Entrevista: Mythological Cold Towers

Tive meu primeiro contato com essa banda na falecida coletânea “The Winds of a New Millennium”, onde um amigo havia adquirido o cd e veio até a mim e falou: cara, escuta essa banda aqui. E para a minha sorte pouco tempo depois havia saído o debut “Sphere of Nebaddon”. Anos se passaram, álbuns foram lançados e hoje prestes a viajarem para a Europa em sua primeira “tour” pelo velho continente, conversei com o guitarrista Shammash que nos deu mais explicações sobre o conceito do novo álbum “Immemorial”, sobre a expectativa da viagem e traçou um comparativo sobre a cena nos anos 90 e hoje.

 

1. O álbum Immemorial foi lançado no final do ano passado, gostaria de saber como está a aceitação dele, se vocês estão tendo um feedback legal desse play?
Shammash: Está bem satisfatória, pois a Cyclone Empire está fazendo um ótimo trabalho em divulgá-lo. O álbum saiu em Outubro de 2011, mas antes disso o selo enviou várias promos para diversos veículos ligados ao underground. Sendo assim, tivemos ótimas resenhas acerca de Immemorial, o qual foi muito bem aceito tanto pelos apreciadores de Doom Metal como na cena Metal underground.

 

2. Este novo álbum fecha a trilogia iniciada pelo Remoti Meridiani Hymni, mas sonoramente ele se aproxima muito do debut Sphere of Nebaddon, sei que não foi algo pensado, mas como foi o processo de composição dele?
Shammash: Aconteceram diversas coisas após o lançamento do penúltimo CD, The Vanished Pantheon, entre elas, mudanças na formação do Mythological Cold Towers. Então, começamos a pensar na proposta de um novo album. Queríamos uma sonoridade que estivesse mais próxima do Doom/death, mais frio e desolador que os albuns anteriores, mesmo mantendo as características épicas sempre exitentes durante longa jornada da banda. Desta forma, o resultado foi o que esperávamos, um álbum que resgatasse a profunda essência do Doom Metal, como nos velhos tempos, do início dos gloriosos anos 90. A sonoridade de Immemorial foi relativamente associada a do primeiro album, Spheres Of Nebaddon, justamente por ter essa característica fria, moribunda e austera de ambos os álbuns.

 

3. Como estão os ensaios para o show na Europa, mesmo sabendo que o baterista Hamon está morando na Irlanda?
Shammash: Ensaiamos com o áudio da bateria de Hamon. Sendo assim, estamos tranqüilos quanto a isso e os ensaios estão bem executados.

 

4. E como está a expectativa/ansiedade para esse show?
Shammash: Estamos ansiosos para tocar na Europa, onde muitos fãs de Doom Metal terão a oportunidade de nos assistir pela primeira vez. Há tempos planejávamos esta tour e agora acreditamos que seja o momento certo, devido a grande aceitação de nosso novo álbum que consolidou o nome da banda na cena Doom Metal mundial e por estarmos bem estruturados para que isso ocorra.  Será memorável para nós e para a cena Doom Metal brasileira.

 

5. Já possuem alguma outra data agendada ou somente esta por enquanto?
Shammash: Por enquanto somente estas datas estão confirmadas, mas estamos trabalhando para que surja mais eventos em outros países. Assim que tivermos algo concreto anunciaremos em breve.

 

6. Estava vasculhando por alguns blogs pela net, (http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2012/01/16/os-10-melhores-albuns-de-metal-de-2011/) e nele continha o novo álbum como um dos melhores discos lançados em 2011, vocês chegaram a ver sobre essa nota?
Shammash: Sim, nós vimos essa matéria. Ficamos muito satisfeitos porque acreditamos que, com o álbum Immemorial, nós alcançamos a nossa identidade como música e conceito e num país onde o Doom Metal é quase desconhecido e, algumas vezes, denegrido. Então essa boa repercussão que o álbum está tendo, fez com que muitas pessoas que não nos conheciam antes, ouvissem e respeitassem o nosso trabalho.

 

7. Mudando um pouco de assunto, já faz um bom tempo que venho reparando naquele ícone na logo de vocês e cada álbum ele muda, começando com aquela torre, que acredito que era a ideia original, passando por vários outros símbolos. Quais seus significados e como se deu a ideia para isso?
Shammash: Cada símbolo transmite uma espécie de ícone do contexto de cada álbum. No primeiro álbum, o símbolo é uma torre que marca a emersão do nome Mythological Cold Towers na cena underground. No segundo, trata-se de um guerreiro inca, que simboliza a mitologia sul americana. Já no terceiro álbum, o ícone simboliza o rituais sacrificiais das antigas raças pré-colombiana meso americanas. E no Immemorial, o símbolo sintetiza as lendas e raças que viveram nas profundas e frias florestas amazônicas.

 

8. Sabendo de sua grande atuação na cena nacional, gostaria que você citasse seu atual playlist e qual banda que você destacaria dentro do estilo.
Shammash: Difícil fazer uma lista, mas vou tentar listar o que tenho escutado ultimamente:

– TENHI – Savio
– ALCEST – Les Voyage de L’ame
– MY DYING BRIDE – The Barghest O’ Whitby
– DAVID GALAS – The Cataclysm
– TRIARII – Piece Heroique
– THE MOURNINGSIDE – TreeLogia
– ANKHAGRAM – Where are you now
– RAVENTALE – Mortal Aspirations
– SWALLOW THE SUN – Emerald Forest and the Blackbird
– SHATTERED HOPE – Absence

Como pôde notar, são várias bandas de estilos diferentes, difícil destacar uma em particular, pois elas tem sua importância pra cada estilo que elas seguem.

 

9. Por um período vocês estiveram diretamente ligados com a banda Spell Forest. Foi as conhecidas “diferenças musicais” que puseram o fim da parceria entre vocês?
Shammash: Minha saída foi por motivos de falta de tempo mesmo. Devido ao meu trabalho e faculdade, decidi me dedicar integralmente ao Mythological Cold Towers. Não havia diferenças musicais, pois nós gostamos de ouvir boas bandas de Black Metal também.

10. Sabendo que você sempre foi um batalhador pela cena underground, gostaria que você fizesse um comparativo da cena do início dos anos 90 com os dias atuais. O que mudou? O que continua igual? O que deveria ser feito para melhorar?
Shammash: A cena underground como um todo melhorou no sentido que há um público relativamente maior, mais estrutura, mais veículos de divulgação e a internet tem contribuído satisfatoriamente com isso. O problema é que, naquela época, as bandas, as pessoas que batalhavam na cena, eram mais perseverantes. Hoje em dia, por ser tudo mais fácil, as pessoas parecem que não dão o devido valor ao que realmente importa e muita coisa boa passa despercebido na cena, devido a grande concorrência e surgimento de muita coisa banal e clichê, falando de música pesada. Pouca coisa se salva. Em se tratando de Doom Metal, a cena no Brasil sempre foi algo isolado, sempre houve um descaso do público e da mídia especializada que nega ou faz do estilo, algo depreciativo. Mas estamos ai, junto com outras bandas de Doom, pra transformar essa imagem negativa e erguer a cena e resgatar o seu merecido respeito.

 

11. Agradeço pela entrevista e deixo o espaço aberto para suas últimas considerações.
Shammash: Agradecemos o espaço cedido ao Mythological Cold Towers. Força total ao Funeral Weeding blog, continuem apoiando o cenário Doom Metal. Aos leitores e fans de Doom, adquirem nosso último álbum, Immemorial, uma saga repleta de lendas vindas das profundas e úmidas florestas Amazônicas!

 

Contatos:
https://www.facebook.com/officialmythologicalcoldtowers 

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