Entrevista: Mythological Cold Towers

Tive meu primeiro contato com essa banda na falecida coletânea “The Winds of a New Millennium”, onde um amigo havia adquirido o cd e veio até a mim e falou: cara, escuta essa banda aqui. E para a minha sorte pouco tempo depois havia saído o debut “Sphere of Nebaddon”. Anos se passaram, álbuns foram lançados e hoje prestes a viajarem para a Europa em sua primeira “tour” pelo velho continente, conversei com o guitarrista Shammash que nos deu mais explicações sobre o conceito do novo álbum “Immemorial”, sobre a expectativa da viagem e traçou um comparativo sobre a cena nos anos 90 e hoje.

 

1. O álbum Immemorial foi lançado no final do ano passado, gostaria de saber como está a aceitação dele, se vocês estão tendo um feedback legal desse play?
Shammash: Está bem satisfatória, pois a Cyclone Empire está fazendo um ótimo trabalho em divulgá-lo. O álbum saiu em Outubro de 2011, mas antes disso o selo enviou várias promos para diversos veículos ligados ao underground. Sendo assim, tivemos ótimas resenhas acerca de Immemorial, o qual foi muito bem aceito tanto pelos apreciadores de Doom Metal como na cena Metal underground.

 

2. Este novo álbum fecha a trilogia iniciada pelo Remoti Meridiani Hymni, mas sonoramente ele se aproxima muito do debut Sphere of Nebaddon, sei que não foi algo pensado, mas como foi o processo de composição dele?
Shammash: Aconteceram diversas coisas após o lançamento do penúltimo CD, The Vanished Pantheon, entre elas, mudanças na formação do Mythological Cold Towers. Então, começamos a pensar na proposta de um novo album. Queríamos uma sonoridade que estivesse mais próxima do Doom/death, mais frio e desolador que os albuns anteriores, mesmo mantendo as características épicas sempre exitentes durante longa jornada da banda. Desta forma, o resultado foi o que esperávamos, um álbum que resgatasse a profunda essência do Doom Metal, como nos velhos tempos, do início dos gloriosos anos 90. A sonoridade de Immemorial foi relativamente associada a do primeiro album, Spheres Of Nebaddon, justamente por ter essa característica fria, moribunda e austera de ambos os álbuns.

 

3. Como estão os ensaios para o show na Europa, mesmo sabendo que o baterista Hamon está morando na Irlanda?
Shammash: Ensaiamos com o áudio da bateria de Hamon. Sendo assim, estamos tranqüilos quanto a isso e os ensaios estão bem executados.

 

4. E como está a expectativa/ansiedade para esse show?
Shammash: Estamos ansiosos para tocar na Europa, onde muitos fãs de Doom Metal terão a oportunidade de nos assistir pela primeira vez. Há tempos planejávamos esta tour e agora acreditamos que seja o momento certo, devido a grande aceitação de nosso novo álbum que consolidou o nome da banda na cena Doom Metal mundial e por estarmos bem estruturados para que isso ocorra.  Será memorável para nós e para a cena Doom Metal brasileira.

 

5. Já possuem alguma outra data agendada ou somente esta por enquanto?
Shammash: Por enquanto somente estas datas estão confirmadas, mas estamos trabalhando para que surja mais eventos em outros países. Assim que tivermos algo concreto anunciaremos em breve.

 

6. Estava vasculhando por alguns blogs pela net, (http://www.tenhomaisdiscosqueamigos.com/2012/01/16/os-10-melhores-albuns-de-metal-de-2011/) e nele continha o novo álbum como um dos melhores discos lançados em 2011, vocês chegaram a ver sobre essa nota?
Shammash: Sim, nós vimos essa matéria. Ficamos muito satisfeitos porque acreditamos que, com o álbum Immemorial, nós alcançamos a nossa identidade como música e conceito e num país onde o Doom Metal é quase desconhecido e, algumas vezes, denegrido. Então essa boa repercussão que o álbum está tendo, fez com que muitas pessoas que não nos conheciam antes, ouvissem e respeitassem o nosso trabalho.

 

7. Mudando um pouco de assunto, já faz um bom tempo que venho reparando naquele ícone na logo de vocês e cada álbum ele muda, começando com aquela torre, que acredito que era a ideia original, passando por vários outros símbolos. Quais seus significados e como se deu a ideia para isso?
Shammash: Cada símbolo transmite uma espécie de ícone do contexto de cada álbum. No primeiro álbum, o símbolo é uma torre que marca a emersão do nome Mythological Cold Towers na cena underground. No segundo, trata-se de um guerreiro inca, que simboliza a mitologia sul americana. Já no terceiro álbum, o ícone simboliza o rituais sacrificiais das antigas raças pré-colombiana meso americanas. E no Immemorial, o símbolo sintetiza as lendas e raças que viveram nas profundas e frias florestas amazônicas.

 

8. Sabendo de sua grande atuação na cena nacional, gostaria que você citasse seu atual playlist e qual banda que você destacaria dentro do estilo.
Shammash: Difícil fazer uma lista, mas vou tentar listar o que tenho escutado ultimamente:

– TENHI – Savio
– ALCEST – Les Voyage de L’ame
– MY DYING BRIDE – The Barghest O’ Whitby
– DAVID GALAS – The Cataclysm
– TRIARII – Piece Heroique
– THE MOURNINGSIDE – TreeLogia
– ANKHAGRAM – Where are you now
– RAVENTALE – Mortal Aspirations
– SWALLOW THE SUN – Emerald Forest and the Blackbird
– SHATTERED HOPE – Absence

Como pôde notar, são várias bandas de estilos diferentes, difícil destacar uma em particular, pois elas tem sua importância pra cada estilo que elas seguem.

 

9. Por um período vocês estiveram diretamente ligados com a banda Spell Forest. Foi as conhecidas “diferenças musicais” que puseram o fim da parceria entre vocês?
Shammash: Minha saída foi por motivos de falta de tempo mesmo. Devido ao meu trabalho e faculdade, decidi me dedicar integralmente ao Mythological Cold Towers. Não havia diferenças musicais, pois nós gostamos de ouvir boas bandas de Black Metal também.

10. Sabendo que você sempre foi um batalhador pela cena underground, gostaria que você fizesse um comparativo da cena do início dos anos 90 com os dias atuais. O que mudou? O que continua igual? O que deveria ser feito para melhorar?
Shammash: A cena underground como um todo melhorou no sentido que há um público relativamente maior, mais estrutura, mais veículos de divulgação e a internet tem contribuído satisfatoriamente com isso. O problema é que, naquela época, as bandas, as pessoas que batalhavam na cena, eram mais perseverantes. Hoje em dia, por ser tudo mais fácil, as pessoas parecem que não dão o devido valor ao que realmente importa e muita coisa boa passa despercebido na cena, devido a grande concorrência e surgimento de muita coisa banal e clichê, falando de música pesada. Pouca coisa se salva. Em se tratando de Doom Metal, a cena no Brasil sempre foi algo isolado, sempre houve um descaso do público e da mídia especializada que nega ou faz do estilo, algo depreciativo. Mas estamos ai, junto com outras bandas de Doom, pra transformar essa imagem negativa e erguer a cena e resgatar o seu merecido respeito.

 

11. Agradeço pela entrevista e deixo o espaço aberto para suas últimas considerações.
Shammash: Agradecemos o espaço cedido ao Mythological Cold Towers. Força total ao Funeral Weeding blog, continuem apoiando o cenário Doom Metal. Aos leitores e fans de Doom, adquirem nosso último álbum, Immemorial, uma saga repleta de lendas vindas das profundas e úmidas florestas Amazônicas!

 

Contatos:
https://www.facebook.com/officialmythologicalcoldtowers 

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Barren Earth – The Devil’s Resolve

Quando debutaram no final da década passada, foi criada uma expectativa enorme acerca desse “super grupo” pois trata-se da a junção de ex-Amorphis + Swallow the Sun + Kreator + Moonsorrow. E confesso que apesar de ter achado bom o álbum de estréia, senti que ainda estava faltando algo e criei uma grande desconfiança a respeito desse The Devil’s Resolve. Para a minha sorte esse álbum acertou em cheio e em meios comparativos esse seria o álbum perdido entre o Tales from the Thousand Lakes e Elegy.
O álbum abre com Passing Of The Crimson Shadows, pois ela meio que resume o que vem a ser o álbum, passagens melódicas, guitarras pesadas, vocais guturais, uma certa dose de metal progressivo e servindo perfeitamente de aperitivo para aquela que chamo de Black Winter Day  do Barren Earth.
The Rains Begin foi composta pelo mesmo cidadão que compôs um dos clássicos do Amorphis, e até a timbragem de seu instrumento, ao menos para mim,  remete à citada canção. Não é cópia, muito pelo contrário, mas a sacada do teclado e aquela guitarra fraseando em cima já é bem conhecida.
Vintage Warlords segue numa mesma pegada de Drowned Maid, embalada e um pouco pegajosa. Chegando na metade da faixa, ela ganha velocidade e a vontade de aumentar o volume e enlouquecer dentro de casa batendo cabeça é grande, passado esse momento insano, ela tem uma quebrada de andamento e tudo soa tão melodioso, e novamente os vocais cavernosos de Mikko Kotamäki nos fazem companhia.
As it is Written começa com um toque de gaita-de-foles como se tivesse convocando todos para a batalha. Essa faixa tem um toque especial, pois mesmo com melodias fáceis e um apelo mais comercial, ela não enjoa, isso se deve à sua versatilidade/diversidade musical contida. Um detalhe nessa faixa é a parte de piano, com um toque “jazzistico” antecendendo a psicodelia no melhor estilo prog-metal que acompanha até o final dela.
The Dead Exiles é meio que o oposto da faixa anterior, com uma pegada mais voltada ao doom e um pouco introspectiva em seu início, apesar do caos sonoro que o acompanha ao fundo. Essa faixa mostra o quão diverso é o mundo musical do Barren Earth, pois passeia entre o doom, death e prog-metal, sem deixá-lo chato ou cair na mesmisse.
Oriental Pyre começa de uma forma nervosa e aos poucos vai se tornando a faixa mais progressiva desse disco.
White Fields segue a influência prog da faixa anterior e os vocais de Kotamäki principalmente nessa faixa, seguem a mesma linha de Jonas Renkse (Katatonia), fazendo um contraponto muito bom (musicalmente falando) para quem quiser comparar com o trabalho de sua outra banda.
E para fechar a versão normal do disco, Where All Stories End, outra faixa seguindo uma linha mais doom, num clima de despedida para deixar o ouvinte com vontade de botar a bolachinha para rodar novamente.
Para quem quiser desembolsar um pouco mais, pode comprar a versão de luxo que acompanha 2 bônus ou então a versão japonesa que traz de brinde, além dos citados bônus mais 2 faixas do ep Our Twilight.

 

Barren Earth – The Devil’s Resolve (Peaceville)
1. Passing of the Crimson Shadows
2. The Rains Begin
3. Vintage Warlords
4. As it is Written
5. The Dead Exiles
6. Oriental Pyre
7. White Fields
8. Where All Stories End

 

 

Contatos:
http://www.facebook.com/BarrenEarth
http://www.peaceville.com/

 

(EchO) – Devoid of Illusions

Após uma demo e um material promocional, eis que esses italianos chegam ao seu debut e já estava mais que na hora de ser lançado. Após a pequena intro, os primeiros acordes de Summoning the Crimson Soul surgem nos falantes e temos o início de um excelente melodic death/doom metal.
Abusando da afinação baixa e dos riffs sinistros aliados aos vocais cavernosos de Antonio Cantarin, deixam a faixa bem macabra, te levando do inferno ao céu após os climas de teclado e vocais limpos, para te trazer novamente ao vale das sombras.
Unforgiven March continua segurando sua alma fétida no umbral, principalmente pelas sensações de ira e angústia que essa faixa consegue lhe passar. Uma atenção especial para a letra, mesmo com pouco conhecimento de inglês o ouvinte é capaz de se imaginar perambulando pelo outro lado da vida.
The Coldest Land começa de uma forma viajante, com linhas de piano e guitarras sem distorção, vocais de um certo modo melódico e com a bateria acompanhando. Poucos segundos após temos o inverso, guitarras ultra pesadas e vocais cavernosos sendo vomitados, lembrando em muito o Swallow the Sun da época do Ghosts of Loss.
Internal Morphosis tem algo de moderno e doentio nela. Após um pequeno clima de teclado, temos um riff de guitarra/baixo até meio hipnotizante, principalmente ao ouvi-lo em fones de ouvido a seguinte frase: “… holding life for a lie…”.
Essa faixa pode funcionar muito bem ao vivo, mas o final dela seguindo uma linha math metal/djent, eu achei que poderia ter ficado de fora, mas nada que atrapalhe o andamento do disco, é somente uma opinião pessoal.
Após o turbilhão, chega a vez de Omnivoid e aquela viagem com uma dose de melancolia prosegue. Ao longo de seus primeiros 4 minutos, num total de 8, temos essas viagens psicodélicas/melancólicas e nos 4 minutos restantes temos uma mudança de andamento, com riffs ultra pesados e dignos de uma bateção de cabeça para já nos “acréscimos” se deixar morrer agonizando.
Os minutos finais da faixa anterior serve de preparação para Disclaiming my Faults. Guitarras pesadas intercaladas com notas de piano e logo me vem a mente a faixa Disappear do Paradise Lost, com o mesmo senso melódico/depressivo. A letra dessa música chega a ser doentia, e se torna tão atual aos fatos que acontecem em nosso dia a dia, e mesmo assim é capaz de chocar ao se imaginar tentando sufocar seu filho com um travesseiro.
Nos minutos finais com a intensidade musical aumentando, nos dá a impressão do seu eu racional tentando desesperadamente voltar ao seu corpo enquanto o animal interior insiste em lutar.
Once Was a Man é uma bela canção, sua linha melódica é poderosa, as dobras de vocais ficaram excelentes e fica impossível ouvi-la e não sentir o sopro melancólico em sua face.
Sounds from Out of Space vem para encerrar esse disco e de quebra temos a participação de Greg Chandler (Esoteric) que por acaso foi o produtor do disco.
E talvez pelo peso dessa participação, essa seja a faixa com uma levada mais funeral. Na segunda parte da música o vocalista Antonio Cantarin assume os vocais e a faixa ganha um pouco mais de “velocidade”.
Tenho certeza que ao chegar ao final desse disco, o ouvinte certamente irá olhar para o cd-player e colocará para rodar novamente.

 

(EchO) – Devoid of Illusions (Solitude Prod/BadMoodMan Music)
1. Intro
2. Summoning the Crimson Soul
3. Unforgiven March
4. The Coldest Land
5. Internal Morphosis
6. Omnivoid
7. Disclaiming My Faults
8. Once Was a Man
9. Sounds From Out of Space (feat. Greg Chandler)

 

 

Contatos:
http://www.facebook.com/pages/EchO/141116903052
http://solitude-prod.com/blog/lang/eng/2011/11/bmm-047-11-echo-devoid-of-illusions/

Decayor – Recurring Times of Grief

Como é bom pegar uma demo para ouvir e ainda saber que existem bandas que apostam naquela linha old shool para executar o seu som.
Veja o caso dessa banda aqui, surgiram em 2001 tendo lançado poucos materiais até então, sendo em 2005, 2008 e esse em 2009.
Após a breve intro de Stir of Echoes servindo de preparação do terreno para o massacre death/doom desse trio irlandês.
Veil of Despair começa de forma lenta e poderosa ao longo de seus 12 minutos encontramos tudo aquilo que uma banda precisa: linhas melódicas de guitarra, baixo preciso, bateria cadenciada e um vocal cavernoso. Encontramos algumas passagens atmosféricas e também alguns vocais agonizantes.
The Sacred Heart is Bleeding começa com uma pegada voltada ao death metal (old school) e já em seu primeiro minuto você se flagra batendo cabeça. Um destaque para essa faixa são os vocais limpos um tanto sofridos, muito bem executados e causam uma certa aflição no ouvinte. O andamento tem uma quebrada de tempo ou podemos simplesmente dizer literalmente que morreu, e até podemos ouvir alguns grunhidos aqui e ali.
Weeping Willows vem para encerrar essa demo, começando com uma linha melódica de guitarra e por alguns instantes temos somente a bateria conduzindo o moribundo. Novamente as linhas melódicas entram em ação e aliadas aos vocais limpos vão conduzindo o ouvinte ao vale das sombras dando um certo ar sorumbático a faixa. Após passado o momento de melancolia, chegamos a agressividade para novamente cair em desespero e morrer em calmaria
Para quem busca aquele death/doom com uma cara dos anos 90, lembrando de leve as bandas pioneiras do estilo como Paradise Lost/Anathema fica uma boa a dica.
No link abaixo tem sua demo de 2008 (Welcome to the Blench of Betrayal) disponível para download, e que venha logo o full lenght.

 

Decayor – Recurring Times of Grief (independente)
1. Stir of Echoes
2. Veil of Despair
3. The Sacred Heart Is Bleeding
4. Weeping Willows

 

 

Contato:
http://www.lastfm.com.br/music/Decayor

Interview: Funeral

The first time I contacted the Norwegian musician was around 2003/2004 the first version of Funeral Wedding, when he divulged the In The Fields of Pestilent Grief. Many years passed, contacted him again this time about to launch Oratorium. Many things happened in the way of Funeral, since its formation to date and in this interview Eek tells us about the new album on the “influence” of his former friends / band mates who are no longer among us about your side project Fallen.

 

1. Would you like to update us about the latest release ‘As The Light Does The Shadow’ until the present day.
Anders Eek – Finally the succsessor of “ATLDTS” is finnished and ready for release through the German label Grau, hopefully seeing an early summer release. If it were up to us the album would be released summer of 2011, as everything was ready then, but due to label politics and different logistic issues, that did not happen. I am also very happy to announce our new members, singer Sindre Nedland and bassist Rune Gandrud, who took over when F. Forsmo decided to leave.
The album contains 7 songs (10 on the digipack, included a cover version of a Norwegian singer/songwriter…) with our brand of Funeral-doom.
This time around the orchestration is given an even bigger and more epic and bombastic approach than on earlier records.
Its by far the album that we have spent most hours and time composing. And its no secret that this album has everything that we can deliver regarding doom, gloom and misery! Sounds depressing, but its definetly the key to our most defined work of art to this day: pure melancholia.

 

2. To Mourn is a Virtue is a new ‘old’ album, how did the idea for this release come to life?
Anders Eek – We recorded an instrumental (as we were without a singer at the time) 10-track demo in 1996 at the Academy studios in England, produced and mixed by the famous Mags, and released that a year later as the demo “To Mourn is a Virtue” with singer Sarah Eick on vocals. The demo did not get a lot of attention from record labels, so it got “scrapped”. Over the years we have played around with some of the tracks, using different singers, adding some orchestration etc.
During the years a lot of fans have asked about this recording.
Finally we got a good offer from Solitude Productions to get it properly released, and thus we approved this idea. However I felt like giving the fans a treat, and included never before released versions, included performances by our former singer F. Forsmo, as well as a performance by a singer we tried out,but never was offered the job: Øystein Rustad. (the engineer from the recording of “in Fields..”)
Today I definetly feel these songs sounds even better than in the 90’s, and its a pleasure sharing these recordings with our fans. The original “To Mourn is a Virtue” demo will be released on vinyl through the American label The Crypt later this year, thus the fans get a second treat, and get to hear the entire original demo from 1997.

 

3. Funeral lost  two important members since its formation. How does the loss of these members reflect on the sound today?
Anders Eek – Its definetly a toll to bear. Life will never be the same. I have though learnt to deal with it, but its a burden, all right. Loosing close frinds does something with you.
I know though that both Einar and Christian would have wanted me to continue the band, and I did after quite some time in mourning.
I felt early in the process that my deceased good friends and band-colleagues still are a huge part of the band, and its with pleasure that we use only poetry by Einar on the upcoming album “Oratorium”. There are also riffs written by Christian on the album. So I feel the guys are very much alive, and hopefully would have enjoyed the new record. Their spirit is by far still very much alive within the band.

 

4. If you are to choose a song that best represents Funeral, what would it be and why?
Anders Eek – Its a very difficult qustion to answer, as all our songs represents Funeral in one form or another. I can only really mention one of my personal favourite, and thats “Those Fated to Fall” from ATLDTS. For me that song contains all the aspects of a typical Funeral song, slow riffs, mournful melodies, aggressive parts, bombastic orchestration and very well performed vocal-harmonies,plus its diversity and progressiveness…
Another song worth to mention is “Taarene” from our “Tragedies” album from 1995. A song that somewhat defined us as a band, and opened a lot of doors for us, and is still somewhat a classic in some ears.

 

 5. How is the doom scene in Norway, compared to the beginning of the Funeral in the 90’s?
Anders Eek – It seems like there are some more bands today,compared to the eary 90’s. I am not too sure, though, as I rarely have the time to keep me updated in the music-scene. In the early 90’s there were so few bands that performed doom-metal that we actually almost all knew each other, and was a bit like a small family in a way.
But in reality, I don’t think there has ever existed a “doom-scene” in Norway so to speak.

 

6. You are also known for playing in the band Fallen, there are many walks with this project, and no possibility of a new release soon?
Anders Eek – Yes, I have had Fallen as a sideproject for many years now, and I released the album “A Tragedy’s Bitter End” in 2004. I always write songs, not all of them fit into the Funeral form, thus I use that for Fallen. Often its slower and longer songs, more compared with early Funeral.
I also have had problems with the line-up, so its been a task to keep on going as a band, really. Also its been a matter of time in between jobcareer and playing and composing for Funeral.
I have however tons of material written, so it’s really just to get the time and resources to find a steady line-up, and record an album or two. I have received contract offers from several labels. If all goes as planned, an album-release will see the dark of night this autumn.

 

7. There was a rumor about  Shape of Despair Jarno’s be playing with Fallen. How much is this true or just a rumor that was spread on the Internet?
Anders Eek – This is very true. Jarno will perform synth on upcoming new material. Its really an hounour having him in the band, and I am a big fan of his work with Shape. So merging his synth-landscapes with my riffs will be very satisfying indeed.

8. Building on this topic, the Internet is a place with a few clicks it is possible to download the entire discography of several bands. In his view, the Internet disturbs more than it helps?
Anders Eek – It’s definetly a two-edged sword. It’s a fine tool to check out bands and new releases, on the other hand its the death of the physical format as we know it.So basically ,labels don’t sell many albums anymore. My hope is that true fans will buy the product and support the band. If people don’t, the labels don’t have the means to support bands financially anymore, and this will be the death of a lot of bands.

 

9. What are you listening to today, and which band is your favourite?
Anders Eek – Just bought the last Asphyx album,and it totally crushes!!Love it.Death metal the old school way,and performed flawlessly.
Apart from that I rarely check out new bands, and really keeps on listening to old classics like Alice in Chains, Cathedral, Type o Negative, Mournful Congregation, Swans, Emperor, Crowbar, Dead Can Dance, Beethoven, Wagner, etc. Too many to list here, I am afraid.

 

10. Thanks for the interview and would you like to leave your last breath to Funeral Wedding readers.
Anders Eek –Thank you for supporting the band.Without the underground we would be nothing.
So I am very greatful towards both the underground media and our fans.
And please, BUY our records. It’s act supports future recordings! It can be pre-ordered through our label Grau in a while.
Watch out for our new album “Oratorium” to be released early summer 2012.
An absolutly crushing, bombastic, melodic, yet aggressive record, and by far the most diversed album we have written in years. Our new singer even has some growling vocals here and there.
It also contains 2 songs originally written for Fallen, but I felt the tracks would suit our new line-up and sound.
So beware of songs well beyond 14 minutes length, in good old Funeral fashion!
Also remember the 4 different 2LP- releases of all our original recordings from 1993-1999 (included an entire live recording from 1995, which have songs never recorded properly in the studio) through the American label The Crypt.
Everyone who have knowledge of the re-releases by the Crypt know how much work they put into their releases.

 

Doomy regards

 

Eek

 

Entrevista: Funeral

A primeira vez que contatei esse músico norueguês foi por volta de 2003/2004 na primeira versão do Funeral Wedding, quando ainda divulgavam o In The Fields of Pestilent Grief. Muitos anos se passaram, o contatei novamente dessa vez prestes a lançar Oratorium. Muitas coisas aconteceram no caminho do Funeral, desde a sua formação até a presente data e nesta entrevista Eek nos fala sobre o disco novo, sobre a “influência” de seus antigos amigos/companheiros de banda que não estão mais entre nós, sobre seu projeto paralelo Fallen e outros assuntos.

 

1. Gostaria que nos atualizasse sobre o Funeral desde o lançamento de As The Light Does The Shadow até os dias atuais.
Anders Eek – Finalmente, o succsessor de “ATLDTS” está acabado e pronto para o lançamento através do selo alemão Grau, esperamos pelo seu lançamento no início do verão. Se fosse por nós o álbum seria lançado no verão de 2011, como tudo estava pronto, então, devido à política de etiquetas e às diferentes questões de logística, que não aconteceram. Também estou muito feliz em anunciar nossos novos membros, o vocalista Sindre Nedland e o baixista Rune Gandrud, que assumiu quando F. Forsmo decidiu sair.
O álbum contém 7 músicas (10 no digipack, incluiu uma versão cover de uma cantora/compositora norueguesa) com a nossa marca de Funeral Doom.
Desta vez a orquestração é dada uma aproximação ainda maior, mais épico e bombástico do que em discos anteriores.
É, de longe, o álbum que gastamos mais horas e tempo de composição. Não é segredo para ninguém que este álbum tem tudo o que podemos oferecer em relação melancolia, desgraça e miséria! Parece deprimente, mas é definitivamente a chave para o nosso trabalho definido como arte até hoje: a melancolia pura.

 

2. To Mourn is a Virtue é um velho novo álbum como surgiu a ideia para seu lançamento?
Anders Eek – Nós gravamos um instrumental (como estávamos sem um cantor na época) demo 10 faixas em 1996 nos estúdios da Academy, na Inglaterra, produzido e mixado pelo famoso Mags, e lançado um ano depois como o demo “To Mourn is a Virtue” com a cantora Sarah Eick. A demo não teve muita atenção das gravadoras, por isso foi “desmantelada”. Ao longo dos anos, temos tocado algumas das faixas, usando diferentes cantores, acrescentando alguma orquestração, etc.
Durante os anos muitos fãs têm perguntado sobre essa gravação.
Finalmente tivemos uma boa oferta de Solitude Productions para um lançamento apropriado, e portanto, nós aprovamos esta idéia. No entanto, eu senti como se tivesso dando aos fãs um deleite, e incluía versões nunca antes lançadas, incluiu performances de nosso ex-vocalista F. Forsmo, bem como a apresentação de um cantor que nós tentamos, mas nunca foi oferecido o trabalho: Øystein Rustad (o engenheiro da gravação de “In Fields..”)
Hoje eu definitivamente sinto essas músicas soa ainda melhor do que nos anos 90, e é um prazer compartilhar essas gravações com os nossos fãs. A demo original “To Mourn is a Virtue” será lançada em vinil pela gravadora americana The Crypt ainda este ano, assim os fãs terão um segundo deleite, e ouvirão a demo toda original de 1997.

 

3. O Funeral passou pela perda de 2 importantes membros desde sua formação. De que forma a perda desses membros refletem no som do Funeral nos dias atuais?
Anders Eek – É definitivamente um peso suportar. A vida nunca mais será a mesma. Tenho que aprender a lidar com isso, mas é um fardo, tudo bem. Perder amigos íntimos faz alguma coisa com você.
Eu sei que embora tanto Einar e Christian queriam que eu continuasse a banda, e eu fiz depois de algum tempo de luto.
Senti no início do processo que os meus bons amigos falecidos e  colegas de banda ainda são uma grande parte da banda, e é um prazer que usamos apenas as poesias de Einar no próximo álbum “Oratorium”. Há também riffs escritos por Christian no álbum. Então, eu sinto os caras estão muito vivos, e espero que tenham gostado do novo registro. Seus espíritos estão, de longe, ainda bem vivos dentro da banda.

 

4. Se for para você escolher uma música que melhor representa o Funeral qual seria e por que?
Anders Eek – Sua pergunta é muito difícil de responder, pois todas as nossas músicas representam o Funeral de uma forma ou de outra. Eu só posso citar uma das minhas favoritas, e isso é “Those Fated to Fall” de ATLDTS. Para mim essa canção contém todos os aspectos de um canto fúnebre típico, riffs lentos, melodias tristes, partes agressivas, orquestração bombástica e muito bem executada de harmonias vocais, além de sua diversidade e da progressividade …
Outra canção vale a pena mencionar é “Taarene” do nosso “Tragedies”, álbum de 1995. Uma canção que tanto nos definiu como uma banda, e abriu muitas portas para nós, e ainda é soa como um clássico em alguns ouvidos.

 

5. Como está a cena doom na Noruega, em comparação ao início do Funeral na década de 90?
Anders Eek – Parece que há mais bandas hoje, em comparação com o início dos anos 90. Eu não estou muito certo, embora, como eu raramente tenho tempo para me manter atualizado na cena musical. No início dos anos 90, havia tão poucas bandas que tocavam doom metal e na verdade quase todos se conheciam, e era como uma pequena família.
Mas, na realidade, eu não acho que jamais existiu um “cena doom” na Noruega, por assim dizer.

 

6. Você é também conhecido por tocar na banda Fallen, há quantas anda esse projeto, e há possibilidade de um novo lançamento para breve?
Anders Eek – Sim, eu tive (a banda) Fallen como um projeto paralelo por muitos anos, e eu lançamos o álbum “A Tragedy’s Bitter End” em 2004. Eu sempre escrevo músicas, e nem todos elas se encaixam na Funeral, assim eu uso isso para Fallen. Muitas vezes suas músicas mais lentas, são comparadas com antigo Funeral.
Eu também tive problemas com o line-up, e tornou-se trabalhoso seguir em frente como uma banda de verdade. Também tem sido uma questão de tempo entre o trabalho e compondo para o Funeral.
Tenho no entanto toneladas de material escrito, e é apenas uma questão de tempo e recurso para encontrar uma line-up constante e gravar um álbum ou dois.
Recebi ofertas de contratos de vários selos. Se tudo correr como planejado, um novo lançamento verá a escuridão da noite no próximo Outono.

 

7. Rolou um boato sobre o Jarno do Shape of Despair estar tocando no Fallen. O quanto isso é verdadeiro ou foi apenas um boato que se espalhou na internet?
Anders Eek – Isto é muito verdadeiro. Jarno irá tocar sintetizador no novo material para breve. É realmente uma honra tê-lo na banda, e eu sou um grande fã de seu trabalho com Shape. Então fusão de suas paisagens sintetizadas com meus riffs vai ser muito gratificante mesmo.

 

8. Aproveitando este tópico, a internet é um lugar que com poucos cliques é possivel baixar a discografia toda de diversas bandas. Na sua opinião, a internet atrapalha mais do que ajuda?
Anders Eek – É definitivamente uma faca de dois gumes. É uma excelente ferramenta para conhecer bandas e novos lançamentos, por outro lado é a morte do formato físico como nós o conhecemos. Então, basicamente, os selos não venderão muitos álbuns. Minha esperança é que os verdadeiros fãs irão comprar o produto e apoiar a banda. Se as pessoas não fazem, os rótulos não têm os meios para apoiar financeiramente as bandas, e isto será a morte de um monte de bandas.

 

9. O que você anda escutando hoje em dia, e qual banda você destacaria?
Anders Eek – Só comprei o último álbum Asphyx, e é totalmente esmaga! Amá-lo. Death metal a maneira da velha escola, e foi impecável.
Fora isso, eu raramente confira novas bandas, e realmente continua a ouvir velhos clássicos como Alice in Chains, Cathedral, Type O Negative, Mournful Congregation, Swans, Emperor,  Crowbar, Dead Can Dance, Beethoven,Wagner etc. São muitos para listar aqui, estou com medo.

 

10. Obrigado pela entrevista e gostaria que deixasse seu último suspiro aos leitores do Funeral Wedding
Anders Eek – Obrigado por apoiar a banda. Sem o underground não seriamos nada. Então eu sou muito grato para todos os meios underground e os nossos fãs.
E por favor, COMPREM nossos registros. Isto apoia gravações futuras! Pode ser pré-encomendado através do nosso selo Grau há algum tempo.
Fiquem atentos para o nosso novo álbum “Oratorium” que será lançado no início do verão de 2012.
Está absolutamente esmagador, bombástico, melódico, mas agressivo, e de longe o álbum mais diversificado que temos escrito nos últimos anos. Nosso novo vocalista até tem alguns vocais guturais aqui e ali.
Ele também contém 2 músicas originalmente escritas para Fallen, mas eu senti que as faixas serviriam para o nosso novo line-up.
Então, atentem para canções bem além dos 14 minutos de duração, da forma do bom e velho Funeral!
Lembre-se também dos 4 diferentes lançamentos de todas as nossas gravações originais 1993-1999 (incluído uma gravação ao vivo de todo 1995, que nunca foram gravadas corretamente no estúdio) em LP duplo, através da gravadora americana The Crypt.
Todos os que têm conhecimento dos relançamentos pela The Crypt sabe quanto trabalho eles colocam em seus lançamentos.

Doomy regards

Eek

 

 

Contato:
http://www.funeralband.no 

Heavy Lord – Balls To All

Recebi esse material há alguns meses e até hoje não havia conseguido ouvi-lo. Acabei pegando meio que sem querer para ouvir e digo que não me arrependi.
Segundo o press-release trata-se do quarto disco desses holandeses o que para mim não fez diferença, pois é o primeiro material deles que ouço.
Variando entre o stoner e o sludge e a primeira influência, Down, me vem logo à mente, mas a banda não soa como cópia ou algo do gênero. Riffs sujos, pesados vocais gritados e por vezes cantados, e uma cozinha bem entrosada.
Apesar de uma intro que achei meio deslocada, a primeira faixa Balls to All dá a cara a tapa para esse material, principalmente nos vocais ao melhor estilo “sludge”. A seguinte Kick Teeth tem uma pegada mais stoner, recheada de riffs sabbathicos e lá pelas tantas rola até uma passagem climática, sendo um dos pontos altos da música.
Dieselweed começa pesada, com um riff meio hipnótico, para não dizer chapado, para cair de vez no doom, arrastado, sorumbático e mórbido. Ao se deixar levar pelos vocais meio falados o ouvinte vai viajando na melodia até levar um susto com os berros vomitados pelo cidadão seguido dos riffs cortantes de guitarra.
Fear the Beard é uma faixa bem variada, com diferentes andamentos, ora lentos, ora mais rápidos e chegando à metade dela, podemos curtir um belo solo de guitarra bem ao estilo setentista, pois até a distorção usada nos leva aquela época. Fiquei imaginando essa faixa ao vivo e deve ser de entorpecer quem estiver na frente do palco.
Após uma breve passagem pela música 6, que serve de intro para a assustadora Mare Traquillatis, tendo seu início com umas viagens de sintetizador fazendo com que pareçam vozes vindas do além, trazendo-nos uma certa apreensão de o que virá a seguir?. E a resposta é simples, riffs pesados, bateria em andamento ultra lento, baixo distorcido e uns vocais, com efeito, parecendo que o sujeito canta num balde com água, para fazer jus ao nome da faixa.
E para fechar o disco, Drown que nos traz um dueto bem interessante, cantando sobre a melodia da guitarra e obtendo um resultado muito bom. Comparando o álbum como um todo, essa faixa é a que se afasta mais dos estilos tento até uma maior influência de rock setentista em seu som.
Recomendo esse som, principalmente para os finais de semana regados a litros cerveja e em companhia de sua garota.

 

Heavy Lord – Balls To All (Solitude Prod)
1. Back When The Giants Ruled The Earth
2. Balls To All
3. Kick Teeth
4. Dieselweed
5. Fear The Beard
6. Track 6
7. Mare Tranquillatis
8. Drown

 

 

Contatos:
http://heavylord.nl/four/indexfour.html
http://solitude-prod.com/blog/lang/eng/2011/05/sp-047-11-heavy-lord-balls-to-all/