Skepticism – Ordeal

Captura de Tela 2015-08-01 às 11.37.52Após ter passados longos anos desde seu último álbum “Alloy”, estes finlandeses resolveram apostar numa forma “diferente” para a gravação deste novo álbum intitulado “Ordeal”. No início deste ano eles gravaram de forma “ao vivo” 6 faixas inéditas e ainda deram 2 bônus de seus clássicos funerais para a pequena plateia (lê-se sortudos) presente.

A primeira coisa a se notar é a qualidade de gravação, que além de ter um aspecto “live”, não soa como um disco ao vivo como costumamos ouvir por aí. Há sim algumas pequenas intervenções da plateia entre uma faixa e outra, mas podemos sentir toda a atmosfera captada neste material.

A inclusão de um segundo guitarrista, como live member, veio a somar, pois nos poucos solos e ou linhas de guitarra, não temos aquele vazio característicos de banda com apenas um guitarrista, isso sem contar que a banda não possui baixista.

Apesar do disco todo soar uníssono e músicas com qualidade ímpar, não posso deixar de comentar o meu descontentamento com os vocais, já no álbum anterior eu já não tinha curtido e aqui me soa estranho. Algumas vezes parece estar rachado, mas isso não chega por a perder todo este trabalho, pois você acaba se acostumando.

Voltando à parte musical, podemos destacar as faixas: “Momentary”, “The Departure” com o seu andamento melancólico que apenas o Skepticism consegue produzir. “March Incomplete”, esta música é cortar os pulsos já nos primeiros acordes, além de parecer uma filha mais nova do seu clássico absoluto “The March and the Stream”.

“Closing Music” é uma excelente faixa para o encerramento do ato antes das duas faixas bônus, que já mencionei no início. Ela é longa, arrastada, nos dá uma impressão de ser uma faixa instrumental até que próximo do final, algumas frases se fazem ouvir.

Após seu último acorde, temos alguns segundos de silêncio absoluto até novamente ouvir os acordes de “Pouring” e na sequência, a dispensa comentários, “The March and the Stream”.

Como não haveria deixar de ser, mais um ótimo discos dos mestres do Funeral Doom e espero não ter que esperar quase 10 anos até seu próximo lançamento.

Ouça sem moderação.

Skepticism – Ordeal (Svart Records)
1. You
2. Momentary
3. The Departure
4. March Incomplete
5. The Road
6. Closing Music
7. Pouring
8. The March and the Stream

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Svart Records

Resenha por: Rodrigo Bueno

Nova coletânea latina de Drone & Funeral Doom

O selo OVRDS está convocando bandas da América Latina de Drone e Funeral Doom para uma coletânea #4free.

Captura de Tela 2015-07-31 às 10.20.27

Interessados no projeto, deverão entrar em contato via email.
Esta coletânea também terá sua versão com bandas Europeias e Norte Americanas com o intuito de uma maior interação e divulgação entre os envolvidos.

Temple of Void – Of Terror and the Supernatural

RWE005Formada no ano de 2013, Temple of void com uma demo intitulada MMXIII, lançada no mesmo ano e em 2014 lançando seu primeiro Full-Lenght intitulado “Of Terror and the Supernatural” vem com tudo trazendo elementos do Doom Metal e Death Metal old school!

O mesmo álbum já começa de forma impecável e destruidora. Vindo da região de Detroit (Estados Unidos), os Doomers propõe um trabalho ensurdecedor e ao mesmo tempo cadenciado e sombrio. Com oito faixas, o álbum é uma verdadeira porrada na orelha!

A primeira faixa “The Embalmer’s Art” de cara já tem um início digamos “pedrada”! Guitarras distorcidas ao extremo e bateria estilo bate-estaca dão boas-vindas ao público do metal. Na segunda passagem da música temos o que de melhor podemos ouvir no Doom Metal: Guitarra base arrastada com sua distorção e guitarra solo nos enchendo de harmonia com sua delicadeza acústica. O vocal é destruidor, lembrando de certa forma grandes nomes do metal como Seth Siro (Septicfleh), Mikael Akerfieldt (Opeth) e até mesmo Samej (Mythological Cold Towers – Brasil). Brutalidade absoluta!

“Savage Howl” tem um início semelhante que a primeira faixa, porém um pouco mais cadenciada e menos agressiva, mas ainda sim tem um ritmo balançante com guitarra base e contrabaixo guiando muito bem com coordenação junto à bateria, enquanto a guitarra solo nos proporciona uma breve ansiedade em querer saber sobre o que está por vir mais além. Mais uma vez dou ênfase ao vocal destruidor de Mike Erdody, sinceramente, esse músico tem de tudo para ser um dos grandes nomes da cena do metal, isso por que seu vocal é descomunal. Com o passar da canção, verás que estou apenas elogiando parte de seu trabalho. Seu ritmo e tempo dão uma sonoridade perfeita e poderosa. Até que de repente temos um Break-Down lento e muito bom! Uma canção muito bem trabalhada. Ao final dela temos também um dueto de guitarras e contrabaixo, ao mesmo que Mike solta seu urro demoníaco! Demais!

A terceira faixa “Beyond the Ultimate” tem um início avassalador com o vocal de Mike e as guitarras com uma tremenda coordenação e tempo musical! A canção começa de uma maneira mais lenta e sombria! Lembrando muito mesmo Mythological Cold Towers! Até o momento é a música que mais se aproxima em questão de velocidade, ao Doom Metal. Nesta faixa, fica perceptível a influência do Death Metal oitentista, onde as guitarras soavam de maneira suja, com suas distorções, uma pegada bem lenta e não cansativa. Em algum momento da canção poderia lembrar até um pouco, ao mínimo que seja, Possessed e até um Obituary da vida. Mas acontece que o vocal de Mike não permite que isso aconteça! É muita brutalidade e cadencia juntos!

“Invocation of Demise” é impecável! A cadência logo ao início da canção deixa muito evidente a forma como a pegada vai ficando mais densa e dramática! Essa canção também apresenta alguns aspectos eletrônicos. Elemento que é percebido com o passar da canção obviamente.

“To Carry this Corpse Evermore” citarei como sendo a música progressiva até o momento, consequentemente também como mais calma. Um tipo de influência típica de Opeth, Porcupine Tree, Earth Flight, entre outros! A melodia iniciada pelos violões são lindas, belas demais. Adicionam-se características espanholas medievais, pelo menos ao meu ver foi essa impressão que foi passada. Pessoalmente falando, é uma canção rápida e passageira, que ao menos lhe permite viajar muito, entrar numa odisseia e lacrimejar ao som de um belo e executado violão.

“Rot in Solitude” tem um início semelhante ao Melodic Death Metal, mas ao mesmo tempo remete ao Death! Nessa etapa, as canções de Temple of Void já soam mais Doom/Death Metal! Nesta bela faixa, em certos momentos tive a impressão de estar ouvindo a voz de Seth Siro. Porém, já é um som mais semelhante à Mythological Cold Towers. A brutalidade do vocal mais a pequena velocidade executada pelos instrumentos nos dá esta boa impressão!

“Exanimate Gaze” é o tipo de música que lhe apresenta uma face, mas de repente lhe mostra outra! Bem típico do Death Metal old school, nos apresenta o Doom/Death Metal. Mas novamente nos remete ao old school. Muitos elementos positivos em uma só canção. Fica evidente demais a presença do contrabaixo. Isso devido ao fato de as guitarras estarem executando riffs muito arrastados, permitindo não apenas sentir o peso, mas sim também o timbre do contrabaixo!

“Bargain in Death”, enfim a última e mais longa faixa do álbum! Ela representa aquilo que chamamos de última e sensacional impressão da banda, ou do álbum! Como sendo a última, tinha realmente que arrepiar e nos surpreender! E isso devidamente é de fato possível! Essa destruidora canção mistura tudo o que foi apresentado até aqui! Doom/Death Metal, Death Metal old school e ainda um pouco de Melodic Death Metal. É totalmente incrível! É uma espécie de utopia sonora. Quando se ouve, é inacreditável o fascínio que está canção apresenta e nos comove.

Logo, devido sua duração de aproximadamente onze minutos, não poderia deixar de citar a progressividade refletida através da canção. Mas enfim, deixarei de livre e espontânea vontade do ouvinte para ouvir esta megalomaníaca obra. Realmente me senti totalmente satisfeito ao ouvir este trabalho!

Para uma banda vinda dos Estados Unidos, o grupo convenceu-me muito, não que este país não nos proporcione com bandas boas, mas Temple of Void é algo surreal! Como já havia dito anteriormente, chega a ser um tanto utópico!

Temple of Void – Of Terror and the Supernatural (Naturmacht Productions/Rain Without End Records)
1. The Embalmer’s Art
2. Savage Howl
3. Beyond the Ultimate
4. Invocation of Demise
5. To Carry This Corpse Evermore
6. Rot in Solitude
7. Exanimate Gaze
8. Bargain in Death

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Resenha por: Leonardo Reis

Paradise Lost – The Plague Within

Paradise Lost - The Plague WithinHá mais de 25 anos na estrada, a banda inglesa Paradise Lost já atravessou diversas fases em sua carreira. Nos primeiros anos, foi fundamental para o surgimento, evolução e popularização do gothic metal, gravando clássicos indiscutíveis como Shades of God (1992), Icon (1993) e Draconian Times (1995). Depois, passou por um período onde explorou novas influências, incorporando elementos eletrônicos e de synthpop, notadamente em Host (1999). E então, usou a experiência para equilibrar a sonoridade clássica com o desejo de experimentação e renovou a sua música fazendo-a soar revigorada e alinhada à atualidade em trabalhos como In Requiem (2007), Faith Divide Us – Death Unites Us (2009) e Tragic Idol (2012).

The Plague Within, lançado no início de junho, é o décimo-quarto álbum do Paradise Lost é mantém a ótima fase vivida pela banda nos últimos anos. Produzido por Jaime Gomez Arellano, traz o quinteto formado por Nick Holmes (vocal), Greg Mackintosh (guitarra), Aaron Aedy (guitarra), Steve Edmondson (baixo) e Adrian Erlandsson (bateria) em dez faixas inéditas que mostram que os ingleses dominam plenamente a música que executam. A banda sabe exatamente onde encaixar os riffs, quanto alternar os ritmos, o momento certo para mudar a dinâmica de cada faixa. O domínio que o Paradise Lost demonstra sobre a sua arte em The Plague Within, além de transmitir uma segurança absurda, mostra que a banda atingiu definitivamente a maturidade.

Variando entre faixas mais lentas e que retomam a herança doom do início da carreira e outras onde o ritmo é mais acelerado e agressivo, o grupo construiu um disco muito interessante, com cada faixa apresentando caminhos ao mesmo tempo distintos, mas que soam interligados no conjunto da obra. A força de The Plague Within está na soma das dez faixas que compõe o álbum, e não focada em apenas algumas composições. Ainda que canções como “No Hope in Sight”, “Terminal”, “Punishment Through Time” e “Beneath Broken Earth” se destaquem em um primeiro momento, as audições contínuas revelam um trabalho coeso e dono de uma força descomunal.

The Plague Within (2015) é a biografia do Paradise Lost dos anos 1990-1995. Um álbum que volta às raízes mais profundas da banda sem repetir o que já foi feito, inovando. Da melodia ao peso ríspido, o Paradise Lost está de corpo e alma em um dos melhores álbuns até então lançados em 2015.

Paradise Lost – The Plague Within (Century Media)
1. No Hope in Sight
2. Terminal
3. An Eternity of Lies
4. Punishment Through Time
5. Beneath Broken Earth
6. Sacrifice the Flame
7. Victim of the Past
8. Flesh from Bone
9. Cry Out
10. Return to the Sun

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Resenha por: Luan Monteiro

Adfail – Is it A Game?

bmm071-14Mother Russia mostrando mais uma vez seu poder de fogo com outro grupo de boa qualidade. Adfail lançou seu segundo trabalho, Is it A Game? Trazendo 12 músicas, um número um pouco acima da média quando se trata de Doom Metal, mas que o grupo soube trabalhar bem não deixando o cd cansativo de se ouvir justamente por saber intercalar bem entre o Death Doom e Gothic Doom.

Um dos primeiros pontos positivos do grupo já é posto em evidencia na primeira faixa que é uma intro, “Skies Within”, onde Yury Khlopotov (bateria) mostra um belo trabalho de pedais duplos e essa qualidade é demonstrada pelo álbum todo, sendo uma marca registrada da banda e conseqüentemente do próprio músico. A faixa, “Another Moon” sugere uma leve influencia de My Dying Bride (fase A Map of All failures), no fraseado de guitarra que segue logo após a primeira frase do refrão e não é muito difícil de identificar em outros pontos da música também a mesma influencia.

Do meio pra frente do cd a nuance gótica do grupo fica mais forte e, mas não deixando de lado o  Death como deixam claro na faixa, “Dream Of The Astronaut”, uma das melhores e mais poderosa faixa do grupo neste álbum.

Como eu não poderia deixar de ser vou novamente exaltar a cena Russia/Ucrânia que vem se mostrando um antro incrível para proliferação do Doom Metal e suas variadas vertentes revelando sempre bandas com excelente qualidade como é Adfail e tantas outras que por aqui já resenhei. Álbum e grupo que vale a pena escutar principalmente pelo belo trabalho do baterista Yuri Khlopotov.

Adfail – Is It A Game? (BadMoodMan/Solitude-Prod)
1. Skies Within
2. Is It A Game
3. Another Moon
4. Shade
5. In The Hands Of Death
6. When Light Turns Black
7. Falling
8. Rain
9. Dream Of The Astronaut
10. Tear For My Little Cloud
11. Me And My Computer Heart
12. The End Of Life

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Resenha por: Guilherme Rocha