Entrevista: Lacuna Coil

Já faz algum tempo que estou maquinando em fazer uma entrevista com esses italianos. Se for parar para analisar seu estilo musical pouco ou nada tem haver com o doom metal, apesar de terem começado sob o rótulo de gothic metal e fazendo parte daquela onda que assolou o mundo final da década de 90. E sabendo que muitos fãs de doom metal gostam dessa banda independentemente de seu “rótulo” atual, e ainda sim contém uma essência sombria em sua sonoridade. E graças ao manager Mike Charette, que fez a ponte entre esse escriba e a vocalista Cristina Scabbia tornando essa entrevista possível, e dentre os assuntos abordados estão o disco novo Dark Adrenaline, algumas temáticas obscuras que cercam algumas canções, espiritualidade e claro os já batidos downloads ilegais.

 

1. Passado o nervosismo do lançamento do novo álbum, agora é hora da correria, com entrevistas, sessão de fotos, mais entrevistas, shows. De onde você arranja tanta energia para isso?
Cristina: A energia vem do fato de que nós amamos o que fazemos. Eu gostaria que todos pudessem ser capaz de fazer um trabalho sobre a maior paixão na vida. O mundo seria um lugar melhor.

 

2. Ouvindo a faixa End of Time nos traz uma sensação boa por ser uma faixa doce, e na sequência temos a pesada I Don’t Believe in Tomorrow, o que para mim representou algo como a aceitação da “morte” e a “revolta” por não estar mais no mundo dos vivos. Elas possuem uma ligação entre elas ou são apenas o oposto uma da outra para dar um contraponto no álbum?
Cristina: As músicas não estão ligadas de uma maneira que haja uma história que as mantém conectadas, mas há definitivamente uma “vibe” que atravessa todas as músicas que começaram a partir de um período negro da nossa vida no início da canção. “I Don’t Believe in Tomorrow” é uma canção que fala sobre o que você precisa para se levantar por si mesmo quando há algo errado em sua vida, e não tem como adiar decisões, mas agir rapidamente.

 

3. Depois da escolha de Enjoy the Silence, dessa vez foi feita uma escolha bem inusitada. Quem sugeriu essa versão para Losing my Religion?
Cristina: Não é realmente incomum. Acho que a letra de “Losing My Religion” acabou se encaixando perfeitamente em nossa temática. A idéia vem de anos, mas “Dark Adrenaline” foi o recipiente perfeito para incluir esta canção. Coincidência engraçada, é que meses depois que gravamos a canção, o REM decidiu se separar, por isso mesmo que algumas pessoas pensam que a música é um “tributo”, nós fizemos a canção porque simplesmente quisemos uma versão diferente.

 

4. E qual a ligação dos italianos com essa faixa em especial, visto que anos atrás os também italianos do Graveworm fizeram essa versão e tinha um approach mais black metal?
Cristina: Nenhuma conexão na verdade. Essa música é conhecida em todo o mundo e tem sido gravada por diferentes artistas. Nós demos a nossa própria interpretação.

 

5. E você Cristina, já perdeu sua religião?
Cristina: Depende do que você quer dizer com isso. Eu não perdi minha espiritualidade, mas eu gosto de manter isso para mim.

 

6. A faixa My Spirit representa o final de tudo, seja o final de um relacionamento, o fim de uma jornada ou mesmo o fim da vida. Como surgiu a ideia para ela?
Cristina: É uma canção que escrevi depois Peter Steele do Type O Negative faleceu, e é dedicada a todos os queridos que perdemos nestes anos.

 

7. Para algumas pessoas a morte é o fim de tudo, para outras o início. Qual a relação de vocês com a morte?
Cristina: A morte é uma passagem e, mesmo se nós vamos perder as pessoas que perdemos, nós vamos levar o legado para sempre.

 

8. Qual música do Lacuna Coil que vocês já não agûentam mais tocar, mas mesmo assim tem que fazê-la?
Cristina: Nós NÃO temos de tocar qualquer música, gostamos de todas elas, mesmo que tocando algumas delas muitas vezes.

 

9. Como está a expectativa para os shows no Brasil na metade do ano?
Cristina: Eu acho que vai ser um show incrível. Nós tocamos no Brasil antes e a multidão foi quente e louca. Estamos esperando por ainda mais loucuras e “bateção de cabeça”.

 

10. Qual foi o “pior show” que vocês já tocaram. E por que?
Cristina: Talvez alguns dos poucos em nossa carreira com poucos espectadores. Mas é por aí que todos começam, e é isso que faz você construir uma maior experiência.

 

11. Mudando um pouco de assunto, vi uma postagem sua através do seu facebook, demonstrando sua decepção com o vazamento do álbum dias antes de seu lançamento mundial. Até onde você acha que a internet ajuda e até onde você acha que ela “estraga” as coisas?
Cristina: Ela ajuda, porque as pessoas em locais onde o álbum não é distribuído pode conferir por uma nova banda de fora e mais pessoas possam falar sobre isso. Ela estraga as coisas porque isso estraga a surpresa. Há algo de doente em alguém que se sente um gênio ao liberar um álbum antes da data de lançamento. Eu gostaria que este povo soubesse quanto trabalho está envolvido em um processo de gravação, ou tentar trabalhar por alguns meses sem receber seu salário.

 

12. Você já passaram por muita coisa nesses anos de banda. Qual história que você lembra que te deixa triste? E qual foi a história que até hoje você ri sozinha quando recorda?
Cristina: Triste? A única coisa que me deixa triste é pensar nos amigos que perdi nesses anos, Peter Steele, Paul Gray, acima de tudo. O resto da viagem foi chegar ao céu.

 

13. Agradeço por ter cedido seu tempo em responder essa entrevista, e gostaria de deixasse um recado para seus fãs brasileiros.
Cristina: É melhor estarem preparados porque estamos ansiosos para dar a vocês uma dose da “adrenalina das trevas”. Vai ser uma loucura!

 

Fotos: Katja Kuhl/Divulgação

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Uma resposta para “Entrevista: Lacuna Coil

  1. Essa foi de mestre!! Sou fã e nunca imaginei que você faria uma entrevista com eles!!!
    A propósito, manda arrumar a cor da fonte dos comentários, porque eu escrevo e fica preto no preto!!

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