Saturndust – Saturndust

CoverNascido em São Paulo em 2010 e tendo em seu curriculum um EP e singles (com as mesmas músicas do EP), eis que debutam no ano de 2015 com esse álbum autointitulado.

Ao longo de seus 46 minutos encontramos o mais puro Doom Metal, com a vista um pouco embaçada devido à fumaça, mas muito bem tocado e viajante.

Os vocais de Felipe Dalam, que também é encarregado dos riffs, mandam muito bem, com um timbre cativante, assim como a cozinha que é bem precisa e coesa.

“Gravitation of a Hollow Body” abre muito bem o disco e acredito ser uma faixa muito forte ao vivo, pois ela é pesada e tem uma levada legal. Mas os pequenos detalhes nela contido são excelentes, alguns barulhinhos são ouvidos, deixando o ouvinte com a sensação de estar embarcado numa missão espacial.

“All Transmissions Have Been Lost” é outra faixa bacana, e nos passa um pequeno sentimento de desolação em alguns riffs, dando a impressão de estar a deriva em meio a imensidão do espaço.

Seguindo adiante nessa melancolia, temos a maior faixa do play, “Realm Of Nothing”. Os samplers usados no início fazem com que esses pequenos detalhes façam a diferença no material. Passado os primeiros minutos de total arrasto, temos uma variação rítmica, deixando a faixa numa pegada mais rápida, para tão logo retornarmos a lentidão.

Após o pequeno interlúdio chamado “Enceladus”, temos a empolgante “Hyperion”. Seu riff de abertura e até a levada me trouxeram a mente o Saint Vitus. Uma coisa que vale ressaltar é que apesar da sonoridade da banda lembrar as bandas de Doom setentista, eles não se limitaram a soar como aquelas bandas, tem sim a influência mas ao mesmo tempo soa tudo muito atual.

E da mesma forma como iniciou, este álbum se encerra. “Cryptic | Endless” nos apresenta bons riffs, andamentos lentos e aqueles barulhinhos já ouvidos anteriormente.

Em suma um ótimo material de estreia desses paulistanos e espero que possamos vê-los trilhando pelos caminhos do Doom mundo à fora.

Saturndust – Saturndust (independente)

1. Gravitation Of A Hollow Body
2. All Transmissions Have Been Lost
3. Realm Of Nothing
4. Enceladus
5. Hyperion
6. Cryptic | Endless

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Agony Voices – Mankinds Glory

AV_Projeto_CD-ALTAgony Voices é um grupo de Doom/Death Metal de origem catarinense, mais precisamente da cidade de Blumenau e nos presenteiam com mais um trabalho de qualidade, o seu segundo álbum, Mankinds Glory. Este novo trabalho, que foi lançado dia 9 de Maio de maneira independente é superior ao seu antecessor, The Sin, lançado em 2011, por trazer os mesmo elementos do álbum passado, mas adicionando uma sonoridade um pouco mais trabalhada e quiçá menos agressiva, podendo então desagradar quem esperava por mais peso da parte da banda.

Começando com a música que dá nome ao álbum, ”Mankinds Glory” é uma faixa que possui um riff incrível, até pegajoso, então a banda acerta em cheio em abrir com essa canção, pois deixa o ouvinte curioso e com vontade de ouvir as próximas faixas. “Nocturnal Minds” e “A New Beginning” seguem com ótima qualidade e lembrando muito o primeiro álbum por serem as mais agressivas.

O clímax do álbum certamente é a trinca, “No Traces”, “World of Devastation” e “Desire for Pain”. Estas três faixas mostram bem o que é o novo som do grupo, mais denso, trabalhado e o mais importante, são amostras de uma identidade do grupo, que intercala entre o Death Doom e Gothic Doom estilo Paradise Lost na canção “Desire for Pain” ou Woods of Ypres em “No Traces”. O álbum segue de maneira coesa desde a primeira canção até seu ultimo lamento agonizante “Abyss of Despair” que fecha o álbum de maneira excelente e como não podia deixar de ser carrega de feeling e melancolia.

O grupo está de parabéns pelo novo álbum e esperamos por muitos outros com a certeza de que grandes obras ainda viram destes catarinenses. Confiram sem medo este novo álbum que já esta a venda  entrando em contato com a banda pela página no facebook dos mesmos.

Agony Voices – Mankinds Glory (independente)

1. Mankinds Glory
2. Nocturnal Minds
3. A New Beginning
4. No Traces
5. World of Devastation
6. Desire for Pain
7. Mysteries of Fear
8. Labirynth
9. Delusions of Death
10. Abyss of Despair

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Resenha por: Guilherme Rocha

Autumnal – The End of the Third Day

Autumnal_TEOTTD_200dpiSegundo full-lenght desta banda espanhola, lançados anos luz após o seu debut que foi lá em 2006, e no final de 2014 este “The End of the Third Day” vem para nos brindar.

Ao todo são 8 faixas em pouco mais de 1h10 de pura melancolia e belas melodias. O álbum abre com a bela “A Tear from a Beast” e vindo na sequência uma das melhores faixas do álbum “One Step… and the Rest of our Lives”. Nesta segunda, o vocalista Javier parece ter encarnado o espírito de Peter Steele do saudoso Type O Negative e consegue com seu timbre de voz chegar muito perto do que Peter fez lá atrás na época do October Rust.

Após o êxtase da segunda faixa, eis que temos “The Head of the Worm” e tem seu merecido destaque da metade pra frente pois há algumas intervenções de violino que são muito bonitas, isso para não dizer uma certa dose de melancolia.

“Resigned to be Lived” é outra faixa de destaque e ao longo de seus 10 minutos, somos agraciados com belas vocalizações e melodias. Novamente aqui há muita inspiração nos vocais de Peter e as vezes fica impossível não imaginar uma possível participação especial do finado vocalista.

Para ninguém achar que a banda é um chororô eterno, temos “The Storm Remains the Same” que tem uma pegada mais voltada ao death metal, ou aquele death/doom agressivo e muito praticado na década de 90.

A pós o cover do Supertramp “Don’t Leave me Now”, que ficou bem diferente da original, chegamos ao final do play com a faixa “Father’s Will”.

Uma excelente canção e que carrega consigo todo o pesar de uma alma sofredora, ainda mais quando as linhas melancólicas de violino se fazem presente.

Este é um álbum que merece ser ouvido de cabo a rabo e repetido inúmeras vezes, pois a cada audição, novos detalhes são encontrados e é como se fosse sempre uma primeira vez novamente.

Autumnal – The End of the Third Day (Cyclone Empire)
1. A Tear From A Beast
2. One Step…And The Rest Of Our Lives
3. The Head Of The Worm
4. Man’s Life Is The Wolf’s Death
5. Resigned To Be Lived
6. The Storm Remains The Same
7. Don’t Leave Me Now (Supertramp Cover)
8. Father’s Will

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Cyclone Empire

Abaton & Viscera/// – Diade(ms)

abaton - viscera_diade(ms)_front_coverPrimeiro material recebido do novo parceiro Sentient Ruins Lab. e de cara essa pedrada na orelha. Trata-se não apenas de um split com 2 bandas italianas de Sludge/Doom, mas sim um 7” colaborativo entre as bandas.

Para ficar mais claro, as duas bandas se misturaram e compuseram essas duas faixas que virou o Diade(ms).

A faixa do lado A é uma faixa esporrenta, que tem uma levada mais porrada, chegando a beirar o death metal, lembrando em muito o grandioso Incantation. As variações rítmicas dessa faixa é uma constante, pois temos algumas passagens bem rápidas e outras mais arrastadas, características do Sludge Metal.

A segunda e última faixa é mais lenta que a anterior, com um instrumental bem cadenciado, riffs assombrosos e um vocal cavernoso.

A única coisa a se lamentar nesse material é ele ter apenas essas duas faixas, talvez se fosse um EP ou até mesmo um mini-álbum teríamos uma dimensão maior dessa colaboração mútua entre essas duas bandas italianas de grande expressão no cenário underground.

Abaton & Viscera/// – Diade(ms) (Sentient Ruins Laboratories)

1. Special Needs
2. Pandemic

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Vainaja – Kaidotetut

vainaja kadotetutJá faz mais ou menos uns 6 meses que venho escutando esse álbum, intercalando entre uma semana sim outra não, mas sempre dando mais uma chance pra estes finlandeses, e agora finalmente cheguei em uma conclusão sobre o som do grupo, e quando digo conclusão quero dizer minha opinião mesmo. Conclui que de fato o Death/Doom Metal praticado por estes finlandeses é de pouca atratividade e que realmente nada vai adicionar musicalmente para o ouvinte.

Pois bem, não quero dizer que o som do grupo seja ruim, ou sem qualidade técnica até porque a faixa, “Kahleiden Kantaja” é uma música bastante agradável tanto para os fãs de Doom quanto para os fãs de Death Metal. O que ocorre aqui é que simplesmente a banda não encontra um ponto fixo que prende a atenção do ouvinte. É tudo muito reto e simples, sendo assim o que deveria chamar a atenção são os riffs, vocais e o peso imposto, mas infelizmente nenhum deles chama a atenção.

Por outro lado essa simplicidade pode agradar aos fãs de uma sonoridade mais Old School. Fãs de Asphyx e Autopsy (álbum Severed Survival mais precisamente) podem encontrar um nicho bastante proveitoso, mas nada que já não tenham ouvido antes e com melhor qualidade pelas bandas citadas acima.

Infelizmente não é hoje que o Vainaja vai decolar, mas a noticia boa é que é apenas o primeiro álbum do grupo, então esperemos que nos próximos trabalhos, e obviamente esperemos que lancem, pois a expectativa de todos no meio é que de as bandas sempre prosperem independente de críticas, heh!

Vainaja – Kaidotetut (Svart Records)
1. Lankeemus
2. Väärän ristin valtakunta
3. Kahleiden kantaja
4. Valon lapset
5. Henkikaste
6. Verinen lähde
7. Risti kädessäni
8. Viimeinen tuomio
9. Kadotettu

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Resenha por: Guilherme Rocha

Landskap – I

10171238_1575054472719085_2429434314386732301_nEm atividade desde 2012 os ingleses do Landskap (palavra finlandesa para Landscape), lançaram seu debut em Janeiro de 2014, intitulado: I. O complemento deste álbum (II) saiu em Novembro de 2014 também, mas irei me focar somente no primeiro álbum que é composto por somente 4 faixas.

A proposta da banda é de fácil assimilação, apesar de intercalar entre o Doom e Psychodelic não é difícil de ver que eles puxam um tapete pro Stoner também.  Começando o álbum com a sensacional, “A Nameless Fool” o grupo mostra todas as vertentes já citadas. Gostaria de salientar o vocal de, Jake Harding, pela pegada setentista incrível, cantando as duas músicas em que aparece com feeling psicodélico estupendo, viajante.

Temos duas faixas instrumentais que são, “My Cabin In The Woods” e “To Harvest The Storm”, sendo a primeira uma canção muito relaxante, uma música feita para se escutar em uma cabana na floresta como a própria tradução da música deixa claro. “To Harvest The Storm” é uma faixa longa e crescente, começando com uma linha de baixo onde ao decorrer do tempo vai entrando os outros instrumentos causando uma atmosfera de euforia no ouvinte que é contemplado nos minutos finais com uma sensacional amostra de técnica (fritação) dos músicos, uma bela faixa, talvez a melhor do álbum.

Pra finalizar gostaria de orientar ao ouvinte que pretende se aventurar no som do Landskap de não ouvir o álbum somente uma vez ou duas, ouça várias vezes, pois cada vez que eu escuto este álbum ele fica cada vez melhor e o efeito pode ser igual para você leitor. Álbum que vai agradar a todos que curtem uma veia mais setentista ou o Doom tradicional.

Landskap – I (Iron Bonehead)

1. A Nameless Fool
2. My Cabin in the Woods
3. Fallen So Far
4. To Harvest the Storm

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Iron Bonehead

Resenha por: Guilherme Rocha