Doom Night – 26/03/2011

Após uma longa mas divertida viagem, aportamos em Curitiba próximo das 21h, onde as bandas catarinenses Agony Voices e Pain of Soul foram dar uma checada no som antes das portas se abrirem.
Um pouco antes da entrada da Agony Voices uma chuva daquelas de lavar o cidadão decidiu desabar sobre nossas cabeças e sendo assim, acabei não acompanhando todo o set deles. Mas o pouco que vi, me admirei com o som da banda ao vivo, tá certo que eles decidiram por um set mais curto e o seu doom/black metal mostrou seu lado mais “agressivo”. O palco com luz natural aliada as luzes das velas deram um clima soturno. Tocaram algumas músicas de seu debut que logo deverá estar rodando pelo underground, e duas músicas novas Night Minds e The Arrival of the End, que já da para imaginar o que vem pela frente.

Na seqüência veio a Pain of Soul, que está prestes a lançar o seu debut e seu gothic doom soa bem coeso. Músicas como Rvhe Sanft e Das tal dês Vohlstandes soaram muito bem na língua germânica, dando um clima legal, mas as seguintes Sweet Suffering e The Rustle of the Trees, me falta palavras para descrever, vocais líricos intercalados aos guturais e uns riffs de guitarra extremamente melancólicos.

Após alguns ajustes no som, a hora mais esperada da noite, e aos primeiros acordes de Void foi dado início ao que viria a ser um dos melhores shows doom que já presenciei. Muito bem ensaiados e com uma técnica ímpar o Lachrimatory dá mais um passo importante ao seu reconhecimento. Músicas como Seclusion que o vocalista Ávila novamente dedicou ao seu falecido pai e Lachrimatory, com aqueles corais são de cortar ao meio o mais depressivo sujeito. Para dar uma “animada” as já conhecidas Carnal Abyss e Impure Heart, que encerra a noite de forma espetacular. Um presente para os poucos fãs desse gênero de metal que estavam presente.

*podem clicar na foto para vê-la em tamanho maior.

The Gardnerz – The System Of Nature

Aos primeiros acordes desse play, automaticamente nos leva para o início dos anos 90 onde a cena doom/death era tocada de forma crua e Paradise Lost, Anathema e Katatonia ainda não tinham flertado com outros estilos, ou sequer aliviado o pé da “podreira”. A faixa de abertura The Art of Suffering, nos lembra bastante o grandioso Dance of December Souls, tocado de forma simples mas melodiosa. Your Final Solution tem um trampo bem legal de guitarra e onde o sr. Niclas Ankarbranth solta a voz, ora urrado e ora odioso. Flaw in the Axiom tem uma pegada mais death, mas com umas excelentes melodias de guitarra e também é a maior faixa, chegando aos 6 minutos. More or Less é uma faixa que merece destaque, com o baixo logo no início marcando a música e seu andamento mezzo doom mezzo death e uma rifferama de guitarra de dar inveja. Vale destacar o fato do guitarrista Wilhelm Lindh ter tocado no Tristitia. Se você já curtia sua antiga banda, é bem provável que curta essa também.

The Gardnerz – The System Of Nature (Abyss Records)
01. The Art Of Suffering
02. Lady In The Grave
03. Your Final Solution
04. Born To Consume
05. Incident
06. Shift In Thought
07. Flaw In The Axiom
08. More Or Less
09. Confusion
10. Maybe It’s Time
11. Bloody Vengeance (VULCANO cover)
12. Servants Of The Warsmen (WINTER cover)

Contato:
www.myspace.com/thegardnerz
http://www.facebook.com/thegardnerz

Art of Empathy – Posthuman Decandence

Manja aquela cena do Senhor dos Anéis onde os Orcs marcham para o Abismo de Helm, então, esse disco do Art of Empathy cabe como trilha sonora perfeita. Um álbum cheio de orquestrações, toques tribais de bateria, uns samplers de pessoas conversando, e um vocal sussurrado, como se fosse contando uma história ao pé do ouvido. Por vezes caímos em algumas melodias, calmarias, e outras vezes as batidas vão se tornando mais frenéticas e vai envolvendo o ouvinte, deixando aquela expectativa de: o que virá a seguir?? O bom que esse lançamento pode ser baixando free tanto do site do banda quanto do site da FunerART. Se você é um aficcionado por trilhas sonoras, ou até mesmo uma música experimental, pode ir sem medo, que é diversão na certa.

Art of Empathy – Posthuman Decandence (FunerART)
1. The Design
2. Good Morning Sick World
3. Don’t Mind
4. Recreation
5. If This Is A Man
6. Beautiful War
7. Still Dancing
8. Virile Earth
9. The Source
10. The Paradox Of Essence
11. Dying Cosily
12. Posthuman Decadence

Contatos:
http://www.artofempathy.be/
Download Free
http://www.funerart.org

La Creación Humana – Frustration Emotions

Ao colocar esse play para rolar, feche os olhos e pense da seguinte forma: você vai entrar em transe e os momentos mais marcantes de sua vida, irá passar de frente aos seus olhos. Todas  aquelas emoções de angústia, desespero, euforia e com certeza um turbilhão de coisas irá sentir. A primeira faixa Algo, é o meio de transporte dessa realidade para o que está guardado em sua mente. A partir da segunda faixa Designio que a coisa vai ficando feia, mas no bom sentido, algumas vocalizações em vocoder parece que alguém do além-túmulo está tentando conexão, e aquela pessoa chorando ao fundo, vai nitidamente lhe dando um certo desespero. Tyempo y Sueños é outra faixa que vai aflorando os sentidos, pois aqueles acordes de sintetizadores, aliados as batidas tribais leva o ouvinte a um mergulho ao seu interior. Já em Rebelión y Génesis apesar do começo meio angústiante, cai numa batida bem dançante, digno de raves góticas. Prato cheio para fãs de Drone e se você não é chegado nesse tipo de som, peço para que dê uma pequena conferida, principalmente naquele momento em que você quer ficar consigo mesmo.

La Creación Humana – Frustration Emotions (FunerART)
1. Algo
2. Designio (Feet: Art of Empathy)
3. Concepción del Pecado
4. Tiempo y Sueños (Feet: Dios Incandescente)
5. Su Enfermedad (Feet: A.b.o.u.t.T.h.e.L.i.g.h.t.)
6. Rebelión y Génesis (Feet: Say Just Words)
7. Venganza
8. La Creación Humana (Feet: Folkrying)
9. Nada

Contatos:
http://www.funerart.org/
http://www.myspace.com/funerarttheexperimentalul
http://www.FunerART.org /store.html

Colosseum – Chapter 3: Parasomnia

Este álbum do Colosseum é a forma física da desolação do ser humano. Já em seus primeiros acordes da extensa faixa Dilapidation and Death já mostra para que veio, seus fraseados viajantes de guitarra em contra ponto com acordes de piano elétrico, e o que falar sobre aqueles corais nos minutos finais, são realmente de rasgar a alma. Questioning Existence serve de prelúdio para a gélida e não menos bela Passage to Eternity. Já na faixa título, seu início atmosférico hipnotizante nos deixa uma sensação de pesar, já sabendo que esta é a última música do play e também ao saber que não haverá outro disco dessa maravilhosa banda.
Como disse na entrevista com Sameli, que este disco acabou se tornando póstumo, e com certeza Juhani esteja onde estiver, sente-se orgulhoso do trabalho desses rapazes.
Só um toque eu dou, se você estiver pensando em tentar algo contra si, não escute esse disco, pois com toda a certeza, você NÃO chegará ao final dele.

Colosseum – Chapter 3: Parasomnia (Firedoom)
1. Dilapidation and Death
2. Questioning Existence
3.  Passage to Eternity
4. On the Strand of Nightmares
5. Parasomnia

Contatos:
http://www.myspace.com/colosseumband
http://www.colosseumdoom.com/

Entrevista Colosseum

Entrei em contato com Sameli Köykkä, ex-baterista da banda Colosseum e atual Saattue, onde nos deu detalhes sobre as gravações do álbum que se tornou póstumo devido ao falecimento de Juhani Palomäki (vox/guit/keys), voltar a reviver as lembranças há quase um ano do ocorrido e também a respeito de sua nova banda Saattue.

O novo álbum não é um álbum póstumo mas acabou se tornando. Vocês já haviam terminado de gravar todo o material ou ainda faltava algumas vocalizações, orquestrações, etc.
Sameli: Todos os instrumentos e vocais foram gravados durante as sessões de gravação. Nenhum overdub ou regravações foram feitas. Apenas algumas partes de guitarra e orquestrações foram adicionados durante a mixagem, o que aconteceu durante o outono / inverno de 2010.

Apesar dos poucos dias de lançamento do álbum, como está a aceitação dele, ainda mais sabendo que não haverá um show/festa de lançamento dele.
Sameli: O feedback tem sido muito positivo. Buscamos uma direção mais extrema e autêntica, e as pessoas parecem compreender o que está por vir. Penso que este álbum resume muito bem a essência mais profunda do Colosseum e é um álbum de despedida muito bom.

Eu sei que esse assunto é delicado, mas qual foi o primeiro pensamento que veio a mente quando receberam a fatídica notícia, não só sobre a perda do amigo, mas o futuro da banda, a sensação de vazio…
Sameli: A notícia em Maio de 2010, foram realmente esmagadoras e paralisaram totalmente as nossas atividades. Era algo que você não pode ser preparado e que leva muito tempo acabar com ela. Agora só temos de olhar em frente e continuar a nossa própria vida, e não só musicalmente. Perdemos um amigo de verdade, e vai deixar cicatrizes que nunca poderia curar totalmente. Claro que senti o vazio, mas nunca quis desistir.

E passado praticamente um ano do ocorrido, como que vocês estão, psicologicamente falando e ter que reviver este fato novamente devido ao lançamento do álbum?
Sameli: Não foi fácil para iniciar a fase de mixagem no outono passado. Agora, quando o álbum for lançado, eu me sinto aliviado e é muito libertador e ver que ele saiu muito bem. Olli fez um trabalho excelente com masterização, mixagem e distribuição do álbum. Eu e Janne contribuímos tanto quanto possível. Este é o mesmo tipo de processo que seguimos para os álbuns mais antigos, mas desta vez sem Juhani, o que significava que tudo era mais difícil do que antes. A principal intenção para mim foi honrar a memória de Juhani e fazer tudo da forma mais completa possível.

Vocês pensam em lançar um dvd, contendo imagens de alguns shows, além do video para Towards The Infinite?
Sameli: No momento não temos planos para um lançamento em DVD. Infelizmente não há muito material em vídeo de alta qualidade e imagens disponíveis lançando em DVD, não é digno. Eu acho que a internet é a maneira de hoje na partilha de vídeo e imagens.

Vocês 03 já pensaram em continuar tocando juntos, não como Colosseum, obviamente, mas seguir em frente como uma banda, talvez continuando com o legado que Juhani deixou?
Sameli:
Após a acontecimento infeliz na Primavera passada o primeiro pensamento de todos nós foi a de que Colosseum terminaria após lançamento de Parasomnia. Agora, quando quase um ano se passou, nos achamos mais otimistas e não quero fechar a porta permanentemente. Como afirmado anteriormente, não temos quaisquer planos para o futuro, mas é possível que algo possa acontecer quando for a hora certa. Quando, como e com que nome isso vai acontecer, não se sabe ainda.

Vamos mudar de assunto um pouco, recentemente você entrou no Saattue, e já tem algumas músicas novas compostas, há alguma previsão de gravação para um novo material?
Sameli: Sim, há seis meses Saattue o baterista deixou a banda e eles chamaram-me se eu estaria interessado em entrar na banda como baterista permanente. Eu conhecia Tuukka Koskinen já que ele também era um grande amigo de Juhani e participou da gravação de Parasomnia como vocalista convidado. Eu tenho ouvido Jani Koskela do Let MeDream desde os anos 90, e também havia conhecido alguns dos rapazes Saattue, pois algumas vezes realizamos shows juntos.
Embora eu tenha dois projetos na minha cidade, eu me sinto vazio sem uma banda principal. Por esse motivo, após o pedido do Saattue senti um alívio e, depois de ensaiar algumas de suas músicas, eu fiz um ensaio teste com eles e no mesmo dia eu entrei na banda. No momento tocamos apenas um show juntos, mas mais ainda está por vir e eu não posso esperar para começar a trabalhar em um novo material. Novas músicas ainda não estão prontas, mas certamente vamos criá-las e espero gravar um novo álbum em breve.

O verão está se aproximando, e junto dele os festivais pela Europa, e como está a agenda de shows da Saattue?
Sameli: Nós não temos nenhum show confirmado para os festivais do próximo verão, mas é claro que estamos livres e dispostos a fazê-las se algo estiver em vista. Infelizmente, a maioria dos planos de shows “estrangeiros” caem por novos desafios econômicos, principalmente por causa dos altos custos de viagem. Com Colosseum enfrentamos esse problema várias vezes e eu acredito que da mesma forma para todas as bandas escandinavas também.

Apesar da distância, e da diferença de linguagem, vocês já cogitaram em fazer uma tour pela américa do sul, visto que algumas bandas escandinavas estão começando a vir e ter uma ótima receptividade, vide caso como Finntroll, Korpiklaani, etc..
Sameli: Não houve qualquer planos para shows na América do Sul ainda, mas eu ficaria muito feliz de fazer uma tour por aí. Eu tenho um monte de colegas na América do Sul e eu sou um grande amigo para a banda brasileira chamada Cobalto. Um par de anos atrás, eles estavam em turnê na Europa e eu ajudei com seus shows como técnico de palco. Seria ótimo encontrá-los novamente, assim como outras pessoas e bandas da América do Sul. Recentemente me tornei um fã da banda de doom Procession, do Chile, que eu acho que é uma das melhores bandas do estilo nos dias de hoje.

Musicalmente falando, alguma possível música do Saattue vir mais direcionada ao Funeral Doom, devido a influência de sua antiga banda.
Sameli: Hmm, interessante maneira de pensar … No momento em que eu ensaiava apenas as músicas do Saattue, que já está gravado e eu tentei toca-la como inicialmente foi gravada. O que vier a ser feito em novas canções do Saattue? eu não acho que minha influência seja eficaz o suficiente para mudar a direção para Funeral Doom. Saattue tem o seu próprio estilo e acredito que continuará basicamente o mesmo. Não tenho nada contra tocar Funeral Doom de novo e eu estou aberto se alguma oportunidade adequada surgir.

Obrigado pela entrevista e deixo o espaço livre para suas últimas considerações.
Sameli:
Parece que nada na vida é estável e, apesar das mudanças, só temos de ir em frente. Estou muito feliz por ter a oportunidade de trabalhar com Juhani e ser uma parte do Colosseum.
Obrigado Rod pela a entrevista, e lembre-se que há uma possibilidade escondida em cada desafio!

 

Knights of White Triangle – Knights of White Triangle

Pense no inferno digital se aproximando, é esse EP do Knights of White Triangle, para ser mais explícito temos aqui uma banda Postmodernist Doom (seja lá o que isso signifique) mas exatamente o que temos é um Drone + Dark Ambient, com batidas destruidoras, guitarras pesadas, vocalizações desesperadas e urradas. Na primeira faixa Colossus em que eu me refiro ao inferno digital, são uns barulhos iguais ao computador que geralmente possuímos em casa e você se empolga e abre uns 300 programas, além do seu tocador de música e dá aquela travada básica, cheguei a ouvir umas 3 vezes essa faixa, para me certificar que não era o meu computador. A faixa seguinte Begotten é também bem caótica dando a impressão que um tsunami está destruindo tudo próximo a você, uma espécie de barulho de sirene de toque de recolher e a sensação que o mundo está se acabando. Espero que venha logo um full-lenght pois esse EP acabou deixando um gosto de quero ouvir mais destruição.

Knights of White Triangle – Knights of White Triangle (FunerART)
01. Colossus
02. Begotten

Contatos:
http://www.myspace.com/droomed
Download Free