banda de death metal Corpsessed, tem nos ajudado como segundo guitarrista. Antes dele, tivemos  J. TotalSelfHatred e Night Must Fall na segunda guitarra. O baterista é o irmão do Lauri, Tuomas.
Lauri costumava tocar teclado e fazer os vocais ao vivo, mas mudou para o baixo e estamos atualmente sem a maioria dos teclados do nosso som ao vivo. Teve um momento que nós experimentamos tocar os teclados de uma fita (backingtrack) com o baterista tocando em um clique (metrônomo), mas de alguma forma isso destruiu muito do ânimo do show, então nós decidimos ir sem teclados para as apresentações. O Tyranny  é um animal diferente ao vivo do que nos álbuns.

 

3. Vocês já possuem 2 músicas novas, e alguns esqueletos de mais algumas. Vocês pretendem lançá-las todas num próximo álbum, ou pretendem dar um preview em algum EP?
Matti Mäkelä: Temos algumas faixas gravadas e precisamos terminar algumas outras para completar o álbum inteiro. Estes esqueletos (das canções) já existem há alguns anos, mas ainda precisam de trabalho para deixá-las melhor. Nós também estamos tocando uma dessas novas faixas ao vivo chamada “The Stygian Enclave”. Poderíamos talvez, lançar um EP com 2 músicas novas, mas parece mais natural para nós lutarmos para completar um álbum conceitual. O processo vai demorar tanto quanto as nossas necessidades e não há nada que nos apresse a fazer as coisas, embora se mantendo em silêncio por tanto tempo e faz com que as pessoas de fora pensem que a banda deixou de existir, o que não é o caso.

 

4. Vocês chegaram a gravar uma faixa para o tributo ao Skepticism e que acabou ficando de fora. Você pode nos dizer o que houve? E um dia essa versão poderá ser lançada?
Matti Mäkelä: Isso foi muito tempo atrás, em algum lugar depois do que o EP “Bleak Vistae” foi lançado. O selo polonês Foreshadow contataram algumas bandas para participar do tributo ao Skepticism e nos convidaram para participar. Estávamos prontos para começar a trabalhar em uma canção, e nós escolhemos “The March and The Stream”, que para nós foi a faixa essencial para que o Skepticism existisse. Nós quase terminamos as gravações da música (faltava alguns pedaços, mas a maioria estava completa), quando de repente recebi uma mensagem do selo que o Skepticism não queria que essa música em particular fosse gravada por qualquer pessoa. A razão para isso foi que a música era muito pessoal para eles, nada pessoal contra o Tyranny. Muito bem, então o selo nos perguntou se queríamos gravar uma outra faixa, mas nós decidimos desistir do projeto – não pareceu valer mais a pena o trabalho. Eu toquei a nossa versão cover para Matti do Skepticism, e ele não pareceu ter nada contra ela. Ela provavelmente nunca será lançada oficialmente, mas há rumores de que ela está navegando em algum lugar pela internet, aqueles que buscarem poderão encontrá-lo.

 

5. Tanto você como Lauri tocavam no Wormphlegm e teve um full lenght lançado em 2006 e então se separaram. Há uma previsão para um possivel novo lançamento ou definitivamente “Tomb of the Ancient King” é o primeiro e último registro?
Matti Mäkelä: Wormphlegm era eu nas guitarras / vocais e Dirtmaster (AK) na bateria / vocais, que sempre foi o núcleo criativo da banda. Lauri juntou a nós mais tarde como um baixista ao vivo e participou também das gravações do álbum TOTAK, com também fornecendo vocais na última faixa. É verdade que não houve muita atividade após o lançamento do TOTAK como Dirtmaster não está realmente interessado ou envolvido na criação de música nos últimos anos. Ele é uma parte fundamental do conceito Wormphlegm que eu simplesmente não posso fazer esse projeto sem ele, então colocamos a banda em espera. Wormphlegm nunca foi uma banda ativa regularmente para começar. Nós só a ativávamos quando tínhamos alguma performance ao vivo se aproximando ou algo para gravar. Então, quem sabe, talvez alguma coisa possa surgir. Eu não sei se a banda está completamente morta, talvez apenas apodrecendo lentamente?

 

6. Comparando as duas bandas, apesar da sonoridade diferente, há um mesmo sentimento de desolação de ambas. Como você descreveria sobre elas?
Matti Mäkelä: Os conceitos de ambas as bandas são completamente diferentes. Meu riffs podem ser semelhantes, o que certamente ecoa o sentido similar de atmosferas em ambos, eu acho. Eu sou apenas um escravo do meu estilo de tocar. Wormphlegm habita nas profundezas mais podres e trata de tortura, dor e pesadelos e tem uma natureza mais violenta e predadora. Tyranny tenta capturar diferentes atmosferas. O medo é um dos mais proeminentes, mas essas ambiências também parecem mais lúcidas e transcendental, mas também há o desafio determinado em seu conceito. O Tyranny não habita em tristeza, mas sim as lutas contra ela.

 

7. Agradeço por essa pequena entrevista, e espero para logo podermos conversar mais sobre o novo material. Deixo o espaço livre para suas ultimas considerações.
Matti Mäkelä: Obrigado Rodrigo! Espero que possamos terminar o próximo álbum em breve também. O trabalho parece não ter fim, e já estamos muito além das barreiras razoáveis da objetividade. Talvez precisamos fazer algo drástico. O tempo dirá.

 

Contato:
http://www.myspace.com/tyrannydoom 

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